Três meses depois do anúncio, o movimento de João Cotrim Figueiredo continua sem sinais
Passados mais de três meses desde que anunciou, no rescaldo das presidenciais, a criação de uma iniciativa cívico-política, João Cotrim Figueiredo não voltou a apresentar novidades sobre o movimento. Não há iniciativas anunciadas, não se conhecem os nomes da direção e também não existe um calendário público. O site permanece inalterado - com o curto manifesto de arranque e o formulário de inscrição - e as redes sociais quase não recebem novos conteúdos. Na prática, o projeto parece estar em pausa.
Em março, o eurodeputado e antigo candidato a Belém dizia ter, mais ou menos definida, a primeira ação a desenvolver e garantia que seria comunicada em breve. Desde então, porém, optou por não avançar mais informação sobre o movimento apartidário que pretendia dar voz aos cerca de 900 mil votos alcançados nas presidenciais, resultado que lhe valeu o terceiro lugar e o deixou fora da segunda volta por 300 mil votos. Contactado pelo Expresso desde abril, Cotrim Figueiredo tem evitado detalhar composição, calendário e prioridades da iniciativa.
O que aparece no Racius e o que falta no site e nas redes
No Racius, a única indicação disponível é a de que a Associação Movimento 2031 - Portugal em Frente foi constituída em março e tem sede em Lisboa. Ainda assim, esse dado não foi publicamente anunciado nem confirmado por Cotrim Figueiredo. Do seu lado, o eurodeputado tem partilhado sobretudo, nas redes sociais, excertos de intervenções no Parlamento Europeu e momentos do seu comentário “Visto Assim”, emitido ao domingo na SIC Notícias.
Entre os liberais, acredita-se que este é mais um movimento pós-presidencial que “morreu”
Dúvidas entre liberais sobre o futuro do Movimento 2031 - Portugal em Frente
Entre liberais, há quem critique a evolução do projeto e quem diga não estar surpreendido com o desfecho que se adivinha. “Mesmo que o João lance, entretanto, oficialmente o movimento, já não terá a tração do momento que tinha há três meses”, afirma um apoiante do antigo candidato presidencial, admitindo que o eurodeputado poderá ter deixado passar a oportunidade.
Apesar de o movimento estar formalmente criado, a falta de sinais públicos alimenta a perceção de que “já não irá” avançar, antecipa outro liberal. “Parece ser mais um projeto falhado e não era difícil de antecipar. Basta ver a história, o que aconteceu com vários movimentos que ficaram também pelo caminho. Morreu, tal como outros movimentos criados após as presidenciais”, acrescenta. Na sua leitura, além de uma adesão “provavelmente menor” do que a esperada, Cotrim poderá estar a enfrentar dificuldades em juntar uma equipa.
Atrasos, números de adesão e o foco em Bruxelas
O próprio eurodeputado reconhecia, em conversa com o Expresso no final de fevereiro, que a formalização estava a arrastar-se mais do que antecipara e que tinha noção de que o tempo jogava contra o projeto: “Não há muito tempo e eu sou uma pessoa apressada por natureza”, dizia então, apontando para a apresentação da primeira iniciativa em março. Isso não aconteceu, nem nesse mês, nem no seguinte.
Neste momento, não é conhecido o total de pessoas que aderiram ao movimento. O último ponto de situação data do final de janeiro e indicava mais de 15 mil membros. Nessa altura, Cotrim manifestava a ambição de chegar aos 25 mil, o que seria, como referiu, um sinal de “pujança”.
Por agora, o antigo presidente da IL parece concentrado no seu espaço de comentário e em divulgar o trabalho em Bruxelas. A intenção passa por manter a comunidade de apoiantes e captar novos simpatizantes. O movimento foi apresentado em janeiro com a meta de liderar o “campo reformista” e “participar no debate político”, procurando “condicionar” qualquer Governo. A estratégia assumia igualmente uma aposta no futuro, sem que Cotrim excluísse uma recandidatura a Belém. Com o movimento parado, porém, torna-se mais difícil “preservar” esse espaço.
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