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Trump ameaça retirar tropas dos EUA de Espanha e Itália e volta a visar a Alemanha na NATO e no Irão

Pessoa aponta para mapa histórico da Europa projetado numa parede, capacete militar com bandeira dos EUA numa mesa.

Ameaças de Trump sobre Espanha e Itália

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou esta quinta-feira que poderá retirar tropas dos Estados Unidos de Espanha e de Itália, depois de já ter deixado no ar uma medida semelhante para a Alemanha, alegando falta de apoio destes países na guerra com o Irão.

Confrontado por jornalistas na Casa Branca sobre a hipótese de aplicar a Espanha e Itália o mesmo que admitiu para a Alemanha, o republicano respondeu: "Sim, provavelmente. Porque não o faria? A Itália não nos tem ajudado em nada, e a Espanha tem sido horrível, absolutamente horrível". E reforçou: "Quando precisamos deles, não estavam lá. Temos de nos lembrar disso".

NATO, Irão e a possibilidade de reduzir forças na Europa

Trump tem reiterado publicamente o seu desagrado com a NATO, acusando a Aliança de não colaborar com os Estados Unidos na guerra contra o Irão. Na quarta-feira, anunciou que a sua administração está a "estudar e a analisar a possível redução de tropas na Alemanha", uma hipótese que agora admite poder estender a outros aliados da Aliança Atlântica.

Desde o início da ofensiva contra o Irão, em 28 de fevereiro, o Presidente norte-americano tem apontado o dedo a países como Espanha por recusarem autorizar a utilização das suas bases no conflito e por não cooperarem no desbloqueio do Estreito de Ormuz, que o Irão declarou fechado em resposta aos ataques israelitas e norte-americanos.

Críticas à Alemanha e ataques a Friedrich Merz

Sobre a Alemanha, Trump classificou a actuação do país como um "trabalho terrível", numa aparente referência ao chanceler alemão Friedrich Merz. E detalhou as críticas: "Têm problemas de imigração, têm problemas de energia. Têm problemas de todos os tipos e têm um grande problema com a Ucrânia, porque estão envolvidos nesta confusão".

Ainda na quinta-feira, nas redes sociais, Trump voltou ao tema e mirou Merz de forma directa. “O chanceler da Alemanha deveria dedicar mais tempo a pôr fim à guerra com a Rússia/Ucrânia (onde tem sido totalmente ineficaz!)”, escreveu. Na mesma publicação, defendeu que Merz deveria concentrar-se em "consertar o seu país em crise" e "dedicar menos tempo a interferir com aqueles que estão a eliminar a ameaça nuclear iraniana, tornando assim o mundo, incluindo a Alemanha, um lugar mais seguro!"

Respostas de Berlim e posição de Madrid

Do lado alemão, o chanceler defendeu esta quinta-feira uma "parceria transatlântica fiável", sem reagir de forma directa às ameaças de Trump sobre a redução de efectivos norte-americanos na Alemanha, após o desentendimento em torno do Irão. "Nestes tempos conturbados, estamos a seguir uma linha clara, uma linha que se mantém assente na NATO e numa parceria transatlântica fiável. Como sabem, esta parceria transatlântica é particularmente importante para todos nós, e para mim pessoalmente", afirmou Friedrich Merz, durante uma visita para observar manobras do Exército alemão em Muenster, no oeste da Alemanha.

Merz terá irritado Trump na segunda-feira, quando afirmou que "os norte-americanos claramente não têm qualquer estratégia" no Irão e que Teerão "estava a humilhar" a maior potência mundial.

Entretanto, Trump chegou a ameaçar retirar-se da NATO e "cortar todo o comércio" com Espanha. Há uma semana, um e-mail do Pentágono, a que a Reuters teve acesso, admitia várias formas de penalizar aliados e chegou a levantar a hipótese de suspender Espanha da Aliança (um cenário que a própria NATO descartou prontamente).

Apesar desta nova possibilidade avançada por Trump, o governo espanhol indicou esta quinta-feira que mantém a tranquilidade. Fontes governamentais citadas pela agência Efe insistiram que Espanha é um parceiro de confiança e que cumpre sempre os seus compromissos.

Presença militar dos EUA em Espanha e noutros países da UE

Os Estados Unidos têm aproximadamente 3200 militares destacados em Espanha, sobretudo nas bases aéreas de Rota e Morón. No conjunto da União Europeia, Espanha é o terceiro país com mais tropas norte-americanas, atrás da Alemanha (aproximadamente 35.000) e da Itália (aproximadamente 12.000).

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