Audiência no Senado: críticas democratas e resposta de Pete Hegseth
O secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, contrariou as acusações de senadores democratas segundo as quais a guerra com o Irão foi iniciada sem evidências de uma ameaça iminente e levada a cabo sem uma estratégia consistente.
Nas declarações iniciais de uma audição no Comité de Serviços Armados do Senado, na quinta-feira, Hegseth classificou os legisladores democratas como "pessimistas imprudentes" e "derrotistas das cadeiras da retaguarda", argumentando que estes não reconheceram os vários êxitos das forças armadas contra a República Islâmica do Irão. Hegseth afirmou que o Presidente Donald Trump teve a coragem "ao contrário de outros presidentes, de garantir que o Irão nunca obtenha uma arma nuclear e que a sua chantagem nuclear nunca tenha sucesso". "Temos o melhor negociador do mundo a conduzir um grande acordo", asseverou.
O senador Jack Reed, o democrata com mais peso no comité, sustentou que o conflito com o Irão deixou os Estados Unidos numa situação estratégica mais frágil. Reed afirmou que o Estreito de Ormuz está fechado, que os preços dos combustíveis subiram abruptamente e que 13 militares americanos foram mortos. "Estou preocupado de que tenha estado a dizer ao Presidente o que ele quer ouvir em vez do que ele precisa ouvir," sublinhou Reed. "Garantias ousadas de sucesso não são um serviço, tanto para o comandante-em-chefe, quanto para as tropas que arriscaram as suas vidas com base nelas", adiantou.
Reed criticou ainda Hegseth pelos despedimentos de altos responsáveis militares no Pentágono e sugeriu que o secretário da Defesa demonstra um forte interesse pelo Cristianismo e pelo nacionalismo, mas não valoriza devidamente as conquistas de mulheres e de pessoas de cor nas forças armadas. O senador democrata frisou que 60% de cerca de duas dezenas de oficiais afastados por Hegseth eram mulheres ou negros.
Em resposta, Hegseth garantiu que qualquer despedimento é decidido com base no desempenho e defendeu que líderes anteriores do Pentágono "estavam focados na engenharia social, raça e género", de formas "pouco saudáveis para o departamento". "O nosso departamento permite uma multiplicidade de crenças", afirmou Hegseth. "Não sei o que está a sugerir. Já ouvi coisas do género, que pessoas como você sugerem, para tentar manchar o meu caráter, e não vou ceder a isso", sublinhou.
Lei de Poderes de Guerra de 1973 e o prazo dos 60 dias
Durante a sessão, o secretário da Defesa dos EUA deixou também em aberto a possibilidade de Donald Trump contornar a Lei de Poderes de Guerra de 1973. A lei estabelece que o Congresso deve declarar guerra ou autorizar o uso da força no prazo de 60 dias - um limite que termina esta sexta-feira. “Estamos num cessar-fogo neste momento, o que, segundo o nosso entendimento, significa que o prazo de 60 dias é suspenso ou interrompido”, disse Hegseth.
Apesar disso, a legislação prevê uma eventual prorrogação de 30 dias, mas a administração republicana não esclareceu publicamente se o Presidente tenciona pedi-la. Questionado por senadores sobre qual será a posição da Casa Branca, Hegseth não deu resposta.
Orçamento militar de 2027 e prioridades de modernização
O Comité do Senado reuniu-se para analisar a proposta de orçamento militar para 2027 da administração Trump, que elevaria a despesa com Defesa a um máximo histórico de 1,5 biliões de dólares. Hegseth e o presidente do Estado-Maior Conjunto, o general Dan Caine, têm sublinhado a necessidade de reforçar drones, sistemas de defesa antimíssil e navios de guerra.
Apoio republicano no comité e críticas ao custo do conflito
Hegseth teve, contudo, uma receção mais favorável por parte do senador Roger Wicker, o republicano que preside ao comité, e de outros legisladores do mesmo partido. Wicker abriu a audição afirmando que os Estados Unidos enfrentam o cenário de segurança mais perigoso desde a Segunda Guerra Mundial e elogiou o recurso de Trump às forças armadas na guerra contra o Irão.
Wicker defendeu que Trump "trabalhou para remover as capacidades militares convencionais do regime e forçá-lo a regressar à mesa para uma solução permanente". O senador republicano enalteceu também a proposta orçamental para 2027, descrevendo-a como "repleta de programas e iniciativas importantes que são absolutamente necessários para garantir os interesses americanos no século XXI".
Na quarta-feira, Hegseth já tinha confrontado os Democratas numa audição de quase seis horas na Comissão de Serviços Armados da Câmara, onde foi questionado sobre os custos da guerra em dólares, as perdas de vidas e o desgaste dos stocks de armas críticas.
Os democratas consideram que se trata de uma guerra cara e assumida por opção, sem aprovação nem supervisão do Congresso, mas não conseguiram aprovar várias resoluções ao abrigo dos poderes de guerra que obrigariam Trump a suspender o conflito até que o Congresso autorizasse a ação adicional.
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