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A partir de que idade as pessoas se sentem realmente velhas? Novo estudo surpreende

Mulher idosa com cabelo cinza sente-se à frente de um espelho num quarto iluminado, tocando o queixo.

Quem tem 30 anos costuma achar que 50 já é uma idade avançada. Quem tem 60 tende a desvalorizar a ideia e diz: “Ainda estou longe de ser velho.” Uma nova sondagem mostra agora, com bastante clareza, a partir de que idade as pessoas num país europeu passam a considerar que entrou para si próprias a verdadeira fase da velhice - e por que motivo a mente, o corpo e a sociedade formam uma combinação bastante complexa.

O momento simbólico: quando começa a velhice?

A análise baseia-se numa sondagem representativa feita a 1.000 pessoas entre os 18 e os 75 anos. Foi-lhes pedido que indicassem a partir de que idade, na sua opinião, alguém passa a ser considerado “velho”. O interessante é que as respostas ficam claramente além da idade clássica da reforma.

Em média, a fronteira para a verdadeira fase da velhice é vista aos 69 anos - ou seja, bastante depois da idade da reforma.

As respostas distribuem-se, de forma aproximada, assim:

  • Apenas cerca de um quinto situa o início da velhice entre os 66 e os 70 anos.
  • Quase metade empurra esse limite para os 71 anos ou mais tarde.
  • A média das respostas está nos 69 anos - algo como o “ponto da velhice” simbólico.

Em paralelo, um segundo estudo, mais vasto, com 2.000 participantes, mostra que muitos começam a sentir os primeiros sinais claros do envelhecimento já por volta dos 49 anos. Entre “sinto que o meu corpo está a envelhecer” e “sinto-me velho” passam, em média, cerca de 20 anos.

Como jovens e mais velhos definem “velho” de forma totalmente diferente

A coisa torna-se ainda mais interessante quando se observam os grupos etários separadamente. Aí surge uma diferença geracional bem definida - e também um truque psicológico que muitos aplicam sem sequer dar por isso.

Quanto mais velhas são as pessoas, mais vão empurrando para a frente a fronteira da velhice.

A sondagem mostra que:

  • No grupo dos 18 aos 34 anos, cerca de 20 por cento já consideram os 50 anos como o início da velhice.
  • Entre os 55 e os 75 anos, quase sete em cada dez pessoas só vê a fase da velhice a começar a partir dos 71 anos.

Ou seja: quem ainda é jovem considera o envelhecimento relativamente próximo. Quem já pertence ao grupo mais velho, claramente não quer ser colocado na gaveta do “velho” e vai adiando esse limite - provavelmente para manter distância da ideia desagradável de fragilidade, dependência e retraimento.

Também se pode dizer assim: a imagem interior da velhice está sempre alguns anos à frente do próprio aniversário. Assim que nos aproximamos, voltamos a empurrá-la um pouco mais para longe.

Porque é que o envelhecimento assusta tanta gente?

Os dados não mostram apenas um deslocamento da idade em que se considera alguém velho. Também deixam claro o que está por trás do medo de envelhecer. As rugas, aqui, são apenas uma pequena parte do problema.

Quase 60 por cento percebem que as pessoas mais velhas são pouco ou nada valorizadas na sociedade.

Na televisão, na publicidade e nas redes sociais, dominam corpos jovens e em boa forma. Mesmo quando existem campanhas a favor de mais diversidade, os rostos mais velhos aparecem normalmente só de forma pontual. Muitas pessoas concluem daí que, quando alguém é velho, vale menos, incomoda ou deve, pelo menos, tornar-se invisível.

As três maiores preocupações na velhice

Na sondagem, os participantes referiram repetidamente três aspetos que os fazem encarar os próximos anos com preocupação:

  • Perda de autonomia - isto é, passar a depender de ajuda no dia a dia.
  • Perda de mobilidade - já não conseguir andar, viajar ou fazer desporto sem dores.
  • Diminuição da memória - deixar de conseguir recordar com segurança nomes, datas e rotinas diárias.

Apenas cerca de uma em cada cinco pessoas espera manter-se verdadeiramente saudável em idade avançada. Essa expetativa baixa afeta o estado de espírito: quem já conta com uma doença grave encara o futuro com mais inquietação.

Envelhecer também tem lados atrativos

Apesar de todos os medos, a imagem da velhice não é apenas sombria. Muitas pessoas associam também os anos mais tardios a liberdade e novas possibilidades, sobretudo no contexto profissional.

Cerca de 42 por cento têm mesmo vontade de envelhecer - principalmente porque então já não terão de trabalhar.

A ideia de uma vida sem turnos, chefes e prazos tem muito apelo para muitas pessoas. Tempo para a família, passatempos, viagens ou, simplesmente, uma rotina mais calma: estas perspetivas aliviam em parte o receio de rugas e dores nas articulações.

Ao mesmo tempo, fica a nota de que a dimensão dessa liberdade depende muito da situação financeira e de saúde. Quem recebe uma pensão muito baixa mais tarde, ou já aos 60 anos tem limitações significativas, vive esses mesmos anos de forma completamente diferente de alguém que esteja fisicamente apto e financeiramente protegido.

O que está realmente por trás da sensação de “sou velho”

A idade sentida resulta de vários componentes. O estudo sugere que três dimensões atuam em conjunto: mudanças físicas, atitude psicológica e retorno social.

Dimensão Gatilhos típicos Possível efeito na sensação de idade
Corpo dores, cansaço, recuperação mais lenta A pessoa sente-se travada, evita atividades e percebe que já “não é como antes”.
Psique comparação com pessoas mais novas, expectativas próprias, planos de vida anteriores Surge a sensação de “já não acompanhar”, desvalorização interior e retraimento.
Sociedade piadas sobre a idade, oportunidades de trabalho, representação nos media Sensação de ser menos importante e de apenas ser tolerado.

Quem se mantém fisicamente em forma, tem modelos positivos no seu círculo de conhecidos e recebe reconhecimento no trabalho ou no voluntariado tende a sentir-se velho mais tarde - mesmo que o registo de nascimento diga outra coisa.

O que se pode fazer para se sentir jovem durante mais tempo

Os dados da sondagem não permitem recomendações médicas, mas deixam indicações claras sobre os fatores que influenciam a idade sentida. Muitos deles estão ao alcance de cada pessoa.

  • Manter contactos sociais: quem vive ativamente amizades e família sente a velhice com menos frequência como algo solitário e sem sentido.
  • Continuar mentalmente ativo: ler, aprender, jogar, participar em voluntariado - tudo o que exige esforço ao cérebro reforça a sensação de vitalidade.
  • Preservar a mobilidade: movimento regular, seja a caminhar, a fazer ginástica ou a praticar desporto moderado, ajuda a combater a impressão de “fragilidade”.
  • Ter expetativas realistas, mas não sombrias: quem admite limitações, mas continua a fazer planos, vive muitas vezes os anos depois dos 60 de forma mais positiva.

Também é interessante notar que muitas pessoas empurram a fronteira interior da idade para trás precisamente quando percebem que conseguem fazer mais do que esperavam de si próprias. Quem aos 70 ainda faz caminhadas, dança ou ajuda a cuidar dos netos vê automaticamente essa idade menos como um fim e mais como uma nova etapa da vida.

Como a imagem da velhice poderá mudar

Os resultados dos estudos levantam também uma questão social: durante quanto tempo queremos continuar a ligar a imagem da pessoa envelhecida a ideais com aparência jovem? Se, em média, as pessoas só veem a fronteira da velhice aos 69 anos, mas já sentem alterações físicas no fim dos 40, muita coisa na imagem pública não encaixa bem.

Mais exemplos visíveis de pessoas mais velhas nos media, na política, no desporto ou na cultura poderiam ajudar a que envelhecer fosse percecionado menos como uma queda e mais como uma transição. Isso inclui também papéis mais diferenciados: não apenas a “foguetão prateado” em forma que corre maratonas aos 75 anos, mas também pessoas com limitações que, ainda assim, participam ativamente na vida social.

No fim, os números mostram sobretudo uma coisa: a data de nascimento marca apenas uma parte da idade. Tão decisivos quanto ela são a saúde, o contexto e a confiança que cada pessoa ainda tem em si própria. A fronteira simbólica nos 69 anos é, por isso, menos uma linha fixa - e mais um espelho da forma como hoje as pessoas pensam a vida mais tarde.

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