A maioria das pessoas conhece as regras básicas de um estilo de vida saudável que ganham ainda mais importância com a idade: comer muitos legumes e verduras, fazer exercício com regularidade, dormir bem, manter uma vida social ativa, limitar o consumo de álcool e não fumar.
Como economista e psicóloga social que investigam o altruísmo e a saúde, perguntámo-nos se o envolvimento cívico também poderia ter influência.
Em 2022, a Associação Médica Americana, uma organização que representa médicos, assinalou que votar poderia, potencialmente, trazer benefícios para a saúde.
Foi isso que nos levou a testar a ideia de forma direta: analisámos se norte-americanos mais velhos - pessoas com 65 anos ou mais - que votam vivem mais do que quem não vota.
Como estudámos o voto no Wisconsin
Nos Estados Unidos, os adultos mais velhos votam com mais frequência do que os mais jovens. No Wisconsin, que foi o foco do nosso trabalho, essa taxa de participação é ainda mais elevada.
Recorremos a dados do Estudo Longitudinal do Wisconsin, que acompanha, desde 1957, uma amostra selecionada aleatoriamente de pessoas que concluíram o ensino secundário no Wisconsin.
Comparamos a saúde a longo prazo de adultos mais velhos que votaram nas eleições presidenciais de 2008 com a daqueles que não votaram nesse ato eleitoral.
Para isso, cruzámos registos de votação verificados de forma objetiva pela Catalist, que monitoriza o comportamento eleitoral dos norte-americanos, com registos oficiais do Índice Nacional de Óbitos.
O que encontrámos sobre mortalidade e participação eleitoral
Os resultados foram claros: quem votou tinha uma probabilidade de morrer 45% mais baixa nos cinco anos após as eleições de 2008, 37% mais baixa 10 anos depois e 29% mais baixa 15 anos mais tarde.
Também avaliámos a votação nas presidenciais de 2004 e 2012. Verificámos que o padrão era mais forte nas eleições mais recentes - as de 2008 e 2012 - quando comparadas com a eleição anterior de 2004.
É natural questionar se isto acontece simplesmente porque pessoas mais saudáveis tendem, à partida, a votar mais.
De facto, votar é mais fácil quando se está bem de saúde do que quando não se está. Ainda assim, essa explicação não chega para justificar os nossos resultados.
Mesmo depois de controlarmos fatores demográficos como o género, o estado civil e o rendimento, outras formas de envolvimento cívico como o voluntariado e o estado de saúde anterior ao voto, os eleitores continuaram a apresentar um risco mais baixo de morrer.
Além disso, observámos que as pessoas que começaram em pior estado de saúde foram as que mais beneficiaram do voto 15 anos depois, em comparação com aquelas que já eram mais saudáveis antes de votarem.
O que não parece fazer diferença: como se vota e em quem se vota
Houve ainda um dado relevante: a forma como alguém votou não alterou os resultados.
Ao compararmos adultos mais velhos que votaram presencialmente com aqueles que enviaram o voto pelo correio, concluímos que ambos os grupos tiveram, de forma semelhante, um risco de morrer mais baixo ao longo do período de 15 anos.
Também não fez diferença se o candidato preferido do eleitor venceu. Embora possa ser stressante ver perder o candidato que se apoia, as pessoas que analisámos apresentaram benefícios semelhantes na saúde a longo prazo por terem votado, independentemente da sua filiação política.
Cientistas sabem há muito tempo que quem faz voluntariado em organizações sem fins lucrativos tende a obter vários benefícios para a saúde, incluindo uma vida mais longa.
Votar é, de certo modo, também um ato motivado por altruísmo. Isso acontece porque os eleitores individuais sabem que um único voto não muda, por si só, o resultado de uma eleição nacional.
Se está a perguntar-se porque é que votar prevê um risco menor de mortalidade, nós também colocámos essa questão.
Possíveis explicações para a ligação entre votar e saúde
Uma hipótese é que, tal como noutras atividades de envolvimento cívico - incluindo o voluntariado -, votar possa desencadear respostas biológicas positivas que favorecem o bem-estar.
Outros investigadores encontraram evidência robusta de que o voluntariado pode ativar o sistema de recompensa do cérebro, reduzir o stress e até abrandar alguns aspetos do envelhecimento.
Embora não tenhamos testado estes mecanismos no Estudo Longitudinal do Wisconsin, eles podem ajudar a explicar porque é que quem vota tende a ter melhores resultados de saúde do que quem não vota.
Votar pode também promover a saúde ao reforçar a autoeficácia, o sentido de dever cívico e a ligação social, uma vez que é uma atividade simultaneamente altruísta e partilhada.
Apesar de as explicações exatas ainda não serem conhecidas, os estudos mostram de forma consistente uma ligação entre o voluntariado e um risco menor de mortalidade. Isso sugere que participar na vida cívica - mesmo algo tão simples como depositar um boletim de voto - pode ser benéfico para a saúde, tal como sair para correr ou comer legumes e verduras.
Sara Konrath, professora associada de Estudos de Filantropia, Universidade de Indiana, e Femida Handy, professora de Política Social, Universidade da Pensilvânia
Este artigo foi republicado a partir de The Conversation ao abrigo de uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.
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