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BPI recua 2% no lucro consolidado de €133 milhões no primeiro trimestre; CaixaBank acima de €1,5 mil milhões

Grupo de profissionais em reunião, analisando gráfico num ecrã numa sala de conferências com vista urbana.

O BPI fechou o primeiro trimestre com um lucro consolidado de €133 milhões, o que representa uma descida de 2% face ao mesmo período do ano passado, num cenário marcado por maior pressão sobre a margem financeira e por "concorrência mais agressiva" no crédito à habitação. No grupo, o espanhol CaixaBank - acionista do BPI - reportou lucros acima de €1,5 mil milhões.

Numa nota remetida esta segunda-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o banco liderado por João Pedro Oliveira e Costa sublinha "uma trajetória de crescimento consistente do volume de negócios", apesar de um ambiente internacional mais desafiante.

Resultados do trimestre e pressão na margem financeira do BPI

Na atividade em Portugal, o resultado atingiu €90 milhões, menos 8% em termos homólogos. Já as participações em Angola e Moçambique geraram, em conjunto, €43 milhões.

O recuo dos resultados é atribuído, sobretudo, à evolução da margem financeira (diferença entre os juros pagos nos depósitos e os juros recebidos nos empréstimos), que baixou 3%, para €216 milhões, refletindo a compressão dos spreads.

Ainda assim, o BPI continuou a ganhar dimensão: a carteira total de crédito avançou para €33,8 mil milhões, suportada tanto pelo crédito à habitação como pelo financiamento às empresas, em particular às pequenas e médias empresas (PME), segmento em que o banco diz estar "a reforçar a aposta".

Do lado das receitas de comissões, as comissões cobradas aos clientes renderam €79 milhões, um aumento de 5% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo o banco, este crescimento "reflete o crescimento do negócio".

Recursos de clientes e crescimento fora de balanço

No balanço, os recursos totais de clientes aumentaram 6% até março, para €43,6 mil milhões. Os depósitos subiram ligeiramente, para €32,2 mil milhões, enquanto os recursos fora do balanço (como fundos de investimento e seguros de capitalização) avançaram 18%, para €11,4 mil milhões.

Concorrência trava crédito à habitação e leva a perda de quota

O maior sinal do trimestre apareceu no crédito à habitação: a produção de novo crédito caiu 23%. De acordo com o banco, a explicação não está na falta de procura, mas na dificuldade em igualar as condições oferecidas por outros concorrentes.

“Não foi o mercado que quebrou, fomos nós que tivemos dificuldade em acompanhar a agressividade da concorrência”, admitiu o CEO na apresentação de resultados, esta segunda-feira na sede do BPI em Lisboa, reconhecendo uma perda de quota no início do ano, que entretanto "foi recuperada em março e abril".

Para o BPI, o mercado está hoje num ponto em que existe mais apetite para conceder crédito do que procura, num ambiente de forte rivalidade. “Os bancos estão disponíveis para financiar a economia e lutam pelas melhores operações, com condições cada vez mais competitivas”, salientou João Pedro Oliveira e Costa.

Crédito jovem com garantia pública

Neste enquadramento, o crédito jovem com garantia pública manteve a trajetória de crescimento. No final de março, o BPI registava €1,3 mil milhões de euros, repartidos por cerca de 6600 contratos. “É muito difícil para um jovem cumprir o sonho de comprar casa sem um apoio deste nível”, defendeu o responsável, afastando preocupações quanto a um aumento do risco neste segmento.

O que preocupa o BPI?

O banco adota, para os próximos meses, uma postura mais cautelosa. O presidente executivo desenhou um cenário em cadeia caso as taxas de juro voltem a subir: impacto primeiro nas famílias, através de menor consumo; depois nas empresas, com menos investimento; e, por fim, no emprego.

A instabilidade geopolítica e a volatilidade da inflação surgem como preocupações centrais, numa altura em que o mercado antecipa novas subidas de juros por parte do Banco Central Europeu (BCE). Apesar do contexto e dos "tempos que se avizinham", o BPI afirma estar preparado para um ambiente mais difícil. “Não temos surpresas guardadas”, afirmou o gestor, apontando para a existência de uma “almofada significativa” de imparidades para acomodar possíveis choques económicos.

No tema da habitação, João Pedro Oliveira e Costa deixou também uma mensagem política, defendendo que o problema não reside na ausência de medidas, mas na sua aplicação. “Devíamos parar de falar de medidas e passar a falar de execução”, atirou, sustentando que a resposta passa sobretudo por construir mais casas - uma posição que tem repetido em diferentes ocasiões.

No curto prazo, o banco mostra-se recetivo ao alargamento das moratórias de crédito após as tempestades que afetaram o país, argumentando que dar mais tempo a famílias e empresas contribui para reduzir riscos no médio prazo. Entre moratórias e linhas de apoio, até ao final de março, o BPI já tinha apoiado as famílias em €133 milhões e as empresas em €173 milhões.

Do ponto de vista estratégico, o banco garante que mantém o foco no crescimento, com novas contratações - sobretudo de jovens - e investimento em tecnologia, incluindo inteligência artificial.

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