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Corticeira Amorim fecha primeiro trimestre: lucros -6,5% e vendas -8%

Mesa de escritório com laptop a mostrar gráficos, calculadora, moedas, rolhas e documento com caneta.

A Corticeira Amorim terminou o primeiro trimestre com uma descida de 6,5% nos lucros, para €15,4 milhões, e uma contração de 8% no volume de negócios, para €211 milhões, ficando “Penalizada pelo contexto desafiante e efeito cambial”.

Numa nota enviada esta terça-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o grupo liderado por António Rios de Amorim aponta que, sem “o impacto negativo” associado à desvalorização do dólar, a quebra das vendas teria sido de 6,8%.

Segundo a empresa, “As vendas consolidadas refletem, essencialmente, a pressão dos volumes, que afetou todas as unidades de negócio”.

Dívida líquida e geração de caixa

No final de março, a dívida remunerada líquida da Corticeira Amorim fixou-se em €42,5 milhões, o que representa menos €33,4 milhões face ao final de 2025. Esta evolução é explicada, entre outros aspetos, pela geração de fluxos de caixa e por menores necessidades de fundo de maneio.

EBITDA recua e a margem melhora

O EBITDA (resultado antes de juros, impostos, amortizações e depreciações) consolidado da líder mundial no sector da cortiça alcançou €36,6 milhões, abaixo dos €39,3 milhões registados nos primeiros três meses do ano passado. Ainda assim, a margem EBITDA avançou de 17,1% para 17,3%, refletindo “o impacto positivo do consumo de matérias-primas e cortiça adquiridas a preços mais favoráveis e da redução dos custos operacionais”, que “suportou a rentabilidade no primeiro trimestre do ano”, assinala a corticeira.

Vendas por unidades de negócio

Por áreas operacionais, a Amorim Cork - responsável por 82% das vendas consolidadas - sentiu igualmente o efeito de um “mix de produto desfavorável, em particular no segmento de rolhas para vinhos tranquilos”.

Na Amorim Cork Solutions, a empresa indica que o negócio de pavimentos “contribuiu decisivamente” para a diminuição de 5,8% das vendas desta unidade.

Dividendos e programa de ações

No comentário aos resultados, António Rios de Amorim considera que o ano começou “com um contexto global bastante adverso e de incerteza, que impactou a confiança de uma grande maioria dos clientes, em particular daqueles cuja atividade se vê afetada pela alteração de hábitos de consumo de bebidas alcoólicas”.

O gestor acrescenta: “Pensamos que, apesar da geopolítica, do clima de guerra e dos seus impactos na inflação global, veremos uma reação ao longo do ano que tentará contrariar as perspetivas mais negativas”.

Da parte da empresa, sublinha ainda: “Do nosso lado, estamos a adaptar a Corticeira Amorim às atuais circunstâncias, reforçando a solidez do nosso balanço e lançando ações para podermos crescer mais nas áreas com maior potencial de desenvolvimento da empresa”.

Na assembleia geral realizada na segunda-feira, os acionistas aprovaram a distribuição de dividendos de €46,5 milhões, correspondente a 0,35 euros por ação. Foi igualmente aprovado um programa de recompra de ações próprias, com um montante global máximo de 3.000.000 ações, representativas de até 2,6% do capital.

Em comunicado, a administração refere também: “O lançamento deste programa reforça o compromisso de gestão prudente, orientada para o crescimento sustentável e com criação de valor para os acionistas”.

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