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Pistas recentes sobre a cor da pele do Diplodocus e dos saurópodes há 150 milhões de anos

Ilustração de arqueóloga a examinar fósseis junto a dinossauro num deserto rochoso.

Quando se pensa em dinossauros gigantes como o Diplodocus, é comum imaginá-los com uma pele cinzenta ou castanha, sem grande destaque. Essa imagem não resulta de provas diretas, mas sim da falta de dados disponíveis.

A pele de dinossauro quase nunca resiste ao processo de fossilização e, muito antes de os ossos se transformarem em pedra, a cor já desapareceu. Ainda assim, um estudo recente trouxe novas pistas.

Pele fossilizada de exemplares jovens de Diplodocus revelou microestruturas associadas à cor. É o primeiro indício concreto sobre a cor da pele e o aspeto geral dos dinossauros saurópodes que dominaram a Terra há 150 milhões de anos.

Determinar as cores dos dinossauros

A cor na pele, no pelo e nas penas dos animais depende de pigmentos e de estruturas presentes nos tecidos. Um dos pigmentos mais importantes é a melanina, que se forma dentro de minúsculos “pacotes” microscópicos chamados melanossomas.

A cor observada pode variar consoante a forma, o tamanho e a disposição desses melanossomas. Nas aves, melanossomas alongados tendem a associar-se a tons negros, enquanto melanossomas mais curtos ou mais arredondados se relacionam, com frequência, com tonalidades castanhas.

Há ainda melanossomas achatados e em forma de disco, capazes de refletir a luz e acrescentar brilho ou luminosidade. Padrões deste tipo já foram usados por cientistas para reconstruir as cores de dinossauros com penas.

Como grandes herbívoros como o Diplodocus não tinham penas, a investigação sobre cor nestes animais ficou, até agora, muito mais limitada.

Sítio fóssil raro no Montana

A pele fossilizada foi encontrada na Pedreira do Dia da Mãe, no Montana, EUA. O depósito remonta ao Jurássico Superior, há cerca de 150 milhões de anos.

Este local é invulgar por conservar dinossauros saurópodes jovens - não apenas ossos, mas também impressões de pele. As condições ambientais foram determinantes para esta preservação.

Tudo indica que o tempo seco terá ajudado os corpos a desidratarem antes do enterramento. Mais tarde, lama e detritos cobriram os restos, selando a pele no lugar. Esse processo permitiu que as escamas mantivessem a forma e os detalhes da superfície.

A pele pertence a juvenis de Diplodocus. Nesta fase, os animais enfrentariam maior vulnerabilidade a predadores, pelo que características como cor e padrão da pele poderiam ter sido importantes para a sobrevivência.

Pele de Diplodocus com pistas de cor

Para analisar a pele fossilizada, os investigadores recorreram a microscópios electrónicos de varrimento, capazes de observar estruturas menores do que um grão de areia. As imagens mostraram duas camadas principais no interior de cada escama.

A camada superior era composta por minerais argilosos que substituíram o material original da pele durante a fossilização. Por baixo, havia uma camada mais escura e rica em carbono. A presença de carbono é frequentemente um sinal de matéria orgânica, incluindo melanina.

Em ambas as camadas, foram identificadas pequenas impressões com forma compatível com melanossomas. Essas marcas tinham dimensões e morfologia semelhantes às observadas em animais atuais.

O sedimento em torno do fóssil não apresentava estruturas semelhantes, reforçando a interpretação de que estas impressões provinham da pele e não de partículas de terra.

Duas formas diferentes de melanossomas

A pele fossilizada revelou dois tipos distintos de melanossomas. A maioria tinha forma oblonga ou oval, um formato que, em répteis e aves modernos, se associa frequentemente a cores escuras.

O segundo tipo foi inesperado. Alguns melanossomas pareciam achatados e em forma de disco. Estas formas lembram melanossomas do tipo “plaqueta”, encontrados em penas de aves, que refletem luz e intensificam a luminosidade.

As estruturas em disco observadas no Diplodocus eram mais pequenas do que as equivalentes nas aves, mas partilhavam características essenciais.

Ambos os tipos surgiam juntos em pequenos agrupamentos, em vez de estarem distribuídos de forma uniforme pela pele. Este padrão sugere um aspeto mosqueado ou malhado, e não uma coloração sólida e contínua.

Deduções sobre padrões de cor nos dinossauros

As cores exatas não podem ser determinadas, porque as células pigmentares vivas já não existem no fóssil. Ainda assim, os melanossomas permitem inferências fundamentadas.

Melanossomas oblongos apontam para tons escuros, como castanho ou preto. Já os melanossomas em forma de disco indicam zonas onde a luz seria refletida de maneira diferente.

Em conjunto, estes dados apoiam a hipótese de uma pele com padrões. Partes do corpo poderiam apresentar manchas, pintas ou áreas irregulares.

Padrões deste género ajudam frequentemente os animais a confundirem-se com o ambiente. Num Diplodocus jovem, a camuflagem poderia diminuir a probabilidade de ataque.

Outros dinossauros com pele preservada, como o Psittacosaurus, exibem padrões de cor complexos usados para camuflagem. A nova evidência no Diplodocus sugere que estratégias semelhantes poderão ter existido também entre os saurópodes.

Estudos sobre a pele dos dinossauros

Trabalhos anteriores sobre pele de dinossauro reportavam muitas vezes ausência de sinais de cor. Este estudo ajuda a explicar essa dificuldade. A pele fossilizada conservou uma camada externa que ocultava melanossomas mais profundos.

Assim, análises feitas apenas à superfície não detetavam pigmentação, porque os melanossomas estavam por baixo de camadas mineralizadas.

Só ao cortar secções transversais da pele foi possível expor as estruturas escondidas. Isto sugere que outras peles fósseis poderão também conter pistas de cor abaixo da superfície, ainda por revelar.

Este trabalho apresenta a primeira evidência física de estruturas produtoras de cor na pele de saurópodes. Mostra igualmente que a pele destes animais tinha uma complexidade em camadas, comparável à de répteis modernos.

A existência de duas formas de melanossomas abre novas questões. É possível que os saurópodes tivessem um metabolismo mais elevado nas fases iniciais de vida, e alterações no uso de energia podem influenciar sistemas de pigmentação.

A diversidade de melanossomas observada aqui pode apontar para esse tipo de características biológicas, embora sejam necessários mais estudos.

Uma imagem mais nítida do Diplodocus

O Diplodocus deixa de encaixar na ideia de um gigante uniforme e sem vida. Os juvenis teriam, provavelmente, uma pele texturada e com padrões, combinando tons escuros com pontos mais claros e refletivos.

Esse aspeto tornaria estes animais mais dinâmicos e melhor ajustados às exigências de sobrevivência.

Cada novo fóssil acrescenta pormenores à história da Era dos Dinossauros. A pele fossilizada - antes rara e muitas vezes ignorada - está agora a permitir explorar cor, comportamento e evolução nas espécies de dinossauros.

O conhecimento sobre os dinossauros e o seu tempo na Terra continua a tornar-se mais rico e complexo, pista microscópica após pista microscópica.

A investigação foi realizada por especialistas da Universidade de Bristol, da Universidade Chinesa de Hong Kong, da Fundação para o Avanço Científico, do Centro do Museu de Cincinnati e do Instituto de Ciência da Elevação.

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