Macron demarca-se da proposta de Trump para reabrir Ormuz
O Presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou esta segunda-feira que não tinha conhecimento da iniciativa do seu homólogo norte-americano, Donald Trump, destinada a abrir o estreito de Ormuz. Macron distanciou-se dessa proposta e sublinhou que, antes de qualquer passo, é preciso garantir o cumprimento do cessar-fogo no Líbano, depois de novos ataques israelitas.
"Não sei qual é essa iniciativa. Assim que o cessar-fogo [entre Estados Unidos, Israel e Irão] foi declarado [...], defendi que devia incluir o Líbano e permitir a reabertura de Ormuz", mas agora "nós não vamos participar em operações de força em qualquer enquadramento que, da minha parte, não me pareça claro", disse Emmanuel Macron, na capital da Arménia.
À chegada à oitava cimeira da Comunidade Política Europeia, que decorre hoje em Erevan para discutir a estabilidade do continente num contexto de tensões geopolíticas globais, Macron explicou que o objetivo é passar a mensagem de que "os europeus estão a construir as suas próprias soluções de segurança".
"Foi o que fizemos com a [...] missão para a libertação de Ormuz. Portanto, não é uma reação a ninguém, mas sim os europeus a assumirem o seu destino, a aumentarem as suas despesas de defesa e segurança e a construírem soluções comuns", acrescentou.
A tomada de posição do chefe de Estado francês surge depois de, no domingo, Donald Trump ter anunciado o seu "Projeto Liberdade" com vista a assegurar a passagem segura dos respetivos navios através do estreito de Ormuz, um ponto-chave para a exportação de combustível e fertilizantes.
"Se os Estados Unidos quiserem reabrir Ormuz, isso é muito positivo, é o que pedimos desde o início", observou Macron.
Cessar-fogo no Líbano: condição essencial, diz Macron
Nas declarações prestadas à imprensa em Erevan, o Presidente francês frisou ser "essencial que o cessar-fogo no Líbano seja respeitado".
"Houve ainda várias dezenas de mortos na última noite. É essencial que o cessar-fogo seja respeitado e é realmente o compromisso assumido pelas partes e digo isto pela soberania e independência do Líbano e pela proteção das populações civis", insistiu.
Mais de 40 líderes reunidos
Erevan, capital da Arménia, acolhe esta segunda-feira uma cimeira da Comunidade Política Europeia (CPE) dedicada à estabilidade do continente perante as atuais tensões geopolíticas mundiais, sob o lema "Construir o futuro: unidade e estabilidade na Europa".
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, não estará presente por motivos de agenda. De acordo com a lista oficial, participam mais de 40 representantes, entre os quais 14 dos 27 chefes de Estado e de Governo europeus, incluindo Emmanuel Macron, que impulsionou a criação da CPE.
Entre os presentes contam-se também o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o vice-presidente da Turquia, Cevdet Yılmaz, para quem foi aberta uma exceção, apesar de não serem permitidas substituições de líderes.
O Canadá, representado pelo primeiro-ministro, Mark Carney, participa como convidado, sendo esta a primeira vez que um país não europeu integra uma cimeira da CPE.
Outra novidade é o facto de o encontro se realizar, pela primeira vez, no Cáucaso do Sul - uma região marcada por tensões históricas e litígios territoriais. Segundo fontes comunitárias, a escolha pretende reconhecer o percurso geopolítico da Arménia, apesar da dependência em relação à Rússia, e assinalar igualmente os esforços de paz com o Azerbaijão sobre o território de Nagorno-Karabakh, que tornaram possível a realização da reunião neste local.
O Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, participa nesta cimeira da CPE por videoconferência.
Ainda assim, a reunião deverá ser fortemente influenciada pelo contexto internacional: a União Europeia pretende reiterar o seu apoio contínuo à Ucrânia perante a invasão russa, e o conflito no Médio Oriente mantém efeitos, sobretudo no plano energético.
No que toca ao Cáucaso do Sul, a estratégia da UE passa por apoiar estes países para diminuir a sua dependência face à Rússia.
A Comunidade Política Europeia é uma plataforma de diálogo e cooperação que reúne países da UE e vários Estados vizinhos do continente, criada em 2022, num contexto marcado pela invasão russa da Ucrânia.
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