Dia Mundial da Liberdade de Imprensa
O Presidente da República assinalou este domingo o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, sublinhando que uma imprensa livre é um elemento indispensável da democracia e chamando a atenção para o agravamento das ameaças ao jornalismo em todo o mundo.
Numa nota divulgada pela Presidência, António José Seguro sustenta que “a liberdade é o fundamento da democracia” e que a liberdade de imprensa é “uma das suas expressões mais exigentes”, porque “tem a obrigação de incomodar”.
Uma imprensa livre como contrapoder
“Uma imprensa livre é, por definição, um contrapoder. Uma voz que questiona, que investiga, que não se dobra ao poder nem se rende ao aplauso fácil. Uma voz fundamentada, independente e, quando necessário, incómoda. É precisamente essa a sua função. É precisamente por isso que é insubstituível”, frisa o chefe de Estado.
Ameaças globais à atividade jornalística
Ainda assim, observa que o panorama internacional aponta no sentido oposto, com dados que desmentem “a expectativa de progresso que a consolidação das democracias deveria garantir”.
“No ano passado, 129 jornalistas e profissionais da comunicação social foram assassinados no mundo”, afirma, acrescentando que isto “não é uma estatística. É uma acusação”.
Para lá da violência direta, António José Seguro identifica outras ameaças à liberdade de imprensa, “igualmente corrosivas”, entre as quais a regressão democrática em várias regiões, a pressão exercida por regimes autoritários sobre os media independentes, a fragilidade económica das redações, a concentração da propriedade e a disseminação de desinformação.
Desinformação e fragilidade do ecossistema informativo
Quanto a este último ponto, alerta que a expansão da desinformação seduz “os próprios media que deveriam ser o seu antídoto”.
Na perspetiva do Presidente, o conjunto destes fatores está a tornar o “ecossistema de informação cada vez mais frágil”, num contexto em que a verdade disputa espaço com o espetáculo e o “circo mediático” consegue captar mais atenção do que o jornalismo rigoroso.
Proteção da liberdade de imprensa como prioridade de cidadania
Por isso, defende que proteger a liberdade de imprensa deve ser assumido como uma responsabilidade de todos e como uma prioridade de cidadania - e não apenas dos jornalistas ou das empresas de comunicação social.
“Quando uma voz jornalística se cala por medo, por impossibilidade económica ou por captura, não é apenas ela que perde. Perdemos todos”, conclui.
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