Saltar para o conteúdo

12 momentos marcantes de Leão XIV

Papa Francisco a abençoar uma criança com pessoas em volta numa praça com placa "Paz" no chão.

1. Ao serviço dos pobres

Em linha com o Papa Francisco - que colocou as periferias esquecidas no centro do seu pontificado -, Leão XIV começou por se aproximar dos mais pobres logo na sua primeira exortação apostólica, com o título “Dilexi Te” (“Eu te amei”).

“Que todos os cristãos possam perceber a forte ligação existente entre o amor de Cristo e o seu chamamento a tornarmo-nos próximos dos pobres”, diz o documento, assinado pelo Papa a 4 de outubro de 2025, festa de São Francisco de Assis, anunciador de uma vida marcada pela simplicidade, pela humildade e pela pobreza assumida.

A exortação propõe uma meditação exigente sobre o vínculo inseparável entre a fé cristã e a entrega a quem mais precisa. O texto tinha sido lançado ainda por Francisco, que conheceu de perto a pobreza na Buenos Aires onde nasceu e onde exerceu funções como arcebispo.

Também Leão XIV, então Robert Francis Prevost, viveu essa realidade sem distância: durante os anos de missão no Peru, cruzou-se com a miséria em primeira mão e viria a ser bispo de Chiclayo entre 2015 e 2023.

2. Migrantes e refugiados são peregrinos

Quando, em várias cidades norte-americanas - incluindo a sua Chicago natal -, as ruas passaram a ser ocupadas por patrulhas fortemente equipadas do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), numa perseguição direta a imigrantes em situação irregular, o Papa reagiu.

“Temos de procurar formas de tratar as pessoas com humanidade, com a dignidade que possuem”, disse em novembro de 2025. “Se as pessoas estão nos EUA ilegalmente, há formas de lidar com isso. Há tribunais. Há um sistema de justiça.”

Noutra ocasião, Leão sublinhou que “os migrantes e refugiados lembram à Igreja a sua dimensão peregrina, em permanente busca da pátria definitiva". Nesse enquadramento, a 1 de maio deste ano, tomou uma decisão carregada de simbolismo ao escolher um antigo imigrante ilegal para bispo da diocese de Wheeling-Charleston, que cobre o estado da Virgínia Ocidental, tradicional reduto republicano.

Evelio Menjivar-Ayala nasceu em El Salvador, em 1970, e entrou nos EUA aos 20 anos, chegando a San Ysidro, na Califórnia, escondido na mala de um automóvel, depois de três tentativas falhadas de escapar ao país, então destruído pela guerra civil.

Num cruzamento de agendas - que só o Papa poderá esclarecer se foi deliberado -, no próximo 4 de julho, data em que os EUA assinalam mais um Dia da Independência (o 250º), Leão XIV seguirá para Lampedusa, em Itália. A ilha tornou-se, nos últimos anos, um dos principais pontos de entrada de migrantes e refugiados na Europa, após travessias do Mediterrâneo feitas sob risco de vida.

3. Contra a guerra desde o dia 1

Quando Prevost apareceu na varanda da Basílica de São Pedro, a 8 de maio de 2025, apresentando-se ao mundo como Leão XIV, abriu o seu pontificado com uma saudação que marcou o tom: as primeiras palavras foram: “A paz esteja com todos vós”.

Num contexto de conflitos ativos em várias partes do globo - com três, em particular, associados a decisões políticas, na Faixa de Gaza, na Ucrânia e no Irão -, o Papa criticou a opção pela guerra e denunciou a instrumentalização da religião para legitimar a violência. Deus “não ouve as orações daqueles que fazem a guerra”, afirmou no mais recente Domingo de Ramos.

Esta postura gerou fricção entre o Vaticano e a Casa Branca, com Trump a atacar o pontífice, dizendo que é “fraco no combate ao crime e péssimo para a política externa”. O Papa respondeu: “Não tenho medo do Governo de Trump”.

4. Aborto é ameaça à paz

No dia 31 de janeiro passado, durante um encontro com jovens no Vaticano, o Papa deixou uma das intervenções pró-vida mais incisivas do seu pontificado. “Nenhuma política pode servir verdadeiramente o povo se negar aos nascituros o dom da vida ou se negligenciar o apoio aos necessitados, quer nas suas circunstâncias materiais, quer no seu sofrimento espiritual”, sustentou.

Leão XIV recordou ainda uma afirmação da Madre Teresa de Calcutá que, em 1994, classificou o aborto como “o maior destruidor da paz”. “As suas palavras continuam proféticas”, comentou o Papa.

5. Regresso às origens

Leão XIV já realizou três visitas apostólicas internacionais e, em duas, procurou deliberadamente as raízes do Cristianismo. Na primeira viagem, que incluiu Turquia e Líbano, fez escala em Iznik, cidade turca conhecida como Niceia no Império Romano, onde em 325 se reuniu um concílio decisivo: clarificou o dogma relativo à figura de Jesus Cristo e promoveu a unificação da doutrina cristã.

Na deslocação mais recente a África - com passagem por Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial, entre 13 e 23 de abril -, o Papa seguiu a herança de Agostinho de Hipona (354-430), um dos teólogos e filósofos mais influentes do cristianismo. Nascido no território da atual Argélia, Agostinho inspirou a ordem religiosa a que Leão XIV pertence: a de Santo Agostinho.

6. Novas práticas na Semana Santa

Na sua primeira Páscoa como chefe da Igreja Católica, Leão XIV aproveitou as celebrações em Roma para retomar práticas antigas.

Na Quinta-Feira Santa, durante o lava-pés, rompeu com a opção do Papa Francisco, que tendia a escolher pessoas em situações de marginalização, como imigrantes e reclusos. Leão XIV regressou ao modelo adotado por Bento XVI e por outros pontífices: lavou e beijou os pés a 12 padres romanos, na Basílica de São João de Latrão.

Houve ainda uma alteração na Sexta-Feira Santa: o Papa levou a cruz ao longo das 14 estações da Via Sacra, no Coliseu de Roma. O pontífice, com 70 anos, suportou durante quase duas horas uma cruz de madeira leve com metro e meio de altura. O último Papa a fazê-lo em toda a procissão tinha sido João Paulo II.

7. Trabalhar na sombra por Cuba

Coerente com os seus apelos à paz, Leão XIV tem colocado a diplomacia da Santa Sé ao serviço da aproximação entre países em rutura. Entre as situações que o Vaticano tem acompanhado está Cuba - destino dos três últimos Papas -, sujeita há décadas a um bloqueio dos EUA e à beira de uma crise humanitária.

Esta quinta-feira, o Papa recebeu no Vaticano o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, de ascendência cubana, e o dossiê esteve em cima da mesa. Dois dias antes, numa sessão informativa aos jornalistas na Casa Branca, Rubio avançou: “Estamos dispostos a prestar mais ajuda humanitária a Cuba, distribuída através da Igreja, mas o regime cubano terá de permiti-lo. Não permitem que demos mais ajuda humanitária ao seu próprio povo. E estamos dispostos a fazê-lo através da Igreja”.

O tema tem levado a contactos diplomáticos intensos, com a Santa Sé a assumir-se como mediadora entre Havana e Washington. A 28 de fevereiro passado, Leão XIV recebeu em audiência o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, enquanto enviado especial do Presidente Miguel Díaz-Canel Bermúdez.

Oito dias antes, foi o responsável pela missão diplomática dos EUA em Havana, Mike Hammer, quem se deslocou ao Vaticano, onde se encontrou com o arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário para as relações com os Estados. Na altura, Hammer afirmou sobre Cuba: “Se houver liberdade, não haverá sofrimento, porque haverá a mudança necessária. Como é que isso vai acontecer? Bem, é nisso que estamos a trabalhar”.

8. Momento inédito entre Papa e Rei

Pela primeira vez desde a Reforma Protestante, no século XVI, os líderes da Igreja Católica e da Igreja de Inglaterra fizeram uma oração conjunta. Esse gesto ecuménico de Leão XIV e de Carlos III teve lugar a 23 de outubro de 2025, na Capela Sistina, no Vaticano, sob os frescos do Juízo Final de Miguel Ângelo.

Embora vários soberanos britânicos tenham visitado o Vaticano ao longo dos tempos, a última ocasião em que um monarca rezou com um Papa remontava a há 500 anos. Agora, Papa e Rei quiseram tornar visível uma proximidade que ambos reconhecem, apesar de continuarem a existir divisões.

