Liderança do PS: Mariana Vieira da Silva deixa porta entreaberta
Mariana Vieira da Silva admite que, mesmo não sendo um cenário para já, pode vir a entrar na corrida à liderança do Partido Socialista. Em entrevista à RTP/Antena 1, sublinhou: “Não me vou excluir para sempre desse caminho”, explicando, ainda assim, que não considera provável dar esse passo no imediato.
Depois das legislativas, reflexão interna e recados ao partido
Esta não é a primeira vez que a socialista não fecha a hipótese de ter um papel mais central. Após a saída de Pedro Nuno Santos, no período pós-eleições legislativas que colocaram o PS como terceira força política, defendeu que o partido precisava de uma reflexão profunda. E, tendo José Luís Carneiro avançado de imediato para a candidatura a secretário-geral do PS, sustentou que não existia “direito prioritário ou reforçado”, ao mesmo tempo que se declarou “disponível para ajudar o PS”.
Na mesma conversa, esta terça-feira, Mariana Vieira da Silva apontou críticas ao regresso de Pedro Nuno Santos ao Parlamento, considerando que não foi “uma boa forma de regressar”. Deixou também um alerta quanto ao clima interno, avisando que o PS “não está em condições de viver em permanência neste estado de tensão”.
Governo, revisão laboral e saúde: reservas e acusações
Num registo que aproxima o tom ao de uma líder da oposição, a antiga ministra endureceu a crítica ao Governo. Sobre a revisão laboral, afirmou tratar-se de um “ajuste de contas” com o legado socialista e admitiu que será difícil existir entendimento com a UGT, podendo o processo avançar apenas com apoio patronal e viabilização parlamentar num entendimento entre Governo e Chega.
Na área da saúde - dossiê em que representa o PS no processo promovido pelo Presidente da República -, realçou que continua a olhar com reservas para a utilidade de um pacto estratégico. Referiu que a iniciativa tem provocado desconforto entre socialistas e tensão com António José Seguro, desde logo devido à escolha de Adalberto Campos Fernandes para coordenar os trabalhos. Reconhece que pode haver utilidade pontual, mas insiste que o problema é sobretudo de execução e não legislativo.
Orçamento para 2027, tempestades e críticas institucionais
A propósito do Orçamento para 2027, deixou um aviso: a reconstrução das zonas atingidas pelas tempestades devia assumir um lugar central, sem identificar sinais de que o Governo esteja a colocar essa prioridade no topo. E apontou diretamente a Luís Montenegro a responsabilidade pela manutenção da ministra da Saúde, Ana Paula Martins.
Mais adiante, recusou uma nova solução à esquerda no curto prazo, defendendo que cada partido deve fazer o seu caminho. No plano institucional, criticou ainda a ex-procuradora-geral Lucília Gago, acusando-a de ter contribuído para uma “justiça popular” no processo que levou à saída de António Costa e à convocação de eleições antecipadas.
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