O secretário-geral da UGT, Mário Mourão, aproveitou as comemorações do 1.º de Maio no Jamor, esta sexta-feira, para contestar a forma como foram conduzidas as negociações da reforma laboral. No seu entender, existiram tentativas de “isolar, pressionar, dividir e fragilizar” a central sindical, deixando a garantia de que “a UGT não cedeu e não vai ceder”.
No início da intervenção, Mário Mourão defendeu que a “produtividade pelo medo não é produtividade, é injustiça e retrocesso”. Para o dirigente, o “problema” da economia portuguesa “não está nos trabalhadores, que trabalham muitas horas, mais do que a maioria dos europeus”, mas antes na “má gestão, na falta de formação e na ausência de uma justa recompensa pelo trabalho”.
O responsável sindical enumerou, depois, o que classificou como os “verdadeiros problemas” de quem trabalha, dizendo que estão “à vista de todos”: o acesso a serviços públicos “está mais difícil”, o custo dos bens essenciais “não pára de subir”, a habitação “consome rendimentos como nunca” e as taxas de juro “sufocam as famílias”, num contexto em que a pobreza laboral continua a crescer.
Mourão reconheceu igualmente dificuldades do lado das empresas, mas sustentou que as propostas do Governo não são a resposta. “As empresas do país real não querem reformas laborais radicais que nada trazem, criam instabilidade e prejudicam o investimento.” E acrescentou que trabalhadores e empresas “querem resolver os problemas do seu dia a dia”, defendendo que é isso que deveria “estar a ser discutidos”, ao acusar o Executivo de ter uma "obsessão com a reforma laboral”.
“Tentaram isolar a UGT, mas falharam”
Sobre o percurso das conversações, Mário Mourão apontou críticas ao modo como o processo decorreu, sublinhando que “não foi fácil, não foi equilibrado e começou com uma mesa totalmente inclinada para os empregadores”. Na sua leitura, “Durante meses tentaram isolar a UGT, desvalorizar a concertação social. Tentaram pressionar, dividir e fragilizar.” Ainda assim, frisou, não obtiveram esse resultado: “Falharam. Falharam as tentativas de dividir a UGT.”
No mesmo ponto do discurso, fez questão de reforçar a identidade da central: “A UGT é e continuará a ser uma instituição de sindicalistas e não de militantes partidários, como querem fazer crer. A nossa cor é a defesa dos direitos dos trabalhadores. A nossa ideologia é o bem-estar de quem trabalha. A nossa autonomia é o nosso maior património.”
O secretário-geral assegurou, por isso, que a UGT “não cedeu e não vai ceder perante o que são as traves mestras do Governo” e que rejeita “chantagens e ultimatos” de quem procura imputar-lhe responsabilidades pela proposta remetida ao Parlamento. “A responsabilidade de não aproveitar os resultados do diálogo social será sempre do Governo. A responsabilidade de ter apresentado um projeto que o país não precisa e que os trabalhadores portugueses recusam é deste Governo”, afirmou, defendendo que o texto, “apesar de melhorias, continua a ser profundamente danosa para os trabalhadores portugueses”.
Apesar do tom crítico, reiterou que a UGT mantém abertura para “dialogar e negociar”, mas apenas aceitando entendimentos “só quando forem bons para os trabalhadores e para o país”.
CGTP confirma greve geral a 3 de junho
Também na tarde desta sexta-feira, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, tomou a palavra e confirmou uma nova paralisação geral marcada para 3 de junho, apelando à adesão alargada. “A CGTP apela aos trabalhadores para a luta e à convergência de todas as estruturas de trabalhadores para a greve geral, pelos direitos, pelos salários, por um país mais justo e solidário, contra o pacote laboral”, declarou.
Tiago Oliveira acusou o Governo de sucessivos “ataques atrás de ataques aos serviços públicos”, identificando problemas em várias frentes - da saúde e educação às forças de segurança -, que “ainda esperam que sejam cumpridos os acordos assumidos, com reforço de meios e de efetivos”. Referiu ainda constrangimentos na justiça, na cultura e na segurança social, além de criticar a “transferência de competências para as autarquias sem os meios necessários”.
Para o líder sindical, estará em curso uma estratégia para “denegrir a imagem do serviço público para promover a sua entrega a grupos económicos e financeiros”. E considerou que estas iniciativas, em conjunto com o pacote laboral, “são dos maiores ataques de sempre aos trabalhadores, um autêntico retrocesso, como se de avanços se tratasse”.
PS pede ao Governo "para deixar cair teimosia"
À chegada à festa dos trabalhadores organizada pela UGT no Centro Desportivo do Jamor, José Luís Carneiro falou aos jornalistas e instou o Governo a recuar nas propostas apresentadas, considerando o pacote laboral “inaceitável”.
“Faço um apelo: deve deixar cair esta teimosia e este pacote laboral”, afirmou o secretário-geral do PS, sustentando que as medidas são “ofensivas para os mais jovens, as mulheres e os mais vulneráveis”, atingindo “em particular as famílias portuguesas”.
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