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CT da Lusa denuncia comportamentos "insultuosos e intimidatórios" no Gabinete do Ministro da Presidência de António Leitão Amaro

Reunião formal com cinco pessoas numa sala, com bandeira de Portugal e brasão na parede.

Encontro no Ministério da Presidência

A Comissão de Trabalhadores (CT) da Lusa revelou esta segunda-feira que, no dia 29 de abril, terá sido alvo de comportamentos "insultuosos e intimidatórios" por parte de um funcionário do Gabinete do Ministro da Presidência do Conselho de Ministros, António Leitão Amaro. Segundo um comunicado da CT a que o Expresso teve acesso, a situação aconteceu já no final de uma reunião realizada no Ministério da Presidência.

De acordo com a CT, o encontro formal com o ministro decorreu "de forma cordata". No entanto, logo após o término da reunião, o referido funcionário terá abordado os representantes dos trabalhadores num "tom visivelmente alterado", questionando a sua idoneidade e fazendo observações que a comissão classificou como "provocatórios".

Alegações de comportamento intimidatório contra a Comissão de Trabalhadores da Lusa

A CT relata que o episódio se estendeu por mais de dez minutos e ocorreu perante dirigentes sindicais e ainda dois outros elementos do gabinete. Nesse período, o funcionário terá dirigido acusações aos jornalistas relacionadas com notícias publicadas recentemente sobre a agência Lusa, sem, contudo, identificar quais.

No mesmo comunicado, a CT sustenta que o funcionário evidenciou "total desconhecimento" relativamente às atribuições das comissões de trabalhadores, dos sindicatos e das direções jornalísticas.

Perante a situação, os membros da CT optaram por não alimentar a discussão, mas dizem ter ficado a sentir-se "insultados e infantilizados", considerando os modos usados "impróprios de um funcionário com responsabilidades públicas".

Resposta do Gabinete e posição dos sindicatos

Ainda no próprio dia, a CT enviou uma exposição ao chefe de Gabinete do Ministério, na qual condenou o sucedido e pediu um esclarecimento formal. Na quarta-feira, 30 de abril, o chefe de Gabinete respondeu por escrito, admitindo que a atuação do funcionário tinha sido "inadequada" - reconhecimento que, de acordo com a mesma nota, o próprio já teria feito internamente.

Por sua vez, o Gabinete de Leitão Amaro declarou pretender assegurar um "contacto regular, respeitoso e construtivo" com os trabalhadores e garantiu que "jamais seria admissível qualquer tentativa ou forma de condicionamento da liberdade e independência dos jornalistas e dos órgãos de comunicação social". A CT refere ainda que o funcionário tentou contactar telefonicamente os seus membros, pedido que foi recusado, uma vez que os representantes preferiram aguardar por uma resposta formal.

A exposição foi subscrita pelos três sindicatos com representação na Lusa: o Sindicato dos Jornalistas (SJ), o Sindicato dos Trabalhadores do Setor dos Serviços (SITESE) e o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente (SITE).

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