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EUA retiram 22 tripulantes do "MV Touska" e transferem-nos para o Paquistão

Marinheiros desembarcam de navio mercante para barco de patrulha com militares a observar no mar calmo.

Evacuação dos 22 tripulantes e entrega às autoridades iranianas

Os Estados Unidos retiraram 22 tripulantes do navio porta‑contentores iraniano "MV Touska" e encaminharam-nos para o Paquistão, onde deverão ser entregues às autoridades do Irão esta segunda‑feira. A operação foi intermediada por Islamabad e apresentada como uma “medida de construção de confiança” entre as duas partes, num contexto em que procuram alcançar um acordo de paz.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Paquistão confirmou a operação e indicou que os marinheiros chegaram de avião a Islamabad na noite de domingo, depois de terem sido evacuados do navio por forças norte‑americanas. Até ao momento, Washington não emitiu um comunicado oficial pormenorizado sobre a transferência, embora a ação tenha sido noticiada por vários meios internacionais, incluindo a agência Reuters.

Apreensão do "MV Touska" pela Marinha dos EUA

O "Touska", um porta‑contentores pertencente à Companhia de Navegação da República Islâmica do Irão (IRISL), encontrava-se apreendido desde meados de abril, após ter sido intercetado pela Marinha dos Estados Unidos ao largo do porto iraniano de Chabahar, no golfo de Omã. Segundo o Comando Central das Forças Armadas norte‑americanas, a embarcação terá desconsiderado avisos repetidos durante cerca de seis horas e estaria a infringir um bloqueio marítimo imposto por Washington.

Declarações de Trump e contestação de Teerão

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assumiu publicamente a operação a 20 de abril, afirmando que o navio, de bandeira iraniana e sob sanções do Departamento do Tesouro dos EUA, “tentou romper o bloqueio marítimo e pagou o preço”. Numa publicação na rede social Truth Social, Trump disse ainda que a Marinha norte‑americana chegou a disparar contra o Touska antes de tomar controlo da embarcação.

Teerão reagiu de imediato, condenando a apreensão como um ato “ilegal” e de “pirataria”. O Irão pediu às Nações Unidas uma condenação formal da atuação norte‑americana, argumentando tratar-se de uma “clara violação” do cessar-fogo em vigor entre os dois países. As autoridades iranianas denunciaram também o que consideram ser uma escalada perigosa do envolvimento militar dos EUA na região.

Mediação do Paquistão e destino do navio

A intervenção do Paquistão ocorre numa fase particularmente delicada do conflito regional. Islamabad afirmou que a evacuação da tripulação foi executada em coordenação com os Estados Unidos e o Irão, realçando o seu papel de facilitador diplomático. Num comunicado oficial, o ministro dos Negócios Estrangeiros paquistanês descreveu a iniciativa como uma “medida de construção de confiança”, destinada a “reduzir tensões”.

De acordo com as autoridades paquistanesas, o "Touska" deverá ser agora deslocado para águas territoriais do Paquistão, onde passará por reparações técnicas antes de ser devolvido aos proprietários iranianos. Não foi avançado qualquer calendário para essa devolução.

O Paquistão tem procurado afirmar-se como mediador ativo no conflito entre Washington e Teerão, numa tentativa de travar a guerra no Médio Oriente iniciada a 28 de fevereiro, com ataques israelitas e norte‑americanos em território iraniano. No mesmo comunicado, Islamabad garantiu que irá “continuar os seus esforços para facilitar o diálogo e a diplomacia”, com o objetivo de promover “a paz e a estabilidade na região”.

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