O CEiiA vai instalar uma unidade para produção e testes de satélites óticos, com o objetivo de dar um novo impulso ao setor aeroespacial português. A infraestrutura deverá ficar operacional dentro de seis meses.
"É uma transformação que se ambiciona". Foi assim que o secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, descreveu a criação de uma unidade dedicada à produção e ensaios de satélites óticos na Fábrica do Alto, em Pevidém, Guimarães. A iniciativa é liderada pelo CEiiA - Centro de Engenharia e Desenvolvimento, em parceria com a Câmara de Guimarães, e pretende reforçar o ecossistema aeroespacial nacional.
O governante esteve presente, ontem, na assinatura do contrato de comodato celebrado entre a autarquia e o CEiiA.
Durante a cerimónia, João Rui Ferreira sublinhou que se trata de "um projeto vanguardista e exemplar", capaz de "produzir produtos de alto valor acrescentado, associados a alguns dos maiores parceiros globais no Mundo, que liga soberania, conhecimento, desenvolvimento tecnológico e sobretudo o crescimento nas cadeias de valor, e onde a Europa representa ainda pouco daquilo que é o ecossistema global".
O secretário de Estado apontou ainda a ambição inerente ao projeto e deixou uma nota de reconhecimento à Câmara de Guimarães e ao CEiiA pela "dinâmica que é transformadora, de coragem, de ambição, de respeito pelo passado e muito orgulho pela história", reforçando a importância de manter o olhar no futuro, "porque há sempre uma coisa garantida: se não se fizer nada, não há risco".
A meta é colocar a unidade em funcionamento dentro de seis meses. O objetivo foi definido pelo CEO do CEiiA, José Rui Felizardo, que explicou que "a missão passa por conseguir construir, a partir de Guimarães, cadeias de fornecimento estruturadas, completas, em que o nível de incorporação nacional possa ultrapassar os 20%, para já, em 2026, e atingir mais de 60% em 2040".
Além do envolvimento da Câmara de Guimarães e do Governo, o projeto inclui o apoio da Força Aérea - um contributo que, segundo o CEO do CEiiA, "tem sido fundamental, com todo o alinhamento que tem sido necessário, porque realmente o mercado da área do espaço é somente o mercado da área da defesa, e para isso são necessários termos os players da área da defesa".
"Berço da inovação"
Para o presidente da Câmara de Guimarães, Ricardo Araújo, a instalação desta unidade de produção e testes de satélites óticos no território vimaranense evidencia a "capacidade de Guimarães, com a sua história, continuar a olhar para o futuro".
O autarca considera que o projeto materializa uma visão para o concelho, "com ambição de transformar Guimarães, que é berço da nação, no berço da inovação, com forte dinâmica industrial, sobretudo em novos setores de atividade".
Ricardo Araújo realçou também o simbolismo de reconverter a antiga Fábrica do Alto, outrora orientada para o setor têxtil, num "território onde houve trabalho, indústria e capacidade transformadora". A partir de agora, o espaço passará a receber "tecnologia avançada, engenharia, inovação e novas oportunidades para jovens, para as indústrias e para o concelho".
"Guimarães está na linha da frente, na vanguarda, de uma aposta que também é nacional, que o Governo e o país estão a fazer no setor aeroespacial", concluiu.
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Equipamentos
A unidade vai fabricar satélites com cerca de três metros de largura e com um peso próximo de 380 quilos. Terá uma área total de 1700 metros quadrados, incluindo pelo menos 540 metros quadrados destinados a sala limpa. Estará equipada com vários sistemas de teste, nomeadamente para vibrações, simulação de ambiente espacial e compatibilidade eletromagnética.
Missão
O foco da unidade será o desenvolvimento de satélites óticos de alta resolução, uma tecnologia aplicável à observação da Terra, à monitorização ambiental, à gestão de riscos e ao apoio ao planeamento urbano. Trata-se de um domínio considerado estratégico na Europa e integrado na Estratégia Nacional para o Espaço.
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