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Casos de chikungunya aumentam no sul da China e autoridades reforçam medidas

Homem sentado em consulta médica enquanto médico mostra mapa colorido num tablet.

Os casos de febre chikungunya estão a aumentar no sul da China, levando as autoridades locais a adoptar medidas para travar a propagação da doença.

Eis o que precisa de saber sobre esta infecção:

O que é a chikungunya?

A chikungunya é provocada por um vírus que pode ser transmitido aos seres humanos por mosquitos infectados, sendo a maioria dos casos registada em África, na Ásia e nas Américas.

Entre os sintomas mais comuns contam-se febre e dores articulares, que podem prolongar-se por algum tempo, embora a doença raramente seja mortal.

Como o quadro clínico da chikungunya é semelhante ao de outras doenças transmitidas por mosquitos, como a dengue e o Zika, por vezes é difícil apurar a verdadeira dimensão de um surto.

Existem duas vacinas contra a chikungunya aprovadas em alguns países, mas ainda não são utilizadas de forma generalizada.

Em geral, às pessoas infectadas são administrados medicamentos como o paracetamol para aliviar os sintomas.

Quão grave é o surto na China?

Nas últimas semanas, mais de 7,700 pessoas foram infectadas na província meridional de Guangdong, segundo um artigo da Associação Chinesa para a Ciência e a Tecnologia amplamente reproduzido pelos meios de comunicação estatais.

A maior parte das ocorrências concentrou-se no centro industrial de Foshan, onde 2,770 pessoas adoeceram entre 27 de julho e 2 de agosto, informou no domingo o gabinete provincial de controlo de doenças.

Foram também detectadas dezenas de infecções na vizinha Guangzhou, enquanto Hong Kong, região semiautónoma, notificou no sábado o seu primeiro caso.

O perito-chefe Kang Min afirmou que "a rápida subida da epidemia foi preliminarmente travada" em Guangdong, de acordo com um comunicado do gabinete provincial de controlo de doenças.

Ainda assim, Kang alertou que as autoridades continuam a enfrentar "desafios complexos e severos", devido ao elevado risco de casos importados num polo internacional de comércio, bem como à chuva e aos tufões que favorecem a proliferação de mosquitos.

O que estão as autoridades a fazer?

Responsáveis de topo em Guangdong concordaram, numa reunião no sábado, em "fazer tudo para vencer a… guerra de aniquilação contra a epidemia", segundo um comunicado oficial.

Sublinharam a necessidade de "mobilizar a população" para eliminar as condições que permitem a reprodução de mosquitos - por exemplo, removendo vasos e latas, desentupindo valas e eliminando bolsas de água parada.

Imagens divulgadas pela agência estatal Xinhua mostraram médicos num hospital do distrito de Shunde, em Foshan, a acompanhar uma enfermaria de doentes com chikungunya, deitados em camas rodeadas por redes mosquiteiras.

Outras medidas parecem ter sido mais drásticas.

O New York Times noticiou que algumas pessoas infectadas em Foshan "não tiveram escolha" senão ir para o hospital, enquanto, noutros casos, trabalhadores terão entrado em casas sem consentimento para procurar água estagnada.

A comunicação social estatal e governos locais publicaram imagens de equipas com capacetes e máscaras a pulverizar insecticida em parques, jardins e edifícios com vegetação densa, locais onde os mosquitos podem permanecer.

Segundo o gabinete provincial de controlo de doenças, as forças de segurança ameaçaram aplicar multas até 1,000 yuan ($140) a empresas que não adoptem medidas adequadas para impedir a reprodução de mosquitos.

E, num subdistrito de Foshan, o fornecimento de electricidade foi cortado a casas de alguns residentes que não cumpriram os controlos sanitários, de acordo com uma nota online de um comité local do governo.

As pessoas devem estar preocupadas?

Os Estados Unidos emitiram um aviso de viagem a recomendar maior prudência ao deslocar-se a zonas afectadas na China.

Algumas das medidas adoptadas na China evocam a sua estratégia durante a pandemia, quando Pequim recorreu a confinamentos à escala de cidades, quarentenas prolongadas e restrições de viagem para conter a propagação da Covid-19.

No entanto, as comparações com a pandemia são exageradas.

Ao contrário da Covid, a chikungunya é causada por um agente patogénico conhecido, não se transmite por contacto humano e muito raramente é fatal.

As autoridades chinesas têm frisado que a doença é "prevenível, controlável e tratável" e a Organização Mundial da Saúde não emitiu qualquer orientação especial sobre o surto na China.

© Agence France-Presse

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