Uma câmara termográfica para bombeiros não serve apenas para procurar moradores desaparecidos num incêndio urbano. É também uma ferramenta que pode proteger a saúde e até salvar a vida das equipas com aparelho respiratório em ataque interior.
Durante muito tempo, o preço foi um dos principais argumentos contra a sua aquisição. No entanto, nos últimos anos, os fabricantes lançaram modelos cada vez mais acessíveis. A seguir explicamos o que importa considerar na tecnologia, nos testes e na compra de uma câmara termográfica para bombeiros destinada à equipa de ataque.
Vantagens das câmaras termográficas no ataque interior
Muitos especialistas defendem que cada equipa em ataque interior deveria dispor de uma câmara termográfica para bombeiros. Com ela, a equipa de ataque consegue “ver” mesmo com fumo e no escuro, usando a imagem térmica para se orientar. Com uma câmara termográfica é possível identificar obstáculos e zonas de risco, como escadas. Além disso, a equipa pode:
- deslocar-se mais rapidamente;
- usar o equipamento na busca de vítimas;
- localizar o foco do incêndio;
- sair com maior rapidez e segurança.
As câmaras termográficas são também um recurso relevante para a segurança no trabalho operacional:
- diminuição do risco de tropeçar, cair ou sofrer uma queda em altura;
- evitar passar perigosamente ao lado do fogo sem o detectar;
- a estrutura do edifício torna-se perceptível mesmo com fumo - por exemplo, vigas de aço que começam a deformar-se;
- equipas de segurança conseguem localizar mais depressa colegas acidentados numa situação de emergência.
Como funciona uma câmara termográfica para bombeiros?
A luz “normal”, visível ao olho humano, atravessa o fumo com grande dificuldade. Já a radiação infravermelha - invisível e de maior comprimento de onda (radiação térmica) - consegue propagar-se pelo fumo de forma muito mais eficaz. Qualquer corpo com temperatura acima do zero absoluto, cerca de -273 °C (0 Kelvin), emite essa radiação infravermelha. As câmaras termográficas aproveitam exactamente este princípio: convertem a radiação infravermelha em sinais electrónicos e transformam-nos numa imagem interpretável pelo olho humano.
De forma simplificada, uma câmara termográfica (CT) inclui uma lente, um sensor (detector), electrónica e um ecrã. A lente é, na maioria dos casos, feita de germânio, porque - ao contrário do vidro comum - deixa passar a radiação IV na totalidade.
As CT usadas pelos bombeiros recorrem normalmente a sensores semicondutores não refrigerados (microbolómetros) fabricados em silício amorfo (a-Si) ou óxido de vanádio (VOx). Estes componentes alteram a sua resistência consoante a radiação infravermelha incidente. A electrónica interpreta os sinais e converte-os numa imagem térmica (termografia), apresentada no ecrã a preto e branco ou a cores.
Com uma CT, é possível identificar focos de incêndio através de fumo denso, localizar pessoas a resgatar e verificar níveis de enchimento em recipientes e tanques. Estas câmaras permitem ainda “ver” na escuridão total.
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Apesar das vantagens, há limitações importantes. A termografia não permite atravessar objectos sólidos: o que estiver atrás de um armário tombado, por exemplo, não fica visível com uma CT. Também convém ter presente que o vidro e outras superfícies muito lisas podem reflectir a radiação térmica. Quem apontar uma CT para uma janela verá, na imagem térmica, o seu próprio reflexo - e não uma suposta vítima do outro lado. Um efeito semelhante pode ocorrer noutras superfícies polidas.
Quando surgiram as primeiras câmaras termográficas para bombeiros no mercado?
Por volta de 1960, as câmaras termográficas (CT) foram desenvolvidas para fins militares. O primeiro modelo portátil destinado aos bombeiros foi lançado pela empresa norte-americana eev (hoje e2v) no início da década de 1980. Numa fase inicial, as CT eram utilizadas sobretudo no combate a incêndios a bordo de navios.
Na Europa, a adopção pelas corporações de bombeiros ganhou maior expressão após a Interschutz de 1994. No final da década de 1990, a oferta tornou-se progressivamente mais diversificada. Mais recentemente, muitos fabricantes passaram a apostar em modelos compactos com uma boa relação preço/desempenho. O objectivo é permitir às corporações adquirir mais unidades, idealmente para equipar todas as equipas em ataque interior.
Existe alguma norma para câmara termográfica para bombeiros?
Na Alemanha não existe uma norma específica para câmaras termográficas. Assim, não está claramente definido como deve ser o equipamento para bombeiros nem quais os requisitos mínimos, por exemplo, em indicação de temperatura, qualidade de imagem e robustez. Por isso, muitos fabricantes orientam-se pelo regulamento norte-americano NFPA 1801 “Standard on Thermal Imagers for the Fire Service”, na versão actualizada em 2013.
Como a certificação segundo este standard implica custos, as câmaras termográficas certificadas pela NFPA tendem a ser mais caras do que os modelos sem certificação. No entanto, para equipas de ataque, muitas dessas funcionalidades podem ser desnecessárias, pelo que modelos de baixo custo podem revelar-se a opção mais adequada.
Características essenciais numa câmara termográfica para a equipa de ataque
Ao escolher uma câmara termográfica para equipas de ataque interior, as corporações devem prestar especial atenção aos pontos seguintes:
- Resolução do sensor: para uma imagem com leitura confortável, especialistas recomendam, no mínimo, 160 x 120 píxeis.
- Sensibilidade térmica: indica a menor diferença de temperatura que pode ser detectada. É menos importante para a medição directa e mais relevante para a apresentação dinâmica. Quanto menor o valor, menor a probabilidade de ruído na imagem.
- Taxa de actualização da imagem: expressa quantas vezes o sensor e o ecrã “actualizam” a informação. Quanto maior a taxa, mais fluida é a representação do movimento. Alguns especialistas defendem que, no ataque interior, 30 Hz deveria ser o mínimo. Outros consideram que 9 Hz é suficiente para uma câmara destinada à equipa de ataque.
- Representação (modos de cor): uma imagem a preto e branco (quanto mais claro, mais quente) é rápida de interpretar; a coloração dependente da temperatura, a partir de determinados limites, pode assinalar zonas aquecidas.
- Medição directa de temperatura (MDT): medição com mira (cruz) ou área de medição quadrada e apresentação numérica. Não fornece valores exactos como um termómetro, mas ajuda a orientar a decisão.
- Apresentação dinâmica: é a capacidade de mostrar objectos com temperaturas distintas sem que as zonas quentes “apaguem” visualmente as zonas frias. Depende da resolução do sensor, do tamanho do ecrã, do intervalo de sensibilidade e do processamento da imagem, e também da percepção do utilizador. Por isso, só se avalia de forma fiável com testes práticos.
- Tempo de auto-calibração: as CT precisam de se auto-calibrar periodicamente, durante o que a imagem fica momentaneamente congelada. Quanto menor este tempo, melhor - algo que deve ser observado em testes no terreno.
- Tempo de arranque: quanto mais rápido, melhor. Embora normalmente exista algum tempo entre a chegada ao local e o uso, numa troca de bateria os segundos contam.
- Teste de queda: uma CT para bombeiros deve resistir a uma queda de 2 metros sobre piso de betão.
- Grau de protecção (IP): indica a estanquidade do equipamento. Uma CT para bombeiros deve ser certificada conforme IP 67 (estanque ao pó, protecção total contra contacto e protecção contra entrada de água em caso de imersão temporária).
- Instrução, formação e manuseamento: os utilizadores devem receber formação adequada. Para além da instrução de operação do equipamento, deve existir formação de base em táctica de intervenção.
- Assistência técnica: mesmo que uma CT de baixo custo não seja equivalente a um modelo topo de gama, o suporte deve ser fiável. Isso inclui um ponto de assistência facilmente acessível, prazos de reparação curtos e disponibilização de equipamentos de substituição durante intervenções.
Num vídeo, a FLIR mostra a comparação entre taxas de actualização de 9 e 30 Hz.
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5 dicas para comprar uma câmara termográfica
- Confirmem antecipadamente que opções existem em termos de financiamento, apoios e patrocínios.
- Elaborem um caderno de encargos: que funções são indispensáveis para o uso previsto? Quais são desejáveis, mas dispensáveis?
- Tenham em conta: sob stress, câmaras com operação simples têm vantagem.
- Consultem especialistas e corporações que já tenham experiência com CT equivalentes.
- Seleccionem um conjunto restrito de modelos e, antes da compra, façam um teste em condições reais em instalações de simulação de incêndio ou de treino/ambientação ao calor.
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