Saltar para o conteúdo

Recolha nacional da tommette de leite de cabra “Bêêle des prés” (La Ferme de Liègue) por Listeria monocytogenes

Mulher a examinar embalagem de queijo sentada à mesa com telemóvel e talão ao lado numa cozinha.

Os franceses, conhecidos pela paixão pelos queijos, estão novamente sob um alerta sanitário - com especial atenção para quem compra produtos artesanais em lojas especializadas.

Uma pequena tommette de cabra, presença habitual em muitas montras em França, motivou uma recolha de grande alcance a nível nacional depois de análises laboratoriais apontarem um risco de contaminação bacteriana capaz de provocar doença grave em pessoas mais vulneráveis.

Queijo tradicional, alerta moderno

Em França, o queijo é tratado quase como património nacional. No meio de centenas de variedades, os queijos de cabra conquistaram um lugar próprio por serem vistos como mais leves, fáceis de digerir e de sabor intenso - do fresco e cremoso ao bem curado.

Desta vez, contudo, a herança gastronómica esbarrou num problema de segurança alimentar. Uma tommette feita com leite de cabra, produzida e distribuída em todo o país, passou a constar de uma lista de recolha por contaminação microbiológica. A intenção das autoridades é directa: retirar o produto da venda e, sobretudo, evitar que chegue ao prato de quem já o comprou.

"Qualquer consumidor que tenha adquirido tommette de cabra recente deve, antes de tudo, verificar rótulo, lote e data de validade."

Produto, marca e períodos de venda

O aviso foi divulgado no sítio oficial Rappel Conso, a plataforma do Governo francês criada para informar rapidamente a população sobre recolhas de alimentos e de outros bens de consumo.

Identificação do queijo de cabra recolhido

O artigo visado é uma tommette de leite de cabra vendida sob a marca “La Ferme de Liègue”, com a designação comercial “Bêêle des prés”. Trata-se de um pequeno queijo redondo, envolto em película plástica e com etiqueta individual.

De acordo com a informação publicada, este queijo esteve à venda entre 05/12/2025 e 26/01/2026, chegando a consumidores em várias regiões de França.

  • Tipo de produto: tommette de leite de cabra
  • Nome: “Bêêle des prés”
  • Marca: La Ferme de Liègue
  • Código GTIN: 3770026529294
  • Data limite de consumo indicada: 11/03/2026

Onde o queijo foi vendido

A distribuição não ficou limitada a uma única cadeia de supermercados. A circulação fez-se sobretudo através de canais especializados, como queijarias, talhos de bairro e distribuidores regionais. A comunicação oficial refere, entre os intervenientes da cadeia:

  • Aumand
  • Ouest Frais
  • La boucherie du coin
  • SAS du Bignon
  • La Fée Cochette
  • Olivier Jouteau

Esta lista ilustra como um único queijo artesanal pode atravessar uma rede alargada de revenda, chegando tanto a pequenas localidades como a grandes centros urbanos.

Lotes abrangidos pela recolha

Se ainda tiver o produto em casa, a verificação mais segura passa por confirmar os números de lote impressos na embalagem. Apenas alguns lotes foram afectados, o que permite distinguir o que deve ser rejeitado do que não está incluído no alerta.

Lotes em recolha Nota
CTB031125 Produção de novembro
CTB041125 Produção de novembro
CTB051125 Produção de novembro
CTB291025 Lote anterior, mesmo fabricante
CTB121125 Lote de distribuição ampliada
CTB191125 Lote com a mesma referência comercial
CTB261125 Incluído por risco microbiológico semelhante
CTB281125 Incluído por risco microbiológico semelhante
CTB291125 Produção próxima da data-limite

Se a tommette que tem em casa apresentar um destes códigos e corresponder à mesma marca, a recomendação é inequívoca: não consumir em circunstância alguma.

"O fabricante e as autoridades sanitárias orientam a suspensão imediata do consumo dos lotes listados, mesmo que o queijo pareça normal ao olhar ou ao paladar."

Risco de listeriose: o que está em causa

Os testes laboratoriais identificaram a presença da bactéria Listeria monocytogenes em alguns lotes. Este microrganismo pode causar listeriose, uma infecção alimentar menos frequente, mas potencialmente grave.

