Após uma revisão aprofundada da investigação mais recente sobre hipertensão, as diretrizes de pressão arterial nos EUA foram actualizadas com o objectivo de reduzir, mais do que nunca, o risco de doença cardíaca e de demência mais tarde na vida.
Estas orientações substituem a revisão anterior realizada em 2017 e resultam de um esforço conjunto da Associação Americana do Coração (AHA), do Colégio Americano de Cardiologia (ACC) e de outras instituições de referência nos EUA.
Embora a maioria das alterações sejam ajustes às recomendações já existentes dirigidas a profissionais de saúde - sobretudo para pessoas que já se enquadram em categorias de risco, têm condições médicas relevantes ou estão grávidas -, no seu conjunto, as recomendações continuam a ser pertinentes para todos, independentemente do estado de saúde actual.
Hipertensão e pressão arterial: como interpretar os valores e os limiares
A leitura da pressão arterial indica a força com que o sangue exerce pressão contra as paredes das artérias. É apresentada em dois números: o valor mais alto (primeiro) corresponde à pressão arterial sistólica (a pressão quando o coração bate) e o valor mais baixo (segundo) refere-se à pressão arterial diastólica (a pressão entre batimentos).
Os limiares para pressão arterial elevada não foram alterados: a pressão arterial normal fica abaixo de 120 mm Hg (milímetros de mercúrio) de sistólica e abaixo de 80 mm Hg de diastólica. Já a pressão arterial elevada situa-se entre 120-129 mm Hg de sistólica e abaixo de 80 mm Hg de diastólica.
A hipertensão é apresentada em dois estádios. O estádio 1 corresponde a 130-139 mm Hg de sistólica, ou 80-89 mm Hg de diastólica; qualquer valor acima destes, em qualquer um dos números, é considerado estádio 2. Quando os valores ultrapassam 180 mm Hg de sistólica ou 120 mm Hg de diastólica, deve contactar o seu médico de imediato - ou ligar para os serviços de emergência se houver sintomas como dor no peito ou falta de ar.
Riscos da hipertensão e novo cálculo PREVENT nas diretrizes dos EUA
Continua a acumular-se evidência de que a pressão arterial alta aumenta o risco de doenças cardiovasculares e neurológicas, além de poder estar associada a problemas nos rins, nos olhos e no metabolismo do organismo.
"A pressão arterial elevada é o factor de risco mais prevalente e modificável para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, incluindo doença coronária, insuficiência cardíaca, fibrilhação auricular, acidente vascular cerebral, demência, doença renal crónica e mortalidade por todas as causas", explicam as diretrizes agora publicadas.
Uma das novidades nas diretrizes actualizadas é a introdução da pontuação PREVENT (Prever o Risco de Eventos de DCV), uma calculadora de risco cardiovascular baseada em dados de 3,2 milhões de pessoas com perfis diversos, recolhidos entre 1992 e 2022. Espera-se que esta pontuação ajude a avaliar o risco para um leque mais alargado de potenciais problemas.
Tratamento, objectivos de controlo e diferenças em relação à Europa
Segundo as diretrizes, quando se atinge um quadro de hipertensão, o médico poderá ter de prescrever medicação. Na Europa, os tratamentos normalmente não são iniciados até se atingir o limiar de 140/90 mm Hg, excepto quando existem outros factores de saúde envolvidos.
"O objectivo global do tratamento da pressão arterial é <130/80 mm Hg para todos os adultos, com considerações adicionais para quem necessita de cuidados em instituições, tem uma esperança de vida prevista limitada, ou está grávida", afirmam as diretrizes.
Recomendações de estilo de vida e rastreio na comunidade
As recomendações relacionadas com o estilo de vida mantêm-se e aplicam-se a toda a gente: manter a actividade física, seguir uma alimentação saudável com teor relativamente baixo de sódio, consumir álcool com moderação (se consumir) e gerir os níveis de stress para ajudar a reduzir a pressão arterial. Melhor ainda: incentivar também amigos e familiares a fazerem o mesmo.
"Os clínicos devem colaborar com líderes comunitários, sistemas de saúde e unidades de prática clínica para implementar o rastreio de todos os adultos nas suas comunidades e aplicar recomendações baseadas em diretrizes sobre prevenção e gestão da pressão arterial elevada, de modo a melhorar as taxas de controlo da pressão arterial", indicam as diretrizes.
As novas diretrizes foram publicadas em Hipertensão e Circulação.
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