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Tech Foundry Portugal: programa de aceleração para tecnologia profunda

Três homens discutem projeto tecnológico com braço robótico e laptop numa sala com grande janela.

Tecnologia profunda e a corrida global à inovação

Na atual “corrida ao ouro” das economias mais desenvolvidas - todas à procura de inovação capaz de criar riqueza - o filão mais cobiçado é o da tecnologia profunda: empresas que nascem da investigação científica e que procuram transformar conhecimento em produtos e serviços novos, em áreas que vão da saúde às tecnologias de informação.

Depois de vários anúncios de fundos, vales e iniciativas orientadas para o desenvolvimento e financiamento de projetos de tecnologia profunda em Portugal, o Governo revelou esta quinta-feira, 14 de maio, o arranque do programa de aceleração “Tech Foundry Portugal – Edição Tecnologia Profunda”, desenhado para apoiar cientistas-empreendedores a levarem as suas soluções ao mercado.

A medida insere-se num esforço europeu mais amplo para financiar e, sobretudo, comercializar os resultados da investigação. O Conselho Europeu de Investimento tem sido o principal financiador deste tipo de projetos, somando €13,5 mil milhões em 2025, segundo contas do site especializado Sifted - uma subida anual de 61%. A atenção à tecnologia profunda surge num contexto de competição global intensa pela liderança tecnológica, em que qualquer avanço científico, mesmo incremental, pode ser determinante.

Um estudo da consultora McKinsey, publicado em 2025, aponta que, se a Europa reforçar a aposta em tecnologia profunda e na conversão desse conhecimento em negócio, poderá aumentar o valor das suas empresas em quase um bilião de euros e criar até um milhão de empregos até 2030. Depois de a região ter ficado para trás face ao ritmo de empresas norte-americanas e chinesas, a tecnologia profunda é vista como um possível “próximo motor económico da região”, sugere o relatório.

Quatro meses de aceleração

Esta quinta-feira, 14 de maio, na sessão de abertura da SIM Conference, na Alfândega do Porto, o secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, apresentou o programa como o maior do género em Portugal dedicado em exclusivo à tecnologia profunda. Segundo o governante, a iniciativa pretende “criar a ponte que falta” entre investigação “de nível global” e o mercado, ajudando a converter resultados de laboratório em aplicações industriais.

Tech Foundry Portugal – Edição Tecnologia Profunda: gestão, candidaturas e calendário

A aceleração será conduzida pela Startup Portugal em parceria com a Hello Tomorrow, uma rede de empresas emergentes, fundos, incubadoras e empresas de tecnologia profunda. As candidaturas abrem em maio, a participação é gratuita e o programa decorre no Porto entre setembro e dezembro.

De acordo com o comunicado de imprensa da Startup Portugal, o programa “vai selecionar até 40 equipas nacionais que estão em estágio inicial de formação e contenham tecnologia demonstrada em laboratório ou outro ambiente relevante”, oferecendo “mentoria dedicada, sessões práticas com especialistas sobre os principais desafios da entrada no mercado, apoio contínuo e introduções diretas à rede global da Hello Tomorrow”. No encerramento da aceleração, está previsto um “evento de apresentação dos projetos - Dia de Demonstração - a investidores e atores industriais.”

Áreas elegíveis para candidatura

Podem concorrer projetos que já tenham prova de conceito ou um protótipo validado, nas áreas de biotecnologia, tecnologias da saúde, materiais avançados e nanotecnologia, tecnologias oceânicas e marítimas, tecnologias climáticas e limpas, computação avançada e eletrónica, espaço e aeronáutica, robótica e sistemas autónomos, inteligência artificial, tecnologias de dupla utilização e GovTech (tecnologia para a modernização do setor público).

Milhões para tecnologia profunda

Esta não é a primeira ação orientada para aproximar a investigação universitária do tecido empresarial e industrial: nos últimos anos, o Estado tem acumulado medidas com o objetivo de proteger e impulsionar projetos de tecnologia profunda. No programa Acelerar a Economia, anunciado em 2024 pelo então ministro da Economia Pedro Reis, surgia o Deep2Start - um programa-chapéu com várias medidas - precisamente com essa ambição.

Nos anos seguintes, a Agência Nacional de Inovação (ANI), o Banco Português de Fomento (BFP) e a Startup Portugal avançariam com a operacionalização e distribuição de verbas, através de iniciativas como os vales de acesso ao programa EIC Accelerator e os vales de Tecnologia Profunda.

Em outubro do ano passado, foi apresentado, com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o fundo IFIC Deeptech & Tech Foundry. Com uma dotação total de €15 milhões, o objetivo é apoiar empresas do setor com até €750 mil. Já o fundo anunciado por Gonçalo Regalado, presidente do BFP, em 2025, com uma dotação de €50 milhões para estas empresas, ainda não saiu do papel.

O Expresso esteve na SIM Conference a convite da Startup Portugal

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