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OPEP+ aumenta limites de produção para junho em 188.000 barris por dia após saída dos Emirados Árabes Unidos; ADNOC prevê investimentos

Engenheiros de petróleo em capacetes brancos analisam dados com gráfico, em plataforma petrolífera no deserto.

OPEP+ eleva limites de produção para junho

A Arábia Saudita, a Rússia, o Iraque, o Kuwait, o Cazaquistão, a Argélia e Omã - países da OPEP+ - decidiram aumentar "em 188.000 barris por dia" os limites de produção para o mês de junho, de acordo com o comunicado divulgado no site da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

Como era esperado, Riade, Moscovo e os restantes cinco países avançaram hoje com o anúncio dos novos limites de produção de petróleo, numa sinalização de continuidade do grupo, apesar do choque provocado pela saída dos Emirados Árabes Unidos.

Saída dos Emirados Árabes Unidos e tensões na OPEP+

Os Emirados Árabes Unidos comunicaram, na terça-feira, que abandonam - a partir de 1 de maio - a OPEP, liderada por Riade, e também a aliança OPEP+, que inclui a Rússia.

Até agora, a OPEP era composta por 12 países-membros, centrados na coordenação da produção e dos preços. Com a saída dos Emirados Árabes Unidos, passam a integrar a organização:

  • Arábia Saudita
  • Irão
  • Iraque
  • Kuwait
  • Venezuela
  • Argélia
  • Gabão
  • Guiné Equatorial
  • Líbia
  • Nigéria
  • República do Congo

Especialistas ouvidos pela AFP destacam que a declaração dos países da OPEP+, sem qualquer menção aos Emirados Árabes Unidos, evidencia o agravamento das tensões com Abu Dhabi após a decisão de saída.

"Ao manter a mesma trajetória de produção – simplesmente sem os Emirados Árabes Unidos –, o grupo age como se nada tivesse acontecido, minimizando deliberadamente as fraturas internas e exibindo uma imagem de estabilidade", considerou Jorge Leon, da Rystad Energy, uma consultora do sector da energia.

Investimentos da ADNOC e novos contratos 2026-2028

Entretanto, a Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (ADNOC) assumiu o compromisso de investir 55 mil milhões de dólares em novos projetos ao longo dos próximos dois anos.

"A ADNOC confirmou hoje que está a acelerar o crescimento e a implementação da sua estratégia, com 200 mil milhões de dirhams (46 mil milhões de euros) em novos contratos de projetos para o período 2026-2028", indica um comunicado da empresa.

Quotas, capacidade disponível e impacto nos volumes

Segundo analistas, o aumento agora anunciado dificilmente se irá traduzir em produção adicional, já que a principal capacidade não utilizada da OPEP+ está concentrada nos países do Golfo, cujas exportações se encontram bloqueadas devido ao encerramento do estreito de Ormuz, no contexto da guerra entre o Irão e os Estados Unidos da América.

Entre os países da OPEP+ abrangidos por quotas, a produção desceu, em março, para 27,68 milhões de barris por dia, ficando abaixo das quotas, que somavam 36,73 milhões de barris por dia.

O efeito recai sobretudo sobre a Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, sendo que a produção deste último deixará de entrar no total da aliança (o Irão integra a OPEP+, mas não está sujeito a quotas).

A Rússia - o segundo maior produtor do grupo - surge como a principal beneficiária deste contexto, com preços da energia muito elevados, apesar das dificuldades em produzir ao nível das quotas atuais desde o início da guerra na Ucrânia.

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