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FMI: Kristalina Georgieva avisa que bloqueio no Estreito de Ormuz causa choque energético e preços altos

Mulher analisa dados financeiros e mapas numa tablet, computador portátil e monitores num escritório moderno.

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, avisou que o choque energético desencadeado pelo bloqueio no Estreito de Ormuz tem alcance mundial e que "nenhum país evitará o impacto dos preços altos", num painel dedicado à economia global, numa conferência em Los Angeles.

Durante a Milken Global Conference, Georgieva sublinhou que o crude se comporta como um mercado verdadeiramente planetário: "O petróleo é um produto global negociado globalmente". E acrescentou: "Vejo que parte da audiência envolvida em políticas públicas está a ignorar isto".

Choque no Estreito de Ormuz e pressão sobre o petróleo

Apesar de reconhecer que, até agora, o efeito da crise sobre as cotações tem ficado aquém do que se poderia antecipar, a líder do FMI considerou que a hipótese mais favorável deixou de ser plausível. "Um impacto moderado e uma ligeira desaceleração do crescimento já não é o cenário de referência", advertiu.

Projeções do FMI: inflação mais alta e riscos até 2027

De acordo com as contas do FMI, o quadro mais provável passa a ser mais negativo, com aceleração da inflação, ainda que as condições financeiras, para já, não estejam a apertar.

Ainda assim, Georgieva frisou que, se a situação se prolongar e, em 2027, o preço do barril de petróleo estiver próximo de 120 dólares, "então podemos esperar um resultado muito pior".

Antecipou também efeitos em cadeia: os alimentos poderão ficar mais caros, uma vez que os fertilizantes tenderão a subir, e a produção de chips será afetada, tornando o contexto mais grave.

"Este é um impacto nos preços de evolução lenta que precisamos de ter em conta", salientou, lamentando que o choque energético não esteja a revelar o melhor dos líderes políticos.

Políticas públicas e ajustamento da procura

Na avaliação de Georgieva, a resposta política continua a partir do pressuposto de que a crise terá uma duração curta. "Os decisores ainda agem como se isto fosse durar apenas alguns meses e estão a pôr em prática medidas para reduzir o impacto nos consumidores e empresas", apontou. "Toda a gente aqui sabe que, se a oferta encolhe, a procura também tem de diminuir".

Chevron: escassez física na Europa e risco semelhante aos anos 70

No mesmo painel participou o CEO da petrolífera Chevron, Mike Wirth, que fez uma leitura alinhada quanto à necessidade de ajustamento. "Ainda não assistimos a uma grande disrupção na procura", notou. "A procura precisa de se ajustar à restrição da oferta e a atividade vai ter de diminuir", avisou. "Este não é um bom cenário. As economias emergentes terão a menor capacidade de absorver o choque".

Wirth afirmou ainda que, em breve, poderá começar a verificar-se escassez física de petróleo na Europa, seguindo uma dinâmica semelhante à que já se observa na Ásia, e defendeu que travar a subida dos preços não constitui uma boa política.

Para o responsável da Chevron, "Potencialmente veremos um efeito tão fundamental quanto o choque energético dos anos 70".

O outro choque: Inteligência Artificial e energia fiável

Para Georgieva, a nota positiva - ainda que limitada - é que choques energéticos anteriores acabaram por acelerar ganhos de eficiência, e é esse movimento que espera ver repetir-se. Indicou Espanha como exemplo de maior aposta em energias renováveis, o que deverá dar-lhe melhores condições de resistência.

A diretora do FMI abordou também um segundo choque em curso, associado à ascensão da Inteligência Artificial. "Quando se olha para o choque energético e a IA juntos, os países com fontes de energia mais fiáveis e de baixo custo são os que irão beneficiar mais da IA", afirmou.

Georgieva considerou, por fim, que a transformação tecnológica é inevitável e resumiu-a de forma perentória: será "IA ou morte".

A Milken Global Conference decorre até 06 de maio, em Beverly Hills, Los Angeles, reunindo chefes de Estado, representantes diplomáticos, empresários e investidores de várias geografias.

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