Saltar para o conteúdo

Como as florestas tropicais conseguem recuperar após a desflorestação

Mulher a estudar planta jovem na floresta com caderno, mochila e animais selvagens ao fundo.

As florestas tropicais podem parecer apenas selvas verdes e densas, mas são muito mais do que isso. Estão repletas de vida e sustentam uma enorme variedade de plantas e animais.

Apesar de ocuparem apenas uma pequena parte do planeta, concentram uma fatia gigantesca das espécies vivas do mundo.

Quando são abatidas, o estrago dá a sensação de ser definitivo: o solo fica despido e a vida parece desaparecer. Ainda assim, a natureza tem uma capacidade surpreendente de se recompor.

As florestas podem crescer novamente

Quando as pessoas deixam de utilizar terrenos desmatados, a natureza começa, aos poucos, a recuperar o espaço. Primeiro surgem plantas pequenas. Com o passar do tempo, árvores maiores enraízam-se e, à medida que a cobertura vegetal aumenta, os animais também começam a regressar.

No início, esta transformação parece lenta. Porém, com o tempo, ganha força. Os cientistas verificaram que, em cerca de 30 anos, as florestas conseguem recuperar grande parte da vida que tinham perdido.

Muitas das plantas e dos animais que ali viviam voltam a aparecer. Isto mostra que, se tiver oportunidade, a natureza tem uma grande capacidade de reparar os danos.

Um exemplo real no Equador

Este processo foi analisado por cientistas numa zona chamada região do Chocó, no Equador. A área inclui tanto floresta intacta como terrenos que, no passado, foram usados para agricultura - uma combinação que permitiu perceber melhor como a recuperação acontece.

Mais de 30 equipas de investigação colaboraram no estudo. No total, foram examinados mais de 10,000 tipos diferentes de seres vivos, incluindo plantas, animais e até bactérias microscópicas presentes no solo.

Os investigadores avaliaram 62 locais distintos, desde explorações agrícolas em actividade até florestas que já estavam a regenerar-se há anos. Assim, foi possível observar com clareza a recuperação, etapa por etapa.

As florestas são mais resistentes do que pensamos

Os resultados trouxeram uma conclusão animadora: as florestas não são tão frágeis como podem parecer. Mesmo depois de danos graves, conseguem voltar.

“Rainforests, as complex ecosystems and species-rich communities, demonstrate remarkable resilience and the ability to return to their original state,” noted study lead author Timo Metz.

“This stability has often been modeled theoretically, but until now could not be demonstrated on the basis of such extensive empirical data.”

Em outras palavras, existe uma força natural que favorece a recuperação. Mas isso só acontece quando os seres humanos deixam de perturbar o terreno.

Os animais ajudam a reconstruir as florestas

A regeneração não depende apenas das plantas. Os animais desempenham um papel importante no regresso da floresta, ajudando a espalhar sementes e a apoiar o crescimento da vegetação.

“The many rapidly returning animal species are not only beneficiaries of forest regeneration, but are also its key agents: bats, monkeys and other mammals, as well as birds, bring tree seeds back to the cleared areas; dung beetles bury the seeds in the soil; and hundreds of other animal species ensure pollination,” said study co-author Nico Blüthgen.

Algumas formas de vida regressam mais depressa do que outras

Nem todos os seres vivos voltam ao mesmo ritmo. Aves e morcegos tendem a reaparecer cedo, porque se deslocam com facilidade. E, ao regressarem, ajudam a relançar o crescimento da floresta.

Por outro lado, certos organismos demoram mais. Insectos muito pequenos e bactérias do solo precisam de mais tempo.

As árvores de grande porte também crescem lentamente. Por isso, a recuperação florestal acontece por fases: cada componente do ecossistema retorna ao seu próprio ritmo.

Como funciona o processo de recuperação

Os cientistas descrevem este processo de forma simples. Algumas espécies resistem melhor ao impacto inicial, enquanto outras só regressam quando a perturbação termina. A velocidade a que as espécies voltam é determinante.

Quando aves e outros animais reaparecem cedo, contribuem para que as plantas se instalem e se multipliquem. Mais plantas, por sua vez, atraem mais animais. Aos poucos, a floresta volta a encher-se de vida - como uma reacção em cadeia, em que cada passo desencadeia o seguinte.

O uso anterior do solo também influencia o ritmo da recuperação. Florestas que regressam depois de cultivo de cacau muitas vezes recuperam mais depressa, porque algumas árvores ficam de pé e facilitam o estabelecimento de novas plantas.

Já os terrenos que foram pastagens são mais difíceis de restaurar. A relva densa dificulta o crescimento de novas plantas e, por isso, a regeneração tende a demorar mais.

Proteger as florestas continua a ser essencial

Apesar da capacidade de recuperação, as florestas antigas têm um valor extraordinário e não podem ser totalmente substituídas. Funcionam como fonte de sementes e como abrigo para animais que, por sua vez, ajudam as novas florestas a crescer.

“Our findings that 75% of species composition and 90% of species diversity return under their own steam within a single human generation show just how effectively we can protect nature,” said study co-author Martin Schaefer.

“By purchasing and protecting land, we can preserve the diversity of life and the foundations of our societies – soil, water, and the pollination of the plants that form the basis of our food supply.”

Um futuro com esperança para as florestas tropicais

A natureza dá motivos para optimismo. Em várias partes do mundo, muitas florestas já estão a regenerar-se. Este processo nem sempre exige intervenções dispendiosas; por vezes, basta deixar a terra em paz.

Ainda assim, a desflorestação continua em muitos locais. Se as florestas forem abatidas mais depressa do que conseguem regenerar-se, a recuperação não acompanhará o ritmo.

As florestas tropicais conseguem sarar, mas precisam de tempo e de cuidado. Se forem protegidas, podem voltar e continuar a sustentar a vida na Terra.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário