Saltar para o conteúdo

Atrair esquilos e proteger a horta de forma inteligente

Mulher alimenta esquilo no jardim com plantas e fontes ao fundo em dia ensolarado.

Se os atrair com inteligência, consegue até proteger os seus legumes.

Muitos jardineiros amadores olham para os esquilos, numa primeira impressão, como pequenos ladrões que remexem canteiros e saqueiam reservas. Mas, ao observar melhor, percebe-se outra realidade: estes trepadores ágeis podem dar um contributo enorme para um jardim mais vivo e saudável - desde que lhes ofereça os espaços certos e proteja a horta de forma direccionada.

De suposta praga a aliado na horta

Como o acto de escavar dos esquilos melhora o solo

Os esquilos enterram constantemente nozes e sementes. Criam muitos pequenos esconderijos de alimento - e acabam por se esquecer de parte deles. É precisamente dessas nozes “esquecidas” que voltam a nascer árvores e arbustos, que a longo prazo fornecem sombra, alimento e habitat.

Ao escavar, os animais revolvem e soltam bem a terra. Um solo que é regularmente “amassado” mantém-se mais leve e granulado. O oxigénio entra com mais facilidade, a água da chuva infiltra-se mais depressa, e minhocas e microrganismos multiplicam-se. Assim forma-se uma camada de solo viva, onde hortícolas e plantas ornamentais crescem com mais vigor - sem necessidade de químicos.

"Onde os esquilos escavam, trabalham como pequenas fresas de jardim, só que mais silenciosas e de graça."

Quem tem um jardim em que o solo compacta rapidamente ganha ainda mais: a actividade destes animais ajuda a evitar crostas duras e promove a formação de húmus. Mais tarde, isso nota-se em crescimento mais forte, melhor absorção de água e menos encharcamento.

Porque a primavera é a melhor altura para um recomeço

Por volta de meados de março, a vida animal desperta de forma evidente. Os dias alongam, as temperaturas suavizam e muitas espécies procuram novos territórios, alimento e refúgios seguros. É precisamente nessa altura que compensa reorganizar o jardim para o tornar atractivo para os esquilos - e, ao mesmo tempo, proteger as hortícolas.

Se, nesta fase, criar pontos de água, plantar árvores que forneçam alimento e preparar zonas de abrigo, dá aos animais locais de referência consistentes. Até a época principal da horta arrancar a sério, os roedores já terão definido os seus percursos - idealmente a passar ao lado de alfaces, cenouras e plantas tenras.

Orientar os esquilos de propósito com água e plantas alimentares

Uma fonte de água segura como íman

Em muitos jardins faltam pontos de água a céu aberto. E é aí que existe uma oportunidade: basta uma taça rasa ou um pequeno lago de pouca profundidade para atrair, com regularidade, esquilos e outros animais.

  • Use uma tigela larga e pouco funda ou um mini-tanque.
  • Coloque-o num ponto elevado ou bem visível, para dificultar ataques de gatos.
  • Troque a água com frequência, sobretudo em dias quentes.

Estes pontos de água tornam-se rapidamente uma paragem habitual na ronda diária dos animais. Se os posicionar deliberadamente a alguma distância do canteiro de hortícolas, desvia a atenção das áreas mais sensíveis.

As árvores certas: muitas nozes em vez de incursões no canteiro

Quem quer manter esquilos por perto a longo prazo precisa de uma oferta de alimento fiável. O melhor truque é plantar árvores e arbustos que produzam muitas nozes ou sementes. Assim, os animais saciam-se onde não causam estragos.

Particularmente indicados:

  • Aveleira
  • Carvalho
  • Nogueira
  • Castanheiro
  • Faia

Em pequenos terrenos urbanos, muitas vezes não há espaço para árvores de grande porte. Nesses casos, ajudam arbustos resistentes ou pequenos comedouros. Podem ser abastecidos com sementes de girassol sem sal, nozes ou bolotas. Assim, põe a “mesa” longe da horta, sem os mimar em excesso nem os tornar dependentes.

"Quem planta nogueiras e aveleiras desloca a fome dos esquilos para lá - para longe do canteiro de alfaces."

Um recanto mais selvagem como refúgio - não é sinal de desleixo

Porque uma sebe densa e menos perfeita resulta melhor

Sebes aparadas ao milímetro parecem arrumadas, mas oferecem pouca protecção. Para os esquilos, uma sebe densa e de crescimento mais livre é muito mais apelativa. Dá cobertura contra aves de rapina e gatos, oferece rotas curtas de fuga e também locais para nidificar.

