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PEC denuncia 16 dos 27 jornalistas mortos por ataques israelitas antes do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

Colete à prova de bala com a palavra PRESS, câmara fotográfica, capacete e bloco de notas num local danificado.

PEC denuncia mortes de jornalistas atribuídas a ataques israelitas

Em vésperas do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que se assinala no domingo, a ONG Campanha Emblema de Imprensa informou que 16 dos 27 jornalistas mortos este ano no mundo foram vítimas de ataques israelitas.

De acordo com a organização, estes dados significam que só Israel terá sido responsável por quase dois terços do total de jornalistas assassinados, numa média aproximada de um morto por semana, enquanto as restantes mortes se repartiram por oito países.

"É lamentável que um único governo, supostamente uma democracia, seja responsável por quase dois terços das vítimas, o que demonstra uma inaceitável falta de respeito pela vida civil e pela independência dos meios de comunicação", afirmou, em comunicado, o presidente da Campanha Emblema de Imprensa (PEC, na sigla em inglês), Blaise Lempen.

O dirigente da ONG, que mantém um acompanhamento permanente e actualizado dos ataques a jornalistas em todo o mundo, acrescentou que uma parte significativa destes ataques é intencional e, por isso, pode ser enquadrada como crime de guerra.

A PEC frisou também que os pretextos apresentados por Israel - que sustenta que alguns dos jornalistas mortos teriam ligações ao Hamas ou ao Hezbollah - "não justificam a sua eliminação, se não estavam a atuar como combatentes".

Distribuição das mortes por regiões

No que diz respeito às mortes relacionadas com o conflito no Médio Oriente, a PEC detalhou que nove jornalistas morreram no Líbano, seis em Gaza, um no Irão e outro na Síria.

Fora desse contexto, a ONG contabilizou cinco vítimas mortais na América Latina - duas no México, duas na Venezuela e uma na Guatemala - além de casos registados no Bangladesh, Somália, Filipinas, Uganda e Índia.

Impunidade, acesso a Gaza e alerta da ONU

Segundo a PEC, estes crimes continuam sem investigação, o que alimenta um clima de impunidade que, por sua vez, favorece novos assassínios. A organização sublinhou ainda que se mantêm as restrições ao acesso da imprensa internacional à Faixa de Gaza.

Também o alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, assinalou a data com uma declaração em que reconheceu que o jornalismo "se tornou uma profissão insegura e, por vezes, perigosa".

Türk lamentou que, nos últimos 20 anos, apenas um em cada dez assassínios de jornalistas tenha sido julgado e condenado, e destacou que a guerra de Israel em Gaza se tornou uma "armadilha mortal" para os meios de comunicação, com quase 300 jornalistas mortos desde o início do conflito em outubro de 2023.

O responsável recordou igualmente que cerca de 330 jornalistas e profissionais da comunicação social continuam detidos em todo o mundo por exercerem a sua profissão.

"A imprensa é o oxigénio de uma sociedade livre e aberta, alimenta o debate público e pode gerar confiança, sustentando a coesão social, a resiliência e a segurança", resumiu o alto-comissário das Nações Unidas para os direitos humanos.

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