IGAS investiga alegados óbitos na lista de espera para cirurgia cardíaca
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) está a apurar as alegadas mortes de doentes enquanto aguardavam cirurgia cardíaca na Unidade Local de Saúde de Santo António (ULSSA), no Porto, de acordo com um processo hoje consultado pela Lusa.
"O processo de esclarecimento foi instaurado (...) na sequência de notícias divulgadas pelos órgãos de comunicação social (...) relativas a alegados óbitos de doentes enquanto aguardavam intervenção clínica na Unidade Local de Saúde de Santo António", lê-se numa comunicação da IGAS datada de 24 de abril.
Segundo a IGAS, o processo de esclarecimento foi aberto por despacho do inspetor-geral a 6 de abril e está relacionado com notícias publicadas a 19 de fevereiro. Nessa data, em entrevista à RTP, o diretor de serviço de Cardiologia da ULSSA, André Luz, afirmou que dez doentes morreram nos últimos três anos devido a uma "lista de espera demasiado elevada" apenas neste hospital do Porto.
"Este processo visa esclarecer a veracidade das informações divulgadas sobre a lista de espera para cirurgia cardíaca, segundo as quais dez utentes terão falecido entre 2022 e 2025, devido a uma lista de espera demasiado elevada naquela unidade local de saúde", lê-se no processo da IGAS.
Carta de diretores de cardiologia do Norte e alertas sobre recursos
Também a 19 de fevereiro, o "Diário de Notícias" (DN) noticiou que diretores de serviço de cardiologia de quatro hospitais do Norte (Santo António, no Porto, Tâmega e Sousa, Matosinhos e Trás-os-Montes e Alto Douro) subscreveram uma carta dedicada ao cenário da cirurgia cardíaca na região.
Na carta, dirigida à ministra da Saúde, os responsáveis chamavam a atenção para a lista de espera de doentes com problemas cardíacos que necessitam de cirurgia ou de implantação da válvula aórtica.
Na mesma altura, foi atribuída à ULSSA a ambição de vir a criar um centro de referência nesta área. No entanto, responsáveis de centros de referência já instalados na região, bem como a Ordem dos Médicos (OM), entre outras entidades, advertiram para a falta de recursos humanos nesta especialidade e para o risco de esvaziamento dos serviços já existentes.
ERS abre avaliação sobre constrangimentos de acesso no SNS
A 25 de fevereiro, a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) abriu um processo de avaliação aos alegados constrangimentos no acesso a cirurgia cardíaca por utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS), confirmou esta entidade à Lusa.
Em resposta por escrito, uma fonte da ERS indicou que o processo de avaliação pretende "averiguar com mais detalhe a situação".
TAVI na ULS Santo António e debate sobre centro afiliado
A 22 de abril, a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, considerou que a ULS Santo António tem condições para ser centro de referência afiliado para a colocação de válvulas aórticas percutâneas (TAVI).
"Muito do que está aqui em causa é permitir que aquela unidade comece a fazer TAVI como centro afiliado. Acontece que a colocação de TAVI, tal como norma da Direção-Geral de Saúde, implica que exista uma equipa cirúrgica "on-house" que, com uma unidade de cirurgia cardíaca afiliada de um ou de qualquer centro, tornaria possível. Já tem um cirurgião cardíaco, bastava vir outro e mais a restante equipa", disse Ana Povo.
A governante foi ouvida na Assembleia da República, a pedido do Chega, no contexto da possibilidade de criação de um novo centro de cirurgia cardíaca na região Norte.
Referenciação atual na região Norte
Atualmente, na região Norte, os doentes que precisam de intervenções nesta área são referenciados para a ULS São João, para a ULS de Vila Nova de Gaia/Espinho e também para a ULS Braga, uma estrutura que há cerca de dois meses estava a funcionar a 20% da capacidade, sendo esperado que atinja o pleno até ao final do ano.
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