Saltar para o conteúdo

França: o novo calendário da longa carreira e a reforma antecipada para nascidos entre 1965 e 1970

Casal sentado à mesa, apontando e sorrindo para o calendário no dia 1 de setembro marcado a vermelho.

A França voltou a mexer nas regras da chamada “longa carreira”, e isso tem impacto direto em quem começou a trabalhar muito cedo. A reforma antecipada continua possível alguns meses antes da idade normal - mas o calendário oficial para as gerações de 1965 a 1970 vai ser reorganizado. De repente, detalhes como o mês de nascimento e a data exata de início do pagamento da pensão passam a definir quando, na prática, é possível sair do mercado de trabalho.

A mudança nasce de novas orientações aplicadas à longa carreira em França e entra num terreno muito concreto: não basta “ter a idade”. Para alguns, a diferença vai estar no momento em que a pensão começa a ser paga e em como isso cruza com o novo calendário.

Was hinter der „langen Karriere“ steckt

A regra da longa carreira destina-se a pessoas que entraram no mercado de trabalho muito novas. O foco está em segurados que já trabalhavam e descontavam antes de completarem 20 anos.

Quem comprovar que trabalhou antes dos 20 e tiver trimestres de contribuição suficientes pode reformar-se alguns meses antes da idade normal.

A Segurança Social francesa definiu para isso um “limiar” próprio, baseado em:

  • o ano de nascimento,
  • o mês exato de nascimento,
  • a data a partir da qual a pensão começa efetivamente a ser paga,
  • e o número de trimestres (“quartais”) de carreira contributiva reconhecidos.

É precisamente nesta combinação que o novo calendário, a partir de setembro de 2026, introduz mudanças. Os mais afetados são os nascidos entre 1965 e 1970 - muitos já em fase de planear a reforma.

Neue Altersgrenzen: So verschiebt sich der Ausstieg für 1964 bis 1970

A Segurança Social publicou as seguintes idades mínimas para a reforma antecipada por longa carreira (início antes dos 20):

Geburtsjahr / Zeitraum Mindestalter für lange Karriere Veränderung gegenüber altem Kalender
1964 60 anos e 6 meses sem alteração
1.1.–30.11.1965 60 anos e 9 meses sem alteração
1.12.–31.12.1965 60 anos e 8 meses um mês mais cedo
1966 60 anos e 9 meses três meses mais cedo
1967 61 anos três meses mais cedo
1968 61 anos e 3 meses três meses mais cedo
1969 61 anos e 6 meses três meses mais cedo
1970 61 anos e 9 meses três meses mais cedo

O ponto curioso é a “quebra” no próprio ano de 1965: quem nasceu em dezembro ganha, enquanto a maioria dos nascidos em 1965 não vê qualquer benefício. A razão não está apenas no nascimento - está sobretudo na data de início da reforma.

Stichtag 1. September 2026: Warum ein einziger Monat alles entscheidet

O novo enquadramento só se aplica a pensões que comecem a produzir efeitos a partir de 1 de setembro de 2026. Ou seja: não conta apenas fazer anos - conta o mês em que o pagamento da pensão arranca.

O que manda é o início do pagamento da pensão. Quem se reformar antes de setembro de 2026 fica fora da nova regra mais favorável - mesmo que já tivesse atingido a idade “certa”.

Beispiel: Früh 1965 geboren

Quem nasceu em junho de 1965 atinge a idade de longa carreira (60 anos e 9 meses) em março de 2026. Se a pensão começar, por exemplo, a 1 de abril de 2026, ainda se aplica o calendário antigo - fica nos 60 anos e 9 meses, sem ganhar qualquer mês extra.

Beispiel: Dezember 1965 geboren

O caso muda para alguém nascido a 15 de dezembro de 1965. A idade de longa carreira (60 anos e 8 meses) cai a meio de agosto de 2026. Se a pessoa colocar o início da reforma a 1 de setembro de 2026 ou depois, entra no novo calendário e consegue, na prática, sair um mês mais cedo do que estava inicialmente previsto.

Para as gerações de 1966 a 1970, o novo plano dá logo três meses de vantagem - desde que todas as condições sejam cumpridas e o início da pensão seja após a data-limite.

Voraussetzungen: Wer die lange Erwerbsbiografie nachweisen muss

A idade mínima, por si só, não chega. Para a reforma antecipada por longa carreira, continuam a aplicar-se critérios exigentes:

  • início da atividade antes de completar 20 anos, com contribuições comprováveis,
  • um número mínimo de trimestres (“quartais”) que varia por geração,
  • só certos períodos contam a 100% para esta regra.

O número de trimestres necessários é o seguinte:

Geburtsjahr / Zeitraum Erforderliche Quartale
1964 170
1.1.–30.11.1965 170
Dezember 1965 171
1966–1970 172

Em geral, contam como períodos reconhecidos:

  • tempo de trabalho com contribuições pagas,
  • períodos de licença parental em torno do nascimento (mãe ou pai),
  • fases de formação, como aprendizagem (“Lehre”) ou estágio remunerado,
  • serviço militar ou serviço alternativo.

Períodos de desemprego costumam contar para a carreira contributiva “normal”, mas aqui geralmente não dão bónus para a classificação como longa carreira.

Komplementärrente Agirc‑Arrco: Kein Abschlag bei anerkannter langer Karriere

Em paralelo à pensão do regime base, em França pesa também a grande caixa complementar Agirc‑Arrco. Em princípio, ela acompanha o calendário da pensão base.

Assim que a longa carreira é oficialmente reconhecida, a Agirc‑Arrco paga a reforma complementar sem penalizações por saída antecipada.

Ou seja: quem atingir a idade e o número de trimestres exigidos para longa carreira recebe a complementar no mesmo alinhamento, sem cortes percentuais apenas por causa da idade. Para muitos, isto simplifica a decisão, porque não é preciso “conciliar” duas idades mínimas diferentes.

Nur ein Projekt – mit politischem Risiko

O novo calendário assenta num projeto de decreto que ainda não foi publicado no jornal oficial francês. Em termos legais, portanto, ainda pode haver alterações. As autoridades falam oficialmente de um processo “congelado”, ainda não fechado em definitivo.

Acresce o fator político: a suspensão atual do plano anterior de reforma é temporária. Depois das presidenciais de 2027, Paris pode:

  • manter o estado congelado,
  • regressar ao calendário mais restritivo de 2023,
  • ou aprovar uma versão totalmente nova.

Na prática, a Segurança Social e os simuladores oficiais já estão a usar o projeto atual, para que os interessados consigam pelo menos fazer uma simulação aproximada dos cenários.

Was Betroffene jetzt konkret tun sollten

Para os segurados das gerações 1965 a 1970, o tema já está ao nível da microgestão. Pequenos ajustes podem significar vários meses de salário a mais (ou a menos).

  • Confirmar a data de nascimento: sobretudo quem nasceu no fim de 1965 ou nos anos seguintes deve saber qual é a nova idade mínima.
  • Contar os trimestres: guardar recibos, provas de formação, períodos de parentalidade e serviço, tudo bem documentado.
  • Planear a data de início da reforma: começar a 1 de setembro de 2026 pode ser mais vantajoso do que arrancar poucas semanas antes.
  • Usar aconselhamento: uma consulta com o apoio da reforma ou uma leitura cuidada do registo contributivo oficial evita surpresas desagradáveis.

Um cenário típico: alguém nascido em agosto de 1966 cumpre a condição de longa carreira aos 60 anos e 9 meses, em maio de 2027. Aqui, o início da reforma fica seguramente depois da data-limite. Sair três meses mais cedo do que no calendário antigo é realista - desde que os trimestres exigidos estejam completos.

Warum diese Regeln auch für deutsche Leser relevant sind

Quem trabalhou em França e descontou lá sente estas mudanças diretamente. Isto aplica-se em especial a trabalhadores transfronteiriços, famílias expatriadas ou pessoas com carreiras mistas. Cada alteração de calendário em França mexe também com a coordenação de direitos de pensão na Alemanha.

Ao mesmo tempo, o caso mostra como a reforma antecipada é sensível a detalhes. Um “simples” marco como 1 de setembro de 2026 pode fazer com que pessoas com datas de nascimento muito próximas tenham opções bastante diferentes. Para quem é afetado (incluindo quem vive em Portugal e tem carreira contributiva em França e/ou Alemanha), o essencial não é só o contexto político, mas o detalhe: tempos de contribuição, data de nascimento e início exato da pensão.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário