Saltar para o conteúdo

Porque tantos jovens abrandam o ritmo após o secundário

Jovens num parque, alguns sentados e outros a caminhar e correr, em tarde ensolarada com relva verde.

O ensino secundário tem uma forma própria de manter as pessoas em movimento. Entre as aulas de Educação Física, os treinos das equipas e as actividades pós-aulas, o exercício acaba por fazer parte do dia - queira-se ou não pensar nisso. Depois chega a graduação e essa estrutura desaparece depressa.

Muitos jovens adultos começam, então, a passar mais tempo sentados e a mexer-se menos, absorvidos pelo trabalho ou simplesmente pela atracção constante dos ecrãs. É uma mudança discreta, mas que se vai acumulando com o tempo.

Uma quebra de actividade depois do secundário

Uma sondagem nacional mostra um cenário bastante nítido: um em cada três pais afirma que os seus filhos entre os 18 e os 25 anos são pouco activos ou não fazem qualquer actividade.

Os resultados vêm da Sondagem Nacional sobre a Saúde das Crianças do Hospital Pediátrico C.S. Mott da Universidade do Michigan (Michigan Health), baseada nas respostas de 1.550 pais inquiridos em fevereiro.

Os dados reforçam uma dificuldade frequente no início da vida adulta, quando as rotinas mudam e as prioridades se reorganizam.

“A actividade física tem um impacto profundo na saúde global, mas muitas pessoas não mantêm o mesmo nível de actividade à medida que envelhecem”, afirmou a co-directora da Sondagem Mott e pediatra do Mott, Dra. Susan Woolford.

“A idade adulta jovem pode ser uma fase particularmente desafiante, sobretudo quando desaparecem oportunidades estruturadas como os desportos e as aulas de ginásio. Depois do secundário, os jovens adultos têm, muitas vezes, de fazer um esforço maior para encontrar actividades de que gostem e arranjar tempo para as praticar.”

O que dificulta manter-se activo

Segundo os pais, os motivos são, em geral, simples. O tempo é curto, o interesse é reduzido e os ecrãs estão por todo o lado. Telemóveis, jogos e streaming consomem horas que, de outra forma, poderiam ser dedicadas ao movimento.

Menos pais apontam o custo, a ausência de um parceiro para treinar ou problemas de saúde como a principal causa. Em vez disso, o maior obstáculo parece ser a motivação.

“Os pais dizem-nos que o interesse é uma barreira importante”, disse a Dra. Woolford. “Se os jovens adultos não acharem a actividade física agradável, é muito menos provável que a incluam na sua rotina.”

Como a actividade física muda com a idade nos jovens adultos

A forma como os jovens se mantêm activos também se transforma com o avançar da idade. Entre os 18 e os 20 anos, é mais comum permanecerem em actividades de grupo. Desportos, dança e patinagem continuam a ter espaço, muitas vezes ligados a amigos e à vida social.

A partir dos 21 anos, o padrão tende a mudar. A actividade passa a ser mais individual. O treino no ginásio substitui os desportos colectivos. Alguns contam com trabalhos fisicamente exigentes para se manterem activos. E a componente social começa a perder peso.

“Esta mudança pode reflectir a passagem de formas sociais de actividade para outras mais independentes”, assinalou a Dra. Woolford. “A ligação social pode tornar a actividade física mais agradável e pode ajudar as pessoas a manterem-se activas durante mais tempo.”

Os pais estão a tentar ajudar

Muitos pais não ficam simplesmente a assistir a esta mudança. Tentam orientar os filhos para um estilo de vida mais activo.

Alguns dão apoio e incentivo. Outros sugerem actividades ou até participam com eles. Há ainda quem vá mais longe e pague inscrições no ginásio ou aulas.

Mesmo assim, esses esforços nem sempre resultam. Pais de jovens adultos menos activos dizem com frequência que as tentativas não têm efeito. Um lembrete para fazer exercício não se mantém se a actividade for sentida como uma obrigação.

“O incentivo, por si só, nem sempre é suficiente”, afirmou a Dra. Woolford. “Encontrar actividades que sejam agradáveis e acessíveis é essencial para ajudar os jovens adultos a criar hábitos duradouros, sobretudo se as actividades puderem ser ligadas a coisas que valorizam.”

Há, no entanto, uma abordagem que parece fazer diferença: fazer em conjunto. Uma caminhada partilhada, treinar com alguém ou até um jogo informal podem ajudar. Acrescenta responsabilidade e torna a experiência menos isolada.

Porque é importante a longo prazo

Os pais não estão preocupados apenas com o presente. Muitos pensam no que estes hábitos podem significar anos mais tarde.

Menos movimento agora pode traduzir-se em problemas de saúde no futuro. Alguns chegam a recear que isso possa afectar oportunidades de emprego, sobretudo em funções que exigem energia e resistência.

Ainda assim, existe uma falha no apoio. Apenas cerca de um em cada quatro pais diz que, nos últimos anos, um profissional de saúde falou com o seu filho sobre actividade física. Isto representa muitas oportunidades perdidas de orientação.

“Um desafio comum para os jovens adultos é manter um estilo de vida saudável à medida que ganham mais independência”, disse a Dra. Woolford. “Para alguns, isso significa encaixar o exercício numa agenda cheia ou num orçamento limitado. Para outros, trata-se de criar uma rotina.”

Criar hábitos que se mantêm

Os hábitos que os jovens adultos constroem agora não influenciam apenas o dia-a-dia. Podem acompanhar-nos durante anos, moldando a forma como as pessoas cuidam do corpo e gerem a saúde ao longo do tempo.

“Os pais ainda podem desempenhar um papel importante durante esta transição”, afirmou a Dra. Woolford. “Os hábitos formados nesta fase podem influenciar a saúde e o bem-estar a longo prazo.”

Essa oportunidade não fica disponível para sempre. Quando as rotinas se estabilizam, tornam-se mais difíceis de alterar. Encontrar algo de que se goste, reservar tempo e manter a consistência pode ser determinante.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário