Em 2004, quando se apresentaram ao mundo com o álbum de estreia homónimo, os norte-americanos Scissor Sisters destacaram-se por misturarem a energia febril da pista de dança com guitarras musculadas de rock - sempre acompanhadas por uma postura exuberante, excêntrica e bem-humorada. Temas como ‘Take Your Mama Out’, ‘Filthy/Gorgeous’ ou a releitura imaginativa de ‘Comfortably Numb’, dos Pink Floyd, ajudaram a construir um sucesso que durou 8 anos, período em que editaram quatro discos.
Depois de uma longa pausa, no ano passado voltaram aos palcos para assinalar os 20 anos de “Scissor Sisters”. E regressam agora a Portugal para um concerto no festival Ageas CoolJazz, em Cascais, marcado para 29 de julho - um ano depois de terem levado ao Meo Kalorama o seu grande cabaré.
Jake Shears, Babydaddy (nome verdadeiro Scott Hoffman) e Del Marquis (Derek Gruen) falaram com a BLITZ sobre o significado desta segunda vida dos Scissor Sisters, mas também sobre a amizade com Dave Grohl (Foo Fighters) e Josh Homme (Queens of the Stone Age) e ainda sobre o recrudescimento de ataques aos direitos LGBTQIA+ nos Estados Unidos. Pelo caminho, evocaram também o concerto “com lama na cara” em Paredes de Coura, há mais de duas décadas.
A conversa aconteceu por videochamada, com pontas em Lisboa, Nova Iorque e Nova Orleães, e começou com Del Marquis a atirar um “Olá, tudo bem” em português, num sotaque musical - aprendizagem, admitiu, muito provavelmente afinada pelo marido brasileiro. Enquanto esperava pelos restantes, contou que volta ao Brasil em setembro, para o casamento do cunhado. “Estou mais ofendido por ter de usar um fato cinzento do que por ter de entrar na igreja de braço dado com a mulher da irmã do meu marido. É a terceira igreja católica mais antiga da América do Sul… é sagrada”.
A segunda vida dos Scissor Sisters
Já passou um ano desde que anunciaram o regresso dos Scissor Sisters. Como têm vivido este “segundo ato” de uma banda que marcou tanto as vossas vidas?
Jake Shears – Tem sido incrível. Voltarmos a estar juntos, revisitarmos o repertório e redescobrirmos as canções tem sido um prazer. E há algo libertador em montar um espetáculo novo sem a pressão de apresentar material inédito: a prioridade é só fazer um grande concerto, para quem está a ver e para nós.
Babydaddy – Queríamos perceber como nos sentiríamos, honestamente. A curiosidade era grande - e o resultado foi muito melhor do que esperávamos. Agora, e acho que falo pelos três, dá vontade de continuar.
Del Marquis – No ano passado, levantar o espetáculo exigiu um esforço mental e físico enorme. Desta vez soa mais a volta de honra. Estamos confiantes no que conseguimos fazer em palco e na forma como tocamos… especialmente para quem não andava em digressão há imenso tempo. Por isso, é aproveitar.
20 anos de “Scissor Sisters”: memórias e redescobertas
O ponto de partida foi a celebração dos 20 anos do álbum de estreia. Que memórias trouxeram essas canções? E como se lembram de gravar “Scissor Sisters” e das expectativas em 2004?
JS – Voltar a essas músicas e preparar a edição de aniversário, a partir de materiais antigos que já não ouvíamos há anos, foi muito prazeroso. Só o processo de abrir ficheiros velhos trouxe-me memórias maravilhosas. É curioso escutar coisas que escrevemos quando éramos miúdos: há letras que, para o bem ou para o mal, hoje não faria. Mas há algo muito terno ali, uma inocência bonita. Reencontrar isso foi especial.
B – Para mim, também foi interessante perceber como aquelas canções se encaixam no que fizemos depois. No alinhamento não tocámos o álbum de uma ponta à outra; fomos alternando as faixas iniciais com músicas de outras fases. No fundo, foi como contar a história completa dessa era dos Scissor Sisters. E reapareceram canções de que já quase não tínhamos memória - e pelo menos uma ou duas que nunca tinham sido tocadas ao vivo. Voltámos a coisas em que já não pensávamos.
A memória muscular também conta, certo?
B – Totalmente. Houve alturas em que a letra me veio à cabeça quando nem me lembrava bem da canção. Foi mesmo divertido. E acho que vamos manter algumas dessas músicas que estavam “adormecidas”.
Voltar ao estúdio: novas canções em cima da mesa?
Ao regressarem aos ensaios e aos concertos, chegaram a pensar: “e se entrássemos outra vez em estúdio e gravássemos material novo”? É uma hipótese real neste momento?
B – Sim, é claramente uma possibilidade.
JS – Estamos a compor e a fazer música. É como voltar a ganhar balanço. Da minha parte, já não escrevia canções há algum tempo - passaram alguns anos - por isso ainda estou a reencontrar o terreno, mas tem sido estimulante. Criar um álbum é sempre um processo longo: há dias duros e outros magníficos. A diferença é que, com a experiência que temos, já sabemos como isto funciona. Não há surpresas. Concordas, Scott?
B – Concordo, mas também levamos muito a sério aquilo que colocamos cá fora e como isso reflete a banda. Temos quatro álbuns na nossa história, por isso queremos acertar no passo e perceber o que faz sentido hoje. Talvez passe por juntar o que adoramos nos Scissor Sisters com algo que possa soar diferente, tantos anos depois. E isso faz com que não seja um exercício de “escrever umas canções em duas semanas e está feito”. É um caminho, como o Jake disse, em que revisitamos o que nos inspira e o que nos define. E não é só música: gostamos muito de cinema, televisão, livros, e tentamos que tudo isso entre na receita.
“É engraçado ouvir coisas que escrevemos quando éramos miúdos. Há ali letras que eu, para o bem ou para o mal, nunca escreveria hoje”, Jake Shears
Amizade, família de estrada e a ausência de Ana Matronic
Durante mais de uma década sem tocarem juntos, como é que a vossa amizade se manteve? Continuaram sempre próximos ou cada um seguiu mais a sua vida?
B – Foi um equilíbrio entre as duas coisas. Depois de decidirmos parar, também precisámos de espaço - aqueles 12 anos foram intensíssimos e estivemos sempre muito em cima uns dos outros. Mas a amizade ficou, e isso é o melhor. Às vezes passamos algum tempo sem falar e, quando voltamos a encontrar-nos, é como uma família. E cada relação dentro do grupo é diferente. Até as duas cantoras que agora nos acompanham, a Amber [Martin] e a Bridget [Barkan], são amigas de há muito. A Bridget já tinha cantado connosco e o Jake cruzava-se com a Amber o tempo todo.
JS – Mesmo os novos elementos em digressão são pessoas nossas amigas de longa data. Eu e a Amber conhecemo-nos há 20 anos.
B – Acho que nem conseguiríamos fazer isto de outra forma.
DM – Não me imagino a publicar um anúncio e a ter um grupo de senhoras a fazer audições [risos].
B – Isto não é o “American Idol”.
JS – Quando fiz coisas a solo, por vezes tive outros cantores comigo em palco, mas para mim é sempre muito melhor quando existe amizade, relação e história com quem está ao teu lado. Sem isso, não sinto a mesma profundidade.
Apesar de a Ana Matronic, fundadora dos Scissor Sisters, não estar convosco nesta digressão, continuam a falar? Ela já foi ver algum concerto?
JS – Não creio que tenha ido. Ou foi?
DM – Nunca digas nunca!
JS – Ainda não, mas íamos adorar que aparecesse.
B – Vamos comunicando de vez em quando. Ela está a fazer o que quer fazer agora, e nós ficamos contentes por isso. Falámos sobre o assunto e gostávamos muito que ela voltasse, mas o espírito dela continua na banda. A Ana faz parte da história dos Scissor Sisters e isso não muda.
“A Ana Matronic é uma grande parte da história dos Scissor Sisters e isso nunca vai mudar”, Babydaddy
“The Kiki Continues”, Bananarama e o espetáculo em Cascais
Na próxima digressão “The Kiki Continues” têm as Bananarama como convidadas especiais. Que importância tiveram na formação do vosso gosto musical?
JS – Na verdade, ao longo dos anos já fizemos alguns concertos com elas.
DM – Aquelas raparigas sabem beber, é só o que vou dizer. Nós não bebemos assim tanto.
B – Olha que ainda nos arranjas problemas!
JS – Elas são lendas da pop.
B – Crescemos em Nova Iorque, num meio onde nos fascinava a ideia de grupos de raparigas com visão própria, a fazerem exatamente o que queriam.
DM – E se eras um rapaz queer, as imagens do vídeo de ‘Venus’ ficaram-te gravadas na retina.
JS – Uma das coisas mais divertidas nisto tudo é cruzarmo-nos com lendas e com artistas de quem gostamos - e, às vezes, até cantarmos com eles.
B – E é essa a alegria do verão: andar por festivais, ver bandas de que gostas, dizer olá a pessoas que talvez nunca encontrasses de outra maneira.
E para o concerto em Cascais, o que podem os fãs portugueses esperar? Vai ser muito diferente do que fizeram no Meo Kalorama no ano passado?
JS – Entraram algumas canções em rotação. Não são “novas novas”, mas voltámos a tocar um par de temas antigos. Pessoalmente, também não quero alterar demasiado este espetáculo. Vamos ajustar a sequência das músicas e acrescentar novos momentos de conversa e novas piadas. Acho importante que as pessoas o vejam: é o concerto dos Scissor Sisters que muita gente quer encontrar este verão. Vamos mexer em algumas coisas mais por nós - estamos mesmo orgulhosos, trabalhámos muito nisto, e há ainda muita gente que não viu.
B – E eu agradeço ao Jake e às meninas por nunca repetirem um espetáculo como se fosse cópia do anterior.
Em 2012, quando vos entrevistei, lembraram um concerto num festival do norte em que o vento atirava lama para as vossas caras. Sentiram saudades do público português?
JS – Adoro tocar em Portugal. Um dos meus primeiros concertos do meu álbum a solo mais recente foi no Kalorama, e é sempre uma festa. Gosto muito do público português.
B – É um público sempre preparado para a noite… mesmo quando nós já só queríamos ir para a cama. Falo por mim e pelo Del, não pelo Jake.
“Se eras um rapaz queer, as imagens do vídeo de ‘Venus’, das Bananarama, ficaram-te gravadas na retina”, Del Marquis
Ian McKellen, “Invisible Light” e momentos de arena
Ter o ator Ian McKellen convosco em Glastonbury e depois na O2 Arena, em Londres, em ‘Invisible Light’, foi muito marcante. Como foi partilhar o palco com uma figura histórica da representação - o eterno Gandalf - e o que lembram do primeiro encontro?
JS – Da primeira vez que o vi, só pensei: ‘meu Deus, ele é tão sexy’. Há uma fotografia em que se nota que estou a flirtar com ele… e o Elton a olhar para nós com cara de nojo. Ele é o mais sexy e o mais querido. Quando estávamos a preparar ‘Invisible Light’, fomos vê-lo na peça “À Espera de Godot”, com o Patrick Stewart…
B – E levámos um gravador portátil para os bastidores.
JS – Tínhamos escrito aquele monólogo, que era bem mais longo, e fomos ao camarim dele. Ele gravou tudo. Para mim, esse momento elevou o álbum inteiro. É a minha canção favorita de todas as que fizemos: tem qualquer coisa de fixe - é divertida, assustadora, nostálgica e épica ao mesmo tempo. Por isso, tê-lo connosco em palco foi especial para nós e acho que também para ele. Mesmo sendo o Sir Ian McKellen, com uma vida tão gigante e louca, não acredito que tenha muitas oportunidades para viver um momento daqueles num concerto de rock numa arena. Ele adorou e divertiu-se imenso.
B – E aquele coro da plateia a gritar “Sir Ian McKellen” é um dos momentos favoritos da minha carreira. Ainda bem que ficou registado em vídeo. Ele nem estava a perceber - parecia um cântico de futebol - mas depois explicaram-lhe que era o nome dele e ele emocionou-se. É lindíssimo e mostra o amor que aquele país lhe tem.
“Pillion”, Foo Fighters, Josh Homme e a base rock
No vosso Instagram vi o vídeo em que o Babydaddy e o Del Marquis reagem ao Jake no filme “Pillion”. Como foi filmar algo tão provocador?
JS – Foi intenso. Uma experiência completamente diferente. Nunca tinha feito nada daquele tipo e nunca tinha estado num set como aquele. Sou cinéfilo, por isso foi fascinante ver o processo por dentro. Mas deixou-me muito ansioso. Curiosamente, as cenas de sexo foram a parte mais fácil. Quando chegaram os diálogos, senti-me completamente fora de água. Ganhei um respeito enorme por atores de cinema e televisão. Não sei como o conseguem fazer… é exigente. Como performer de concertos e de palco, não percebo bem onde um ator de ecrã vai buscar a sensação de recompensa. Como sabes que estiveste bem? De onde vêm as endorfinas? Não tens nada - estás só em frente a uma objetiva. É estranho, um processo bizarro; foi assim que o senti. Mas gostei muito e fico contente por as pessoas estarem a adorar o filme e por ele ter ganho os prémios que ganhou. Tenho muito orgulho em fazer parte.
“Há uma fotografia onde se vê que estou a flirtar com o Ian McKellen… e o Elton John a olhar para nós com cara de nojo. É o mais sexy e o mais querido de todos”, Jake Shears
O Jake e o Babydaddy foram fazer coros para os Foo Fighters no talk show do Graham Norton. E o Jake também trabalhou com Josh Homme. Sei que vos apoiam e são fãs. O que representa para os Scissor Sisters o reconhecimento de figuras com um público tão massivo?
JS – O Scott é muito próximo do Dave e eu sou muito próximo do Josh. São amigos íntimos e é maravilhoso sentir esse apoio vindo de pessoas que admiramos e respeitamos.
B – Os três somos grandes fãs de rock and roll; foi daí que viemos. Crescemos com o grunge e com a new wave dos anos 80, e tanto pertencemos a esse universo como ao da música de dança ou da música queer. Para nós, especialmente quando éramos mais novos, estava tudo dentro do mesmo pacote. Eles foram ídolos e influências. O Dave escreveu sobre o nosso primeiro álbum para o “NME”; nós lemos e alguém comentou: “vocês deviam encontrar-se”. Conhecemo-nos e ele tem sido um apoio desde então. Às vezes as pessoas estranham porque conheces esta ou aquela pessoa, mas ao fim de algum tempo a indústria fica pequena: podes ter o mesmo agente de booking ou o mesmo manager, e o mundo vai encolhendo. E quando andas nisto durante anos e te cruzas com bandas que também têm uma longa história, cresce um respeito mútuo. Olhamos para os Foo Fighters, e o Dave já vinha dos Nirvana, e pensamos: eles fazem isto há três vezes mais tempo do que nós.
JS – E eu acho mesmo que, no fundo, somos uma banda de rock acima de tudo. Adoro música de dança, todos temos gostos e “missões paralelas”, mas a nossa essência é rock. Está-nos no sangue.
B – Esse era o sonho do Jake quando começámos: queria guitarras, queria bateria ao vivo, e fomos por aí.
Direitos LGBTQIA+ em 2026: recuos e resistência
Estamos em 2026 e os direitos das pessoas LGBTQIA+ estão a recuar - não só nos EUA, mas em parte do Ocidente. Sentem tristeza, desânimo, raiva, vontade de lutar… ou tudo isso?
B – A resposta mais simples é: sim, provavelmente tudo isso.
DM – Eu gostava de acreditar numa utopia em que tudo melhora sempre, mas a história mostra que não é assim. Avança e recua. E quando se esquece o que custou, repete-se. Estamos a viver tempos estranhíssimos, para dizer o mínimo, e não sei se existe um caminho definido. Somos humanos e não acompanhamos a velocidade da tecnologia - e quase vejo aí um reflexo direto da forma como as pessoas estão a perder o norte e a não se adaptar. Enquanto espécie, adaptamo-nos a certas coisas, mas o ritmo atual diz muito sobre por que razão tanta gente reage como reage, ou porque anda desanimada, deprimida ou zangada. No essencial, continuamos a ser analógicos: amamos natureza, amamos estar juntos, amamos música. Não quero reduzir isto a um slogan, mas não queremos viver isolados. E, por isso, aquilo que fazemos com a nossa música deixa-me orgulhoso - orgulhoso desta profissão e do que podemos oferecer. Não tenho uma solução para os grandes problemas. Só espero que as coisas acabem por correr bem.
B – Há quem diga que não somos suficientemente políticos; de certeza que já ouvimos isso. Mas também há quem ache que somos demasiado explícitos e demasiado abertos sobre quem somos. Acredito que a nossa atitude sempre foi a mesma, e talvez a coisa mais eficaz que possamos fazer seja sermos nós próprios e continuar por aí. Não dá para fugir ao político quando a nossa existência, por si só, já é política.
A comunidade LGBTQIA+ deu as coisas por garantidas e baixou a guarda?
B – Posso falar por mim e pelo Jake: crescemos numa zona muito conservadora, no sul dos Estados Unidos. Aprendi cedo a adaptar-me a pessoas que talvez não entendessem bem o que significava ser gay ou trans, ou uma das outras letras da sigla. Por isso, não acho que alguma vez tenha acreditado que tudo só podia melhorar. Há um lado muito conservador na América que faz com que algumas pessoas se sintam zangadas - e às vezes com medo - do que acontece no resto do país. Isso pode desaparecer da vista quando estás em Nova Iorque ou noutra metrópole, mas quase me sinto “com sorte” por nunca ter acreditado que isto era uma linha reta. Pelo menos nos EUA, sempre existiu uma luta entre duas fações.
JS – Quando lutámos pelo casamento igualitário nos Estados Unidos, nunca conseguiríamos prever o que a tecnologia faria ao mundo 12 anos depois. Aquilo com que estamos a lidar hoje é um resultado direto da forma como a tecnologia entrou na vida de toda a gente.
“O Dave Grohl comentou o nosso primeiro álbum para o ‘NME’, nós lemos e alguém disse ‘vocês deviam encontrar-se’. Apresentaram-nos e ele tem sido um apoio desde então”, Babydaddy
O custo de fazer digressão: o que mudou desde 2012
Em 2012, pouco antes de entrarem em pausa, disseram-me que era muito caro manter uma banda na estrada. Hoje isso é uma queixa recorrente, sobretudo entre independentes. Para vocês, o que mudou? Sentem-se mais preparados para lidar com essas dificuldades?
JS – Sinto-nos com muita sorte por conseguirmos fazer concertos. Tenho sérias dúvidas de que, hoje, uma banda conseguisse construir o que nós construímos há mais de 20 anos. Não sei como é que os mais novos aguentam. Os custos são absurdos. Leio constantemente entrevistas de bandas a explicarem o quão difícil é. Quem continua a fazê-lo está a dar tudo e, muitas vezes, com muito pouco.
B – Em 2012, estávamos numa digressão mundial a promover um álbum e a ir a lugares onde ainda estávamos a tentar ganhar terreno. Em alguns sítios perdíamos dinheiro e noutros recuperávamos, enquanto tentávamos chegar a todo o lado. Agora estamos numa posição privilegiada - embora, ao mesmo tempo, um pouco triste - porque acabamos por tocar apenas onde faz sentido. Tivemos mais sucesso no Reino Unido, assinámos lá, e isso ajudou, mas eu adorava voltar ao Japão e à Austrália, e ir a países da Ásia onde nunca tocámos. Até os Estados Unidos, neste momento, são complicados para nós; portanto, em certa medida, essas dificuldades continuam. A diferença é que hoje conseguimos restringir a rota aos lugares onde faz sentido levar esta digressão. Vamos ver o que acontece se estivermos nisto mais 2, 3 ou 4 anos.
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