9. Pena de morte priva possibilidade de redenção

No passado dia 24 de abril, o Departamento de Justiça dos EUA acrescentou aos métodos de execução de condenados por crimes federais a possibilidade de a pena capital ser cumprida por pelotões de fuzilamento.

Nesse mesmo dia, o Papa falou aos participantes de um encontro na Universidade DePaul, em Chicago, assinalando o 15.º aniversário da abolição da pena de morte no estado de Illinois. “A Igreja Católica sempre ensinou que cada vida humana, desde a conceção até à morte natural, é sagrada e merece ser protegida. O direito à vida é o próprio fundamento de todos os outros direitos humanos. Por esta razão, só quando uma sociedade salvaguarda a santidade da vida humana é que floresce e prospera”, declarou.

“Neste sentido, afirmamos que a dignidade da pessoa não se perde mesmo após a prática de crimes muito graves. Além disso, podem ser e têm sido desenvolvidos sistemas de detenção eficazes para proteger os cidadãos sem, ao mesmo tempo, privar completamente os culpados da possibilidade de redenção.”

10. Pedido aos milionários do Mónaco

A 28 de março passado, o Papa visitou o principado do Mónaco, conhecido como paraíso fiscal e o território com maior concentração de multimilionários por habitante no mundo - um em cada 3 residentes, numa população de cerca de 39 mil pessoas.

Na homilia da missa no Estádio Louis II, denunciou sem hesitações “a idolatria do poder e do dinheiro”. E, na visita de cortesia ao príncipe Alberto, apontou as “configurações injustas do poder, aquelas estruturas do pecado que criam abismos entre pobres e ricos, entre privilegiados e marginalizados, entre amigos e inimigos”.

Leão XIV pediu aos habitantes mais privilegiados do Mónaco que orientem a sua riqueza “ao serviço da lei e da justiça, especialmente num momento histórico em que a demonstração de poder e a lógica da opressão prejudicam o mundo e põem a paz em risco“.

A anterior visita de um Papa ao microestado tinha ocorrido em 1538, sob Paulo III. O Mónaco é um dos poucos países onde o Catolicismo é religião oficial. Em novembro passado, o monarca recusou promulgar um projeto de lei de legalização da interrupção voluntária da gravidez, aprovado no Conselho Nacional por 19 votos contra dois.

11. Confiança nos diplomatas do Vaticano

Quando, a 29 de março passado, na Cidade Velha de Jerusalém, a polícia israelita impediu a entrada do cardeal Pierbattista Pizzaballa no Santo Sepulcro para presidir às celebrações do Domingo de Ramos - justificando a decisão com razões de segurança associadas à guerra com o Irão -, Leão XIV optou por deixar que o próprio Patriarca Latino de Jerusalém conduzisse a resposta.

Pizzaballa, presente na Terra Santa desde 1990 e responsável por acompanhar a vida e a ação da Igreja Católica em Israel, na Palestina, na Jordânia e em Chipre - países onde os católicos são minoritários -, está habituado a dossiers de alta complexidade.

“Jerusalém não pertence exclusivamente a ninguém, pertence a todos”, defendeu o cardeal, numa longa carta pastoral em que pensa a missão da Igreja na Terra Santa em tempo de guerra.

A forma contida como o Papa reagiu a um episódio entendido como afronta aos católicos parece enquadrar-se numa linha de governação em que Leão XIV delega e dá margem aos diplomatas do Vaticano, para que liderem processos de redução de tensões.

12. Momento viral entre a multidão

A 30 de julho de 2025, enquanto percorria a Praça de São Pedro no papamóvel, o Papa fixou um cartaz que se destacava no meio dos fiéis: “Temos piza da Aurelio’s”, lia-se. Leão XIV deu a entender que aceitava a oferta e recebeu uma caixa com uma piza de salame picante, com 15 centímetros.

A piza tinha vindo propositadamente dos EUA, mais precisamente da loja da cadeia em Homewood, no estado de Illinois, onde o Papa costumava ser cliente. Em sua homenagem, a Aurelio’s criou a “Pizza Poperoni”.

A entrega foi organizada por Jayden Remias, criador de conteúdos católicos, que enquadrou a iniciativa num desafio espiritual pessoal: pretendia motivar o seu público a confiar em Deus e a manter a fé quando tudo parece impossível.

Ao abrir a caixa e perceber que era a sua piza preferida, o Papa sorriu de orelha a orelha e ergueu o polegar em sinal de agradecimento.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário