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Irão alerta para regresso das hostilidades com os EUA e acusa Trump de agressividade

Homem de fato a falar numa conferência com bandeiras de Portugal, Irão e EUA ao fundo.

O quartel-general militar do Irão divulgou este sábado uma nota em que considera “provável” o regresso das hostilidades com os Estados Unidos da América (EUA), sustentando ainda que “os EUA não estão comprometidos” com qualquer tratado ou entendimento.

Negociações entre Irão e EUA: sinais de endurecimento

Segundo a leitura feita em Teerão, apesar da flexibilidade demonstrada pela parte iraniana nas conversações realizadas em Islamabade e durante o período de cessar-fogo, a administração de Donald Trump tem reagido com uma agressividade cada vez maior a cada concessão.

De acordo com responsáveis iranianos, as exigências atuais de Washington não representam uma base séria para negociar, mas sim um pedido de “rendição, o que não é uma opção”. No centro do bloqueio continuam temas sensíveis, como o alívio das sanções e o estatuto do estreito de Ormuz, que Teerão afirma terem de ser abordados antes de qualquer avanço no dossiê nuclear.

Na véspera, Trump disse não estar “satisfeito” com a mais recente proposta de paz apresentada pelo Irão para pôr fim à guerra. O Presidente dos EUA acrescentou não ter certeza de que seja possível alcançar um acordo e insistiu que iria “aniquilá-los” caso as negociações falhem.

Apelo à responsabilização em Washington

Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) iraniano, afirmou que os cidadãos norte-americanos têm o “direito inegável e o dever solene” de pedir explicações à administração Trump pelo que classificou como uma “guerra de escolha”.

O responsável descreveu o conflito como um “ato de agressão claro e não provocado” e apelou a que os americanos interpelem o seu Governo por “travar esta guerra ilegal contra a nação do Irão e por todas as atrocidades perpetradas”.

Para fundamentar a sua posição, Baghaei citou declarações da senadora democrata Kirsten Gillibrand na comissão das Forças Armadas do Senado dos EUA: “Não tínhamos qualquer prova de que o Irão pretendesse atacar iminentemente este país de qualquer forma ou feitio.”

Expulsão de potências europeias como Portugal é exemplo de “bravura e sacrifício”

A narrativa de resistência foi também reforçada por Hossein Noushabadi, alto funcionário da diplomacia iraniana, ao defender que o bem-estar das nações da região depende da retirada dos EUA do Golfo.

Noushabadi caracterizou o Golfo como “parte da identidade e civilização do Irão”, garantindo que o país irá enfrentar as “expedições militares da América devoradora do mundo”. Evocou ainda a expulsão histórica de potências europeias como Portugal, Países Baixos e Inglaterra, apresentada como prova da “bravura e sacrifício” da nação.

Mediação do Paquistão e contactos com o Kuwait

Apesar do tom desafiante e pessimista que prevalece em Teerão, a via diplomática mantém-se ativa. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Mohammad Ishaq Dar, falou com o homólogo do Kuwait sobre a “situação regional em curso” e as suas “implicações económicas mais amplas”.

Islamabade tem procurado mediar as conversações que permanecem bloqueadas entre Washington e Teerão, num esforço que o Kuwait elogiou, referindo “os esforços sinceros de Islamabade para promover a paz duradoura e a segurança para a Ummah [termo islâmico que significa ‘comunidade’]”.

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