Saltar para o conteúdo

Rússia anuncia trégua de dois dias na guerra na Ucrânia para o Dia da Vitória

Duas mãos de militares trocando flor vermelha e desenho de pomba, com arco-íris e viatura militar ao fundo.

A Rússia comunicou esta quinta-feira que vai observar uma trégua de dois dias na guerra na Ucrânia, com início à meia-noite (22 horas em Portugal continental), no âmbito das celebrações do Dia da Vitória, data que assinala a derrota da Alemanha nazi.

Trégua russa nos dias 8 e 9 de maio (Dia da Vitória)

"Estamos a falar dos dias 8 e 9 de maio", afirmou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, durante a conferência de imprensa diária.

O Kremlin já tinha avançado com a intenção de aplicar um cessar-fogo unilateral nesses dois dias - a véspera e o próprio dia em que é celebrada a vitória soviética sobre os nazis -, num contexto que continua marcado por elevada tensão e por acusações recíprocas quanto ao respeito por tréguas anteriores.

Ameaças do Kremlin e acusações de violações do cessar-fogo

Entretanto, o Kremlin advertiu que responderá com "ataques massivos" caso Kiev perturbe as comemorações.

Do lado ucraniano, o Presidente Volodymyr Zelensky também decretou um cessar-fogo unilateral à meia-noite de quarta-feira, ao mesmo tempo que acusou Moscovo de ter quebrado a trégua com novos ataques.

Resposta russa: críticas a Zelensky e referência a Donald Trump

Esta quinta-feira, as autoridades russas reagiram, sustentando que Zelensky terá lançado apenas uma "campanha de marketing" e que, na prática, nunca terá dado ordens para um cessar-fogo nos dias 5 e 6 de maio.

"Ao que sabemos, Zelensky nunca o ordenou [o cessar-fogo]. Já vimos isso mais do que uma vez", declarou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, numa conferência de imprensa.

Segundo Zakharova, a trégua anunciada por Moscovo terá o apoio do Presidente norte-americano, Donald Trump, e terá provocado uma reação "nervosa e histérica" por parte das autoridades ucranianas.

"A iniciativa foi apoiada por Trump durante uma conversa telefónica com o presidente russo, Vladimir Putin, a 29 de abril", precisou.

Ainda de acordo com a porta-voz, a resposta de Kiev passou por tentar "minar a cobertura mediática do cessar-fogo anunciado pela Rússia para o Dia da Vitória", associando esse comportamento à "situação precária" das forças ucranianas na linha da frente.

"Depois de o Ministério da Defesa russo ter dito que estava suficientemente preparado para suprimir qualquer provocação do regime ucraniano, Zelensky anunciou, ou tentou anunciar, o início de um cessar-fogo na noite de 05 de maio", acrescentou.

Zakharova apelou também aos cidadãos ucranianos e às missões diplomáticas estrangeiras para que encarem o tema com seriedade e sigam as recomendações emitidas em caso de ataque, reiterando a ameaça de retaliação se Kiev atacar a Rússia durante o desfile de 9 de maio.

Na quarta-feira, a porta-voz já tinha dito que Moscovo não defende "a agressão", mas mantém a posição de que, se houver um ataque, a Rússia responderá.

"Isto não deve ser ignorado. Deve ser levado muito, muito a sério", sublinhou então, acrescentando que tinha sido enviado um alerta a todas as missões diplomáticas estrangeiras.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário