Guarda Revolucionária do Irão coloca os Estados Unidos perante duas opções
A Guarda Revolucionária do Irão lançou hoje um desafio direto aos Estados Unidos, defendendo que Washington terá de optar entre uma intervenção militar que considera "impossível" ou, em alternativa, aceitar um "mau acordo" no atual conflito no Médio Oriente.
Num comunicado do seu serviço de informações, difundido pela televisão estatal, é sustentado que "A margem de manobra dos Estados Unidos na tomada de decisões diminuiu" e que o Presidente norte-americano "tem de escolher entre uma operação militar impossível ou um mau acordo com a República Islâmica".
O mesmo serviço de informações referiu, entre outros pontos, um "ultimato" iraniano relacionado com o bloqueio norte-americano aos portos do país, bem como uma alegada "mudança de tom" da China, Rússia e Europa face a Washington.
Na rede social X, Mohsen Rezaei - antigo comandante-chefe da Guarda Revolucionária e nomeado em março como conselheiro militar do novo líder supremo Mojtaba Khamenei - deixou uma ameaça explícita: "Os Estados Unidos são os únicos piratas do mundo com porta-aviões. A nossa capacidade de enfrentar piratas não é menor do que a nossa capacidade de afundar navios de guerra. Preparem-se para ver os vossos porta-aviões e as vossas forças acabarem no cemitério de navios".
Impasse após o cessar-fogo de 08 de abril
A relação entre Teerão e Washington continua bloqueada desde que, em 08 de abril, entrou em vigor um cessar-fogo, depois de quase 40 dias de ataques aéreos israelitas e norte-americanos contra o Irão e de ações de retaliação iranianas no Médio Oriente.
Apesar de iniciativas diplomáticas, não foi possível reabrir negociações diretas após o encontro sem resultados realizado em Islamabade em 11 de abril, mantendo-se profundas divergências que vão desde o estreito de Ormuz até à questão nuclear iraniana.
Entretanto, o Presidente dos EUA escreveu no sábado, na rede social Truth Social, que "vai estudar em breve um plano que o Irão" tinha acabado de apresentar, embora tenha demonstrado grande ceticismo em relação ao tema.
Plano de 14 pontos enviado via Paquistão
De acordo com agências de notícias iranianas, Teerão fez chegar a Washington, por intermédio do Paquistão, um plano de 14 pontos com a finalidade de terminar o conflito no prazo de 30 dias.
Segundo a agência noticiosa Tasnim, entre as exigências iranianas constam a retirada de forças norte-americanas de zonas próximas do Irão, o fim do bloqueio aos portos iranianos e do congelamento de ativos iranianos, o pagamento de reparações, o levantamento das sanções, um "mecanismo" relativo ao estreito de Ormuz e "o fim da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano".
Consequências humanas e impacto nos mercados
O conflito já provocou milhares de mortos, sobretudo no Irão e no Líbano, e os seus efeitos continuam a fazer-se sentir na economia global, com os preços do petróleo a atingirem valores que não eram registados desde 2022.
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