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Alerta de alergia: Saiba qual é o risco de pólen hoje na sua região

Jovem a olhar para telemóvel junto a janela com árvore florida, máscara, lenços e soro na mesa.

Quem, ano após ano, chega à primavera com olhos a coçar, nariz sempre a pingar e tosse persistente costuma aperceber-se antes de qualquer aplicação: a época dos pólenes voltou. Há muito que os especialistas deixaram de falar em “algumas semanas” e passaram a referir até dez meses por ano em que diferentes plantas libertam nuvens de pólen para a atmosfera. Para milhões de pessoas isto traduz-se em sintomas, medicação e um olhar constante para a meteorologia e para o índice de pólenes.

Como a época dos pólenes se distribui ao longo do ano

O pólen é o material reprodutivo masculino das plantas. Para quem tem alergias, é sobretudo isto: partículas microscópicas que colocam o sistema imunitário em alerta. E a verdade é que a exposição já se estende por quase todo o ano.

  • Janeiro a março: florações precoces como aveleira e amieiro
  • Março a maio: bétula, freixo, faia - pico para muitos alérgicos
  • Maio a agosto: predominam gramíneas e centeio
  • Agosto a outubro: pólenes de ervas, como artemísia e ambrósia

Com invernos mais suaves e outonos longos e quentes, este calendário tem-se deslocado de forma evidente. Em várias regiões, já se registam níveis elevados em fevereiro, e em outubro ainda é possível medir pólen de algumas gramíneas.

"Em algumas zonas, existe hoje em dia uma quantidade mensurável de pólen no ar durante quase todo o ano - com apenas pausas curtas no pico do inverno."

Quão alto é o risco hoje na sua zona? O índice de pólenes

A carga individual depende essencialmente de três elementos: que pólenes estão no ar naquele momento, a sensibilidade da sua alergia e como o tempo facilita a dispersão. O índice de pólenes agrega estes fatores e costuma ser apresentado em níveis - de “sem carga” a “carga muito elevada”.

Nível do índice Significado O que os alérgicos costumam sentir
0 sem pólenes ou quase impercetíveis geralmente sem queixas
1 carga baixa espirros ocasionais, ligeira irritação
2 carga moderada nariz a pingar, olhos a coçar, fadiga
3 carga elevada rinite intensa, tosse, dificuldades em dormir
4 carga muito elevada sintomas marcados, possíveis crises de asma

Muitos serviços meteorológicos e entidades ambientais publicam este índice diariamente por região. Quem tem sintomas fortes ou asma deve acompanhá-lo com atenção e ajustar as recomendações médicas ao que está a acontecer em cada dia.

Porque é que o tempo pode fazer a carga de pólen disparar

As épocas de floração seguem o desenvolvimento das plantas. Já a quantidade de pólen que acaba efetivamente no ar é muito condicionada pela meteorologia. Três fatores são determinantes:

  • Calor: temperaturas amenas aceleram a floração e libertam mais pólen ao mesmo tempo.
  • Secura: com tempo seco, os pólenes mantêm-se suspensos durante mais tempo e viajam mais longe.
  • Vento: transporta os pólenes por quilómetros.

A chuva pode limpar o ar por pouco tempo, mas imediatamente antes de uma trovoada a concentração junto ao solo muitas vezes volta a subir de forma clara. Muita gente nota isso como uma súbita vaga de espirros e falta de ar.

"Vento quente e seco é considerado um turbo para a carga de pólen - nesses dias, os alérgicos relatam regularmente sintomas especialmente intensos."

Sintomas típicos - e quando é que passa a ser perigoso

Na maioria dos casos, a alergia manifesta-se primeiro no nariz. Em poucos minutos, as mucosas incham, aparece comichão e os olhos lacrimejam. É frequente surgirem também cansaço, dores de cabeça e dificuldade de concentração.

Sinais de aviso que justificam uma consulta médica rápida incluem, por exemplo:

  • respiração com pieira ou sensação de aperto no peito
  • tosse irritativa persistente, sobretudo à noite
  • sensação de não conseguir inspirar profundamente

O motivo é simples: uma alergia a pólen não tratada pode “descer” para os brônquios e desencadear asma alérgica. Os especialistas chamam-lhe mudança de patamar - das vias respiratórias superiores para as inferiores.

Como se pode proteger já hoje contra a época dos pólenes

Quando sabe que a carga na sua região está elevada, pequenas medidas conseguem amortecer bastante o impacto. Não substituem um tratamento, mas no dia a dia ajudam muitas vezes mais do que se imagina.

Truques práticos para dias de pólen elevado

  • Areje a casa rapidamente de manhã cedo ou ao fim da noite, em vez de manter janelas entreabertas ao meio-dia.
  • Evite despir ou guardar no quarto a roupa usada na rua.
  • Lave o cabelo à noite para não levar pólen para a almofada.
  • No carro, mantenha as janelas fechadas e, se existir, use filtro de pólen.
  • Em dias muito carregados, troque lentes de contacto por óculos para reduzir irritações.

Quem pratica desporto ao ar livre faz melhor em planear a atividade para as primeiras horas da manhã ou logo após um aguaceiro forte. Em meio urbano, a combinação com gases de escape pode significar stress adicional para as vias respiratórias.

Medicação e estratégias de longo prazo

Para crises agudas, usam-se habitualmente anti-histamínicos, sprays nasais e colírios. Estes produtos atenuam a resposta do sistema imunitário, reduzem o inchaço e aliviam a comichão. Muitos estão disponíveis sem receita, mas se os sintomas forem mais intensos a escolha deve ser orientada por um médico.

A hipossensibilização dirigida - uma espécie de “treino” do sistema imunitário ao longo de vários anos - pode diminuir de forma significativa a alergia. O organismo recebe quantidades controladas do alergénio relevante, por exemplo sob a forma de gotas, comprimidos ou injeções. Exige persistência, mas quando resulta reduz de modo notório o risco de asma.

Diferenças regionais: pólenes no campo e na cidade (época dos pólenes)

O tipo de exposição varia bastante consoante o ambiente. Em zonas rurais, dominam frequentemente pólenes de gramíneas e cereais; em áreas urbanas, são mais comuns os pólenes de árvores, cuja concentração pode aumentar devido às árvores de rua.

  • Em cidade, é comum haver reações a bétula, plátano e alguns arbustos ornamentais.
  • Em zonas rurais, a luta é mais frequente contra gramíneas e centeio.
  • Vales do Reno e regiões mais quentes reportam muitas vezes uma época mais longa por causa de florações mais precoces.

A presença de montanhas ou grandes massas florestais também cria zonas de abrigo do vento e influencia onde os pólenes acabam por se depositar. Por isso, compensa seguir previsões regionais detalhadas em vez de indicações demasiado genéricas para distritos inteiros.

"Quem conhece o alergénio principal na sua região consegue alinhar muito melhor a medicação, as consultas médicas e até o planeamento de férias."

Alterações climáticas, novas espécies e riscos adicionais

Com o aumento das temperaturas médias, têm surgido na Europa Central espécies vegetais que antes quase não tinham relevância. Uma delas é a ambrósia, cujos pólenes irritam muita gente de forma intensa. Mesmo pequenas quantidades podem provocar reações fortes.

A isto soma-se a interação com poluentes atmosféricos. Óxidos de azoto e partículas finas do tráfego podem alterar a superfície dos pólenes e torná-los mais “agressivos” para o sistema imunitário. Muitos alérgicos notam sintomas claramente piores junto a estradas com muito trânsito do que num parque.

Outro aspeto é a chamada reação cruzada: quem reage, por exemplo, a pólen de bétula, muitas vezes tolera mal determinados frutos como maçã ou avelã. O organismo confunde estruturas proteicas semelhantes. O mais típico é sentir formigueiro na boca ou um ligeiro inchaço após comer.

Para muitas pessoas afetadas, resulta daí uma combinação de queixas sazonais e sintomas ao longo de todo o ano. Quanto melhor conhecerem o seu índice de pólenes e os próprios desencadeantes, mais fácil é evitar picos de exposição - e mais leve se torna o quotidiano apesar da rinite alérgica.

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