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Pais ajudam estudantes a decorar carros do cortejo académico no Porto

Pessoas a decorar um grande bloco de cartão num espaço amplo com carros e bandeirolas coloridas.

Pais e estudantes arregaçaram as mangas e trabalharam lado a lado na decoração dos carros que, esta terça-feira à tarde, vão percorrer as ruas do Porto no cortejo académico.

Os veículos que entram no desfile contaram com uma ajuda extra vinda de casa. A pedido dos universitários, pais e outros familiares juntaram-se na preparação - com especial destaque para as tarefas de carpintaria e montagem em madeira. Na “oficina” instalada em Campanhã, mais de 200 pessoas marcaram presença todos os dias, num convívio em que a experiência profissional dos mais velhos se revelou decisiva para executar os projetos tal como tinham sido idealizados.

Pais e familiares na “oficina” de Campanhã

“Esta malta é cinco estrelas e o ambiente é espetacular”, dizia Rui Sousa, pai de Nuno Sousa, doutorando em Biologia. Vindos de Lousada, levaram também o tio Francisco. Rui trabalha como pintor e Francisco é carpinteiro, o que fez deles um reforço importante na transformação do carro de Ciências num barco, com mastro e velas a exibirem o azul associado ao curso.

Rui já tinha participado no ano anterior e voltou a dar o seu contributo. O filho é “dux”, após oito anos de percurso académico - não por falta de aproveitamento, mas porque a bolsa demorou a ser atribuída. Para esta edição, a meta passa por repetir um feito já alcançado: voltar a conquistar o “prémio para o melhor carro” do desfile.

No mesmo grande salão, entre ferramentas e materiais, Sofia e Carlos Couto formavam outra dupla. Com música a sair de colunas colocadas ao centro, Sofia, estudante de Psicologia e natural de Paços de Ferreira, trabalhava no projeto enquanto o pai, Carlos, garantia que o ambiente era “porreiro”. Também assegurava que, no dia do cortejo, estaria tudo “seguro”. Por estar no quarto ano, Sofia tem hoje direito a seguir em cima do carro. “Será uma experiência diferente”, comentava, adiando para mais tarde as reflexões sobre as dificuldades que antevê para entrar no mercado de trabalho.

Temas e críticas nos carros do cortejo académico do Porto

No caso de Psicologia, a decoração do camião recorre a títulos dos livros da Anita como molduras e elementos visuais. Entre as mensagens, surgem críticas aos tempos de espera no Serviço Nacional de Saúde e às rendas elevadas na habitação. Há ainda espaço para recordar temporais - com destaque para a Kristin, que afetou a Região Centro e levou alguns eleitores a deslocarem-se para votar de barco.

Pregos e litros de tinta

Em Economia, a inspiração vem da série “La casa de papel”, que dá origem ao slogan chamativo nas laterais: “Assalto à FEP (Faculdade de Economia do Porto)”. O foco recai na inflação e na subida generalizada dos preços, bem como na escolha de muitos diplomados em sair do país à procura de melhores condições de trabalho. É igualmente apontado o peso financeiro para as famílias quando se torna necessário recorrer ao “mágico” (explicador fora da universidade), como explicou Pedro Pessegueiro, acompanhado por Francisca Saraiva e Filipa Brás - um triunvirato empenhado em fazer sobressair o camião da FEP.

Já em Enfermagem, os estudantes dizem que vão criticar o Governo e o estado do país, obviamente “sem esquecer a profissão de enfermeiro”, conforme sublinhou João Ferrão. Finalista e natural de Espinho, descreveu emoções misturadas: “Existe a tristeza de deixar os colegas com quem partilhei estes anos e a alegria de concluir o curso”. A caloira Matilde Ribas, de Santa Maria da Feira, estreante nestas preparações, destacou a “camaradagem” que marcou os dias de trabalho.

A Federação Académica forneceu vários materiais para viabilizar as construções, incluindo diferentes formatos em madeira, 400 metros de rede de arame e 2250 metros de fio de arame, 110 placas de esferovite, 65 quilos de pregos, 26 litros de cola, 312 de tintas e bastante papel para ajudar a passar os projetos do papel para a realidade.

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Percurso
O cortejo académico arranca na Rua de Camões, desce a Trindade e segue em direção à Avenida dos Aliados. A saída está prevista para as 14.01 horas.

Carros alegóricos
A par dos estudantes, vão também para a rua os carros alegóricos temáticos que foram preparados ao longo de várias semanas.

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