PS pede saída de Ana Paula Martins após novos dados do SNS
Perante os dados mais recentes sobre consultas, cirurgias e tempos de espera - números que, para os socialistas, traduzem uma “deterioração muito significativa” no SNS - o PS avançou para uma exigência mais explícita do que até aqui: a demissão da ministra da Saúde, Ana Paula Martins.
No Parlamento, a coordenadora dos deputados do PS na comissão de Saúde, Mariana Vieira da Silva (que também representa o partido no Pacto Estratégico da Saúde que o Presidente da República procura dinamizar), foi taxativa: “Aquilo que os portugueses não compreendem e não podem compreender é como é que o primeiro-ministro ainda não desistiu da ministra da Saúde, Ana Paula Martins”.
Questionada sobre se isso correspondia a um pedido de demissão, a deputada respondeu sem margem para dúvidas: “Sim, é isso que eu estou a dizer.” Na leitura do PS, o problema ultrapassa a discussão de políticas e resulta de uma falta de capacidade de actuação da ministra, descrita como “uma ministra que já desistiu do SNS”.
Exemplo apontado pelo PS: falhas no planeamento das ULS
Como ilustração dessa inoperância, Mariana Vieira da Silva referiu a forma como, nos últimos anos, as ULS (Unidades Locais de Saúde) recebiam em novembro “as propostas de contratualização” - incluindo, em particular, matérias de recursos humanos - para definirem o que poderiam concretizar no ano seguinte, tendo em conta as listas de espera.
Segundo a deputada, em 2024 essas propostas “este ano chegaram em 21 de abril”, deixando as unidades de saúde “sem nenhuma capacidade de fazer o seu trabalho de planeamento e de organização”. E sublinhou o impacto desta ausência de orientações: “Quando um hospital [ou] uma ULS não têm indicações daquilo que é suposto fazer num ano, isso não pode deixar de ter consequências e é isso que nós temos para ver nos dados recentemente conhecidos”.
Listas de espera e acesso: “isto não é uma deterioração pontual”
Mariana Vieira da Silva defendeu ainda que “isto não é uma deterioração pontual”. Recordou que, já no final do ano passado, o PS alertara para um marco inédito: pela primeira vez, havia mais de um milhão de portugueses à espera de uma consulta.
E insistiu que as estatísticas representam situações reais: “Já no final do ano passado chamamos a atenção que tínhamos pela primeira vez na história mais de um milhão de portugueses à espera de uma consulta. E estes dados não são só números, embora sejam apresentados assim: são pessoas concretas que não tiveram acesso à sua primeira consulta e que por isso vão ter um diagnóstico mais tardio e vão ficar à espera mais tempo de uma eventual cirurgia de que necessitem”.
Na conclusão política que apresentou, a deputada defendeu que “é tempo de parar de encontrar desculpas”, seja “ora porque é verão ou ora porque é gripe”, e de encarar a trajectória dos indicadores. Para o PS, os dados públicos demonstram “que neste momento o SNS responde pior e gasta muito mais dinheiro”.
A socialista considerou, por isso, que a situação é difícil de justificar: “É incompreensível como é que com mais recursos há menos resposta e na verdade isso só se pode explicar por incapacidade de organização, que é o que nós neste momento temos no SNS”.
Números destacados pelo PS: consultas e cirurgias
No arranque da conferência de imprensa, Mariana Vieira da Silva enumerou os indicadores que, segundo o PS, sustentam a ideia de “deterioriação muito significativa” do SNS. Em primeiro lugar, apontou “quebras de 6% das consultas nos cuidados de saúde primárias”, o que, em termos absolutos, corresponde a “menos 400 mil consultas”, isto é, “menos 400 mil momentos de resposta ao cidadão”.
Em paralelo, referiu estar identificada “uma quebra de mais de 3,8% nas consultas hospitalares”, com impacto particularmente relevante nas primeiras consultas hospitalares, por serem “muitas vezes o momento do diagnóstico” e “o início de um caminho de resposta de tratamento e de acompanhamento para o cidadão".
A este quadro, acrescentou ainda “uma deterioração muito significativa da capacidade de resposta” na actividade cirúrgica, “com menos 10 mil realizadas face ao ano passado”.
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