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O primeiro Primeiro de maio de 1890 em Lisboa | Histórias de Lisboa

Grupo de pessoas com roupas antigas a marchar numa rua de pedra com bandeira e jornais nas mãos.

Da Revolução de 25 de abril ao 1.º de Maio

Para muita gente, o Primeiro de maio de 1974 ficou gravado como a primeira - e irrepetível - manifestação pública, coletiva e popular da liberdade aberta pela revolução do 25 de abril. Ainda assim, a primeira celebração em Lisboa do dia internacional de luta pelos direitos dos trabalhadores arrancou bem mais cedo: começou a realizar-se logo em 1890, em simultâneo com a adesão de várias grandes cidades à resolução saída do Congresso Internacional de Paris de 1889.

1890: a primeira celebração do Primeiro de maio em Lisboa

A escolha da data pretendia manter viva a memória da revolta de Haymarket, ocorrida 3 anos antes: uma greve geral pela jornada de 8 horas de trabalho diário que terminou com mortes e com o posterior enforcamento dos chamados ‘mártires de Chicago’.

Num contexto marcado pela desconfiança das autoridades políticas e policiais, o Primeiro de maio de 1890 contou com a presença de um verdadeiro “exército operário”: uma vasta multidão de lisboetas - com alguns recém-chegados de outras zonas do País - que vivia amontoada em pátios e vilas operárias sem quaisquer condições de salubridade. O cortejo reuniu-se na então recém-inaugurada praça dos Restauradores e atravessou algumas das principais avenidas da capital - desde logo a da Liberdade -, espaço por excelência da Lisboa burguesa, seguindo para o insólito destino do cemitério dos Prazeres, onde se homenageou o 'apostolo' José Fontana, falecido em 1876.

Reivindicações e memória operária

Entre as exigências destacava-se a redução dos horários laborais - que, por vezes, atingiam 14 ou mesmo 16 horas de trabalho - e a defesa de uma legislação laboral que regulasse o trabalho noturno, o trabalho feminino e o trabalho dos menores.

Pela primeira vez, a população operária de Lisboa era vista e ouvida, de forma organizada, numa celebração de “luta e de luto” que, nas décadas seguintes, atravessou momentos de maior e menor expressão, mas que nem os 48 anos de ditadura, instituída em 1926 – há exatamente 100 anos –, e depois o Estado Novo, conseguiriam silenciar por completo.

O episódio do podcast Histórias de Lisboa

Neste episódio de ‘Histórias de Lisboa’, o jornalista Miguel Franco de Andrade conversa com a investigadora Ana Alcântara sobre o primeiro Primeiro de maio da História.

Histórias de Lisboa é um podcast semanal do jornalista da SIC Miguel Franco de Andrade, com sonoplastia de Salomé Rita e genérico de Nuno Rosa e Maria Antónia Mendes. A capa é de Tiago Pereira Santos em azulejo da cozinha do Museu da Cidade - Palácio Pimenta.

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