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A exigência do Chega na lei laboral e o foco de André Ventura nas eleições

Homem em fato fala ao microfone numa sala de conferências com várias pessoas a ouvir atentamente.

A exigência que o Chega pôs em cima da mesa para viabilizar a lei laboral apanhou muita gente desprevenida. Não vejo grande motivo para isso. É verdade que reduzir a idade da reforma não tem ligação direta à lei laboral. Mas tem ligação total às eleições. É aí que está o essencial: enquanto quase todos fixam os olhos na lei laboral, André Ventura está concentrado noutra coisa - eleições.

Baixar a idade da reforma: uma bandeira sem base económica

Na proposta de baixar a idade da reforma não há qualquer razão atendível; é um desvario económico num sistema já sob enorme pressão e que não aguenta uma conta minimamente elementar. Ainda assim, há um ponto em que a leitura é certeira: tão inevitáveis como a morte e os impostos são as eleições.

O eleitorado mais idoso e o cálculo eleitoral do Chega

E, para acelerar o seu projeto de crescimento, o Chega precisa de duas condições: novas eleições e conquistar o eleitorado mais idoso - um segmento que passou uma década encostado ao PS e que, a partir de 2025, se foi aproximando do PSD.

A trajetória de crescimento eleitoral do PS entre 2015 e 2022 (ano da maioria absoluta) não se explica sem o peso deste eleitorado. Do mesmo modo, o salto da AD de 2024 (a primeira vitória de Luís Montenegro) para 2025 dependeu, em larga medida, de voltar a ganhar - e “recompensar” - a confiança de pensionistas e reformados.

Lei laboral como pretexto e eleições como objetivo de André Ventura

O Chega assume - e com legitimidade - que ambiciona ser o maior partido do hemisfério direito no Parlamento. Tendo ultrapassado o PS, mesmo que apenas por dois deputados, e chegando a uma segunda volta presidencial, sobra-lhe um objetivo prático: entrar num Governo ou garantir um acordo parlamentar de governação. Mas esse objetivo concreto não elimina o desígnio mais ambicioso: ultrapassar o PSD.

Há vários caminhos para se tornar um partido influente; porém, não se chega a maior partido sem recolher muitos votos de reformados e pensionistas. Foi por isso que André Ventura inventou, à última hora, esta condição como “garantia” para aprovar a lei laboral.

Como é evidente, esta exigência não podia ter surgido mais cedo - ninguém a levaria a sério. Assim, limitou-se a agitá-la quando a lei laboral já estava moribunda e já não havia interlocutores para negociar. E acenou precisamente para o eleitorado de que mais carece e que, ao mesmo tempo, o PSD também precisa.

O objetivo de André Ventura não é reduzir a idade da reforma, tal como nunca foi retirar a nacionalidade a quem a tenha obtido. O objetivo é desgastar uma fatia do eleitorado do PSD para o ultrapassar nas próximas eleições. É tão simples quanto isso.

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