Entre os sintomas mais comuns encontram-se:

  • Febre de início súbito
  • Dores no corpo e sensação de gripe intensa
  • Dores de cabeça fortes
  • Possível mal-estar digestivo

Em muitas pessoas saudáveis, o quadro pode ser ligeiro e até confundido com uma virose. O risco mais relevante recai sobre grupos sensíveis:

  • Grávidas
  • Idosos
  • Pessoas imunossuprimidas
  • Doentes em tratamento oncológico ou com patologias crónicas graves

Nestas situações, a listeriose pode afectar o sistema nervoso central ou desencadear complicações severas, incluindo consequências para o bebé durante a gravidez.

O que fazer se já consumiu o queijo

Quem ingeriu o produto de um dos lotes abrangidos e não apresenta sintomas não precisa de entrar em pânico, mas deve manter-se atento. O período de incubação da listeriose pode ir de alguns dias a várias semanas.

As recomendações gerais incluem:

  • Vigiar o aparecimento de febre persistente ou fora do habitual
  • Estar atento a dores fortes no corpo e na cabeça com início repentino
  • Se houver sintomas, informar o médico de que consumiu o queijo de cabra incluído na recolha

"Surgindo febre, dores e mal-estar após ingestão do produto, o caminho mais prudente é procurar atendimento médico e mencionar a recolha."

Direitos do consumidor e procedimento de reembolso

Quem ainda tem o queijo em casa é aconselhado a não provar “só um pedaço” para avaliar o sabor. A orientação é devolver o produto ao ponto de venda até quinta-feira, 26 de março de 2026, para obter reembolso.

O processo junto do estabelecimento deverá ser simples: basta entregar o queijo, mesmo que já tenha sido parcialmente consumido, desde que a etiqueta ainda permita identificar o lote e a marca. Existe também um número de telefone para esclarecimentos operacionais sobre esta recolha específica: 06 21 00 34 42.

Porque é que queijos de leite cru exigem mais cuidado

Muitos queijos artesanais franceses são produzidos com leite cru, sem pasteurização. Esta opção mantém parte dos aromas e da flora microbiana original, valorizada por muitos apreciadores. Em contrapartida, aumenta a margem de risco se houver falhas de higiene ou problemas no processo de maturação.

A Listeria monocytogenes, por exemplo, tolera bem ambientes frios. Pode sobreviver no frigorífico e multiplicar-se lentamente em alimentos prontos a consumir, como queijos macios sem tratamento térmico posterior.

Isto não quer dizer que todo o queijo de leite cru seja perigoso, mas ajuda a perceber porque é que as autoridades acompanham este tipo de produto com frequência e actuam rapidamente quando um lote dá positivo nas análises.

Como reduzir riscos ao consumir queijos artesanais

Quem aprecia queijos de cabra e outros queijos finos não precisa de deixar o hábito. Algumas medidas simples diminuem bastante a probabilidade de problemas:

  • Comprar em locais que garantam cadeia de frio e apresentem limpeza visível
  • Confirmar a data de validade e o tipo de leite (cru, pasteurizado, termizado)
  • Manter o queijo sempre refrigerado e respeitar o prazo após abertura
  • Evitar queijos de leite cru para grávidas e pessoas imunossuprimidas, salvo indicação médica

No caso de gravidez, por exemplo, é comum que os médicos aconselhem queijos feitos com leite pasteurizado e, de preferência, variedades mais firmes, menos propensas à multiplicação de bactérias indesejáveis.

Entender melhor os termos técnicos da recolha

Dois termos surgem repetidamente nestes avisos e costumam levantar dúvidas. “GTIN” é o código numérico normalizado a nível mundial que identifica cada referência de produto, facilitando o rastreio exacto do item que deve ser retirado de circulação.

Já “data limite de consumo” não é apenas uma sugestão. Nos produtos perecíveis, esta data é definida com base em estudos de segurança microbiológica. Consumir depois desse limite aumenta a probabilidade de crescimento bacteriano, mesmo quando não existia contaminação inicial.

Este tipo de recolha evidencia o quanto a produção e a distribuição de alimentos dependem de vigilância contínua, sobretudo em produtos sensíveis como queijos artesanais de cabra. Ao consumidor cabe o hábito de confirmar rótulos, acompanhar avisos de segurança alimentar e, perante qualquer dúvida, optar pela prudência antes de servir a próxima tábua de queijos.


Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário