Downsizing? Não façam rir os engenheiros da Mazda…
Num mundo em que quase tudo aponta para eletrificação - uns fabricantes com mais pressa do que outros… - e em que os motores a combustão vão sobrevivendo à custa de turbo, assistência elétrica e uma eletrónica cada vez mais mandona, a Mazda volta a escolher o caminho menos óbvio.
Ryuichi Umeshita, diretor técnico do construtor, confirmou que o próximo MX-5 vai dispensar o turbo e passar para um novo bloco atmosférico de 2,5 litros de cilindrada. O nome? Skyactiv-Z - e estes são os primeiros detalhes conhecidos deste motor.
Segundo Umeshita, “a potência será muito boa e a economia de combustível também”. A base técnica? Um novo processo de combustão lambda (λ), afinado para manter o consumo sob controlo e cumprir as futuras normas Euro 7.
Um motor que promete boa performance sem dramas e com consumos baixos… exceto em Portugal. Já lá vamos, porque antes há outro ponto importante a esclarecer.
Leve, leve, leve
A cilindrada aumenta, mas a balança não deve disparar. Esse é um dos objetivos assumidos por Masashi Nakayama, diretor-geral da divisão de design da Mazda. A marca japonesa quer manter o roadster com menos de quatro metros de comprimento e por volta de uma tonelada.
A próxima geração deverá continuar fiel a estes princípios. E isso também quer dizer que o espaço a bordo continuará curto. A prioridade mantém-se: leveza e agilidade, não habitabilidade. E nós conseguimos viver bem com isso.
Portugal, o país onde a cilindrada custa mais do que poluir
Em Portugal há um “detalhe” que estraga o entusiasmo. A fiscalidade automóvel continua a dar demasiado peso a critérios envelhecidos - por exemplo, o Renault Clio mais ecológico à venda no nosso mercado paga 10 vezes mais imposto do que a versão a gasolina.
Tudo por causa da cilindrada. Assim, enquanto noutros países o novo MX-5 pode continuar com um posicionamento competitivo, por cá os 2,5 litros vão empurrá-lo para um produto (ainda mais) de nicho.
É a mesma lógica fiscal que castigou o Toyota GR86, o modelo mais acessível da Gazoo Racing. Em Portugal, o seu preço aproximava-se do GR Yaris, simplesmente porque os 2,4 litros pagavam muito mais imposto do que o três cilindros de 1,6 litros. O resultado foi evidente: o GR86 teve entre nós uma passagem comercial muito discreta.
A esperança portuguesa
A Mazda admite que está a analisar uma versão 100% elétrica do MX-5, mas o peso continua a ser um obstáculo quase impossível de contornar. Além disso, um elétrico não é exatamente aquilo que a maioria procura num carro deste tipo.
Há ainda uma terceira via. Uma variante mild-hybrid do Mazda MX-5 não está fora de questão, com um motor mais pequeno apoiado por um sistema elétrico. Mas qualquer solução mais complexa do que isso parece, para já, pouco provável. A marca quer manter o Miata leve, simples e fiel ao que sempre foi.
Ainda falta muito?
De acordo com a Mazda, o primeiro modelo a estrear o novo Skyactiv-Z só chega em 2027, sob o capô de um SUV - provavelmente o sucessor do CX-5. O MX-5 deverá aparecer pouco depois, o que significa que a atual geração ND3 ainda tem mais alguns anos pela frente.
Até lá, resta esperar. E torcer para que Portugal não volte a transformar mais um ícone automóvel num luxo fiscalmente difícil de suportar. O carro que democratizou os roadsters pode estar prestes a ficar ainda mais caro.
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