Quem planta uma macieira, uma cerejeira ou um damasqueiro na primavera imagina logo flores perfumadas e cestos cheios de fruta da própria horta. Na prática, porém, a árvore muitas vezes fica raquítica, quase não floresce ou nem chega a florir. Raramente o problema é uma “variedade má”; na maioria dos casos trata-se do mesmo erro na plantação: o tronco fica colocado no nível errado no solo.
A zona discreta do tronco que decide entre flores ou desilusão
As árvores de fruto compradas num viveiro são, quase sempre, enxertadas. Isto significa que, em cima, cresce a variedade desejada e, em baixo, está um porta-enxerto mais resistente. A união entre estas duas partes é o ponto mais sensível de toda a árvore - e é precisamente esta zona que, ao plantar, é frequentemente enterrada.
"Quem cobre o ponto de enxertia com terra tira à árvore de fruto ar, vigor e a base para uma floração precoce e abundante."
Para perceber claramente o que pode ir para dentro da terra - e o que não deve - vale a pena observar com atenção a parte inferior do tronco.
Colo da raiz e ponto de enxertia: como identificar a fronteira decisiva
Na base do tronco há duas áreas muito próximas uma da outra:
- Colo da raiz: a transição das raízes para o tronco propriamente dito, normalmente ligeiramente engrossada e, muitas vezes, com uma alteração de cor junto ao nível do solo.
- Ponto de enxertia: uma saliência evidente, uma curva ou um engrossamento semelhante a uma cicatriz, a poucos centímetros acima do colo da raiz.
A partir do colo da raiz, para cima, começa a parte da árvore que não pode ficar enterrada de forma permanente. É aqui que muitos jardineiros falham: amontoam terra com generosidade junto ao tronco, muitas vezes até acima da saliência da enxertia. Pode parecer estável e “protetor”, mas para a árvore é perigosíssimo.
Porque plantar demasiado fundo sufoca literalmente as árvores de fruto
Humidade constante no tronco dá entrada livre a fungos
A casca do tronco não foi feita para permanecer continuamente em solo húmido. Ao contrário das raízes, reage mal à humidade prolongada. O resultado é que a casca começa a apodrecer, no início de forma invisível, debaixo da terra.
Por fora, durante algum tempo, a árvore ainda pode parecer normal, mas por dentro acontece o seguinte:
- a humidade acumula-se à volta do tronco;
- fungos penetram na casca amolecida;
- os vasos condutores de água e nutrientes vão sendo destruídos, pouco a pouco.
O tronco apodrece a partir de baixo antes de o dono do jardim se aperceber do estrago. A copa fica mal abastecida, os rebentos mantêm-se finos e quase não se formam botões florais.
Quando a variedade enxertada cria raízes próprias - e a árvore perde as suas vantagens
Se o ponto de enxertia fica coberto por terra, muitas vezes ocorre ainda outra situação: a parte superior, a variedade “nobre”, começa a emitir raízes por si. À primeira vista, isto pode soar a estabilidade extra, mas tem um custo elevado.
"Assim que a variedade enxertada forma raízes próprias, a árvore perde as características positivas do porta-enxerto robusto - torna-se mais sensível e frutifica muito mais tarde."
Na verdade, o porta-enxerto escolhido com cuidado serve, normalmente, para:
- melhor adaptação ao solo,
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