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Cancro da Bexiga em Portugal: sinais, riscos e diagnóstico precoce

Homem adulto a tomar medicamento em casa, segurando comprimido e copo com líquido rosa.

Uma realidade subestimada em Portugal

O Cancro da Bexiga continua a ser uma doença frequentemente desvalorizada em Portugal, apesar do peso que tem na saúde pública. É a segunda neoplasia urológica mais comum e surge com maior frequência nos homens, sobretudo a partir da sexta década de vida. No nosso país, estima-se o aparecimento de cerca de 3500 novos casos por ano, com uma mortalidade anual superior a mil mortes. Este número explica-se, em grande medida, pelo facto de muitos doentes já apresentarem doença avançada quando recebem o diagnóstico.

Na prática clínica, constata-se de forma consistente que uma parte relevante destes casos poderia ter sido identificada mais cedo.

Tabagismo e outros fatores de risco do cancro da bexiga

O tabagismo mantém-se como o principal fator de risco, estando associado a cerca de 50% dos casos. As substâncias carcinogénicas do tabaco são filtradas pelos rins e acabam por se concentrar na urina, permanecendo em contacto direto e prolongado com a parede da bexiga. A incidência de cancro da bexiga aumenta de forma diretamente proporcional tanto ao tempo de hábito tabágico como ao número de cigarros fumados por dia.

Para além do tabaco, há outros fatores que também elevam o risco, incluindo a exposição ocupacional a químicos industriais, a idade avançada, antecedentes de radioterapia, certas infeções e o sexo masculino.

Sintomas iniciais: a hematúria não deve ser ignorada

Um dos maiores obstáculos ao diagnóstico precoce é a tendência para se minimizar os primeiros sinais. O sintoma mais frequente é a presença de sangue na urina (hematúria), muitas vezes indolor e intermitente, o que faz com que seja facilmente ignorado.

Podem ainda surgir queixas como ardor ao urinar, aumento da frequência urinária ou sensação de urgência. Importa lembrar que estes sintomas não são exclusivos do cancro da bexiga e podem também ocorrer noutras patologias do trato urinário, nomeadamente infeções. Ainda assim, é comum observar-se, na prática clínica, um atraso na procura de cuidados médicos, o que reduz a probabilidade de tratamentos mais eficazes e menos agressivos.

Evolução do tratamento do cancro da bexiga

Felizmente, o tratamento do cancro da bexiga tem evoluído. Atualmente, a maioria dos tumores detetados pode ser tratada com cirurgia minimamente invasiva, realizada através da uretra, sem necessidade de remoção cirúrgica da bexiga (cistectomia radical).

Mesmo nos casos mais avançados, em que o tumor já invade a camada muscular da bexiga, existem alternativas à cirurgia de remoção da bexiga. Quando essa remoção é necessária, é hoje possível realizá-la de forma menos invasiva. Nos doentes em que a doença já se disseminou (com metástases), têm surgido novas opções, incluindo terapêuticas de imunoterapia e abordagens de medicina de precisão, com tratamentos antineoplásicos dirigidos às características do tumor.

Quando procurar ajuda e que exames podem ser necessários

Há duas atitudes fundamentais: quem fuma deve deixar de fumar; e, perante sintomas suspeitos, deve procurar avaliação médica.

A presença de sangue na urina detetada em análises (hematúria microscópica) ou visível a olho nu (hematúria macroscópica) deve levar a uma avaliação médica urgente, idealmente por um Urologista. Exames simples, como análises de urina e ecografias, podem constituir o primeiro passo para um diagnóstico mais precoce, mas uma avaliação completa implica, habitualmente, outros exames, incluindo um exame endoscópico da uretra e da bexiga (uretro-cistoscopia) e exames de imagem aos rins e ureteres (geralmente um TAC abdomino-pélvico com contraste).

Na prática clínica, sabe-se que o tempo influencia o prognóstico: uma consulta no momento certo pode ser decisiva entre um tratamento conservador e uma evolução para uma doença potencialmente fatal.

Apesar disso, a perceção do risco na população portuguesa continua a ser insuficiente, sobretudo entre fumadores atuais e ex-fumadores. Não faça parte desta estatística: deixe de fumar e procure ajuda se tiver sintomas!

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