Ao usar a tesoura com menos frequência e deixar alguns ramos crescerem sem tanta intervenção, cria um corredor verde à volta do terreno. Se juntar uma caixa-ninho a 4 a 6 metros de altura, obtém um “prédio” ideal para esquilos - longe da horta.

Pilhas de lenha e madeira morta como abrigos valiosos

Muita gente, na primavera, remove todas as plantas secas e todos os ramos caídos. Do ponto de vista da natureza, isso é desperdiçar potencial. Uma pilha de ramos, galhos e alguma madeira morta dá estrutura ao jardim e atrai insectos, aves e pequenos mamíferos.

Estas “zonas de caos” funcionam como esconderijo em caso de perigo e como ponto de partida para novas cadeias alimentares. Em particular, os esquilos usam pilhas de madeira e troncos antigos como percurso seguro ao nível do solo. Ao manter intencionalmente uma parte do jardim um pouco mais selvagem, reforça todo o ecossistema - e distribui a atenção dos animais, em vez de a concentrar no canteiro de hortícolas.

Proteger as hortícolas e, ainda assim, viver em paz com esquilos

Proteger as plantas jovens de forma direccionada

Germinados e plantas recém-transplantadas são especialmente frágeis. Algumas patas curiosas podem bastar para desorganizar linhas de rabanetes ou alfaces. Campânulas transparentes para plantas são uma protecção eficaz.

Deixam passar luz e calor, mas barram garras e dentes. Existem versões em plástico rígido ou soluções reutilizáveis em filme/estrutura leve. São particularmente úteis para:

  • plântulas de alface
  • couve e brócolos
  • vasos de ervas aromáticas em canteiros elevados
  • hortícolas de raiz jovens, como cenouras ou beterraba

Redes sobre bagas - partilhar, sim; perder a colheita toda, não

Quando a fruta de verão amadurece, passa para o topo do menu de muitos animais. Framboesas, morangos e groselhas também atraem esquilos. Quem se antecipa evita frustrações na altura da apanha.

Redes de malha fina, colocadas de forma solta sobre arbustos ou canteiros, criam uma barreira simples. O essencial é fixá-las de maneira a que nenhum animal fique preso. O ideal é usar arcos de arame ou de madeira para esticar a rede. Nas laterais, deve ficar algum espaço para que os insectos continuem a entrar e a sair.

"O truque não está em excluir totalmente os animais, mas em limitar com inteligência os seus acessos."

Quando tudo encaixa: equilíbrio no mini-ecossistema do jardim

Ao distribuir com critério pontos de água, árvores de nozes, sebes e “recantos selvagens”, forma-se uma estrutura estável. Os esquilos encontram alimento suficiente em árvores e arbustos, bebem com regularidade, usam pilhas de madeira e caixas-ninho como refúgio - e têm pouco motivo para procurar alternativas na horta.

Se, além disso, utilizar campânulas e redes, dá às plantas uma espécie de cinto de segurança. Assim, a colheita fica maioritariamente intacta, enquanto os animais mantêm o seu lugar no jardim. Pesticidas ou métodos agressivos de afastamento tornam-se desnecessários, porque o sistema tende a regular-se por si.

Indicações práticas para o dia a dia no jardim

O que os donos do jardim devem ter em conta

Mesmo simpatizando com estes roedores, vale a pena manter atenção. Se alguns animais se tornarem demasiado atrevidos - por exemplo, se esvaziarem vasos de flores com frequência - certas adaptações pontuais ajudam:

  • afastar o comedouro um pouco mais da casa
  • fixar os vasos com suportes mais resistentes
  • criar ajudas de escalada, como varas ou cordas, que desviem o percurso para longe da varanda

O importante é não os alimentar como se fossem animais de estimação. Basta criar ofertas naturais e complementar pontualmente. Assim mantêm-se ariscos e autónomos.

Manter riscos e benefícios no radar

Os esquilos podem, ocasionalmente, entrar em sótãos ou roer cabos, se existirem pontos de acesso. Ao vedar aberturas no telhado e proteger grelhas de ventilação, elimina essa possibilidade. Em troca, estes animais fazem muito: espalham sementes, soltam a terra, trazem movimento e vida ao jardim.

Para as crianças, o jardim torna-se mais interessante quando, de repente, um relâmpago ruivo passa pelo muro. Muitas famílias contam que cuidam melhor dos canteiros desde que observam mais animais selvagens. Assim, o “problema” dos esquilos transforma-se num motivo para tornar o jardim mais natural e mais inteligente.


Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário