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Francisco Pedro Balsemão fala sobre a Impresa em entrevista ao Expresso

Homem de camisa escura em escritório moderno com jornais e vários ecrãs de computador à sua volta.

O responsável máximo da Impresa afirma que, na condução do grupo, pode contar com o apoio solidário dos quatro irmãos. “Foi consensual que alguém deveria exercer estas funções e que deveria ser eu e, portanto, a partir do momento em que eles também delegam isto a mim, também sentem que têm a necessidade de me acompanhar”, explica Francisco Pedro Balsemão, em entrevista ao Expresso.

Francisco Pedro Balsemão, política e escrutínio

Acha que existe alguma desconfiança do governo em relação ao jornalismo, algum atrito, por não gostar de ser escrutinado e por ver o jornalismo como incómodo?

Na minha perspetiva, o governo - tal como qualquer estrutura que detenha poder, seja executivo, legislativo, judicial, militar, religioso ou outro - tem de ser alvo de escrutínio. E, se alguém que ocupa um cargo de poder não se sente confortável com isso, então não deveria estar nesse cargo.

Continua a votar PSD?

Eu nunca afirmei que votava PSD.

Mas o seu pai foi fundador; não acompanha a família nesse sentido?

O meu pai sempre soube que o voto é secreto. Diria que a consciência política e cívica pode ser herdada; já o sentido de voto, em função de quem se apresenta a sufrágio, vai-se exercendo ao longo do tempo. Eu sempre estive de consciência tranquila e já votei de formas diferentes.

Não se sente obrigado a votar PSD?

Não.

E gostaria de ter intervenção política? É algo que esteja no seu horizonte?

Estou tão empenhado aqui, tão ocupado com esta causa e com esta empresa, que não penso em mais nada. Aquilo que fazemos na Impresa já é, por si, tão relevante para a sociedade que, nesse sentido, esta é a minha contribuição para a pólis - para contribuir positivamente. Não excluo essa hipótese.

Como cidadão, preocupa-o a polarização que surge com partidos como o Chega, mais extremados?

Como cidadão, preocupo-me com movimentos que possam prejudicar a sociedade portuguesa e levar a que a nossa comunidade se fragmente. É por isso que sou contra extremismos. Entendo que o extremismo não contribui para a construção da nossa sociedade. O extremismo assenta em mentiras, em populismos, em dizer aquilo que algumas pessoas querem ouvir e, por isso, choca com aquilo em que acredito. Eu acredito na política da verdade. A política da verdade é essencial para essa construção da sociedade; e o que fazemos na Impresa vai no sentido oposto ao extremismo. Portanto, não me revejo, de todo, em extremismos.

O Sindicato de Jornalistas fez recentemente um evento com o título “Microfone ou megafone? A cobertura da extrema-direita”. Como vê esta discussão? Há excesso de Chega na comunicação social?

Sou, antes de mais, a favor da liberdade de expressão - com limites, evidentemente - e também a favor da responsabilização de quem exerce cargos de poder; neste caso falamos de deputados e, nalguns casos, autarcas, mas estamos a falar do Chega. Tendo estes dois aspetos em conta, devemos ouvir e permitir que o debate exista. O debate público é muito importante. Quando começamos a censurar certos debates, considero que isso pode ser ainda mais perigoso do que permitir que aconteçam. Dito isto, se alguém disser coisas injuriosas, difamatórias ou que se enquadrem num determinado tipo penal, existem tribunais para responsabilizar. Ainda assim, acredito sobretudo na possibilidade de debate - até porque a proibição pode empurrar para mais extremismo.

Família, legado do Dr. Balsemão e governação da Impresa

O país ainda está marcado pela morte do Dr. Balsemão; foi visível. Para si, foi quase um rito de passagem, uma transição: estar agora sozinho a comandar o grupo, sem a figura tutelar do Dr. Balsemão? O que mudou?

Ele não estava sozinho e eu também não estou. Isto é um projeto de uma equipa com mais de 900 pessoas; não sinto que seja algo que eu faça por minha conta, tal como ele também não sentia. Tanto ele se apoiava como eu me apoio em muitas pessoas excelentes e muito talentosas. Durante 10 anos tive alguém a quem reportava e, deixando de lado a dimensão pessoal, com quem tinha uma relação profissional muito estruturada: reuniões semanais, reportes objetivos, avaliação concreta. Naturalmente, isso faz-me falta.

Sente-se mais sozinho?

Não. Nunca me senti sozinho e continuo sem me sentir. O que sinto falta é de alguém que tinha um conhecimento ímpar desta área, em Portugal e lá fora. De forma muito fria, era uma pessoa capaz de dar os conselhos certos no momento certo. E também teve a perceção de, na altura certa, compreender que eu - como ele dizia - gostava mesmo disto, gostava tanto disto como ele. Mas não basta gostar: é preciso demonstrar. Eu fui demonstrando ao longo de vários anos, ainda antes de ser diretor executivo, e nos vários mandatos. E, nestes 10 anos como diretor executivo, recebi várias vezes sinais do Dr. Balsemão - enquanto presidente - de que estava satisfeito ou contente com o meu trabalho.

Sempre que fala do seu pai, nunca diz “o pai”, “o meu pai”; diz “o Dr. Balsemão”. Como faz essa separação? Como explica aos leitores essa separação tão rígida?

Entrei na empresa a 1 de setembro de 2009 e, desde esse dia, esta distinção é óbvia para mim. Aqui dentro, nunca disse “o meu pai”; sempre disse “o Dr. Balsemão”. Em qualquer conversa interna, era sempre “Dr. Balsemão”. No início, as pessoas estranharam; depois perceberam que, para mim, era o mais coerente. É simples: quando estou a falar em contexto profissional, é “Dr. Balsemão”. Quando falávamos da Balseger, de assuntos pessoais, ou quando chegava a casa e o meu pai trazia os jornais, aí não ia dizer “Dr. Balsemão”. Para mim, é a mesma pessoa, mas há um respeito enorme e vou manter sempre essas diferenças com quem merece esse respeito. Era importante que, desde o primeiro dia, as pessoas percebessem que eu estaria aqui por mérito e não por ser filho de quem sou.

Acha que o apelido Balsemão lhe abriu portas ou obrigou-o a trabalhar o dobro para provar valor?

O apelido Balsemão é, acima de tudo, motivo de orgulho. Tenho imenso orgulho no que foi feito pela minha família e, em primeiro lugar, pelo Dr. Balsemão. E hoje tenho muito orgulho na minha família: dos meus irmãos à minha mãe, dos meus sobrinhos aos meus filhos - que ainda são pequenos, mas de quem também me orgulho. Refiro-me sobretudo a quem já tem percurso profissional ou académico; tenho mesmo muito orgulho de todos, individualmente. E isso é bom.

Mas sentiu que teve de provar que não estava aqui por favor?

Qualquer sucessor, para não ser visto como alguém que está aqui apenas por ser filho, neto, ou o que seja, vai dizer que chegou onde chegou porque trabalhou o dobro, o triplo, ou dez vezes mais. No meu caso, felizmente, procurei fazer percurso fora. Quando fui advogado, quando trabalhei em consultoria de recursos humanos, quando estudava, sempre me esforcei muito. É uma das minhas características principais: sou muito trabalhador. Para chegar aqui, se calhar tive de me esforçar um pouco mais; mas já era muito esforçado antes. E gosto muito do que faço - e, quando se faz por gosto, custa menos.

Gostava de ver um dos seus sobrinhos, ou um dos seus filhos, nessa mesma posição?

A primeira pergunta tem de ser para eles. E tem de ser por mérito próprio, tal como eu sinto que estou aqui por mérito próprio; não há outra forma. Eu estou aqui há 10 anos por mérito próprio.

Mas gostava de ver a família continuar ligada ao negócio?

A família quer manter-se ligada ao negócio e, acima de tudo, à causa da Impresa, por muitos e bons anos. Eu, pessoalmente, gostaria; mas eles também têm de querer. Neste momento, não há ninguém na empresa nem prestes a entrar. E não chega querer: é preciso demonstrar capacidade, ter ética de trabalho e curiosidade.

O negócio já vos estragou jantares de família, algum Natal? Pode ser difícil gerir uma empresa cujos acionistas se encontram no Natal...

Felizmente, sempre conseguimos gerir isso bem. Não somos daquelas famílias em que se diz que se sentam à mesa e “não se fala do negócio”. Nós falávamos, mas, felizmente, não somos muito de conflitos. Claro que pode haver opiniões diferentes; isso existia, inclusive entre mim e o meu presidente.

Crescer numa casa onde se falava do futuro do país: o Dr. Balsemão não era apenas presidente da Impresa, foi primeiro-ministro e teve intervenção política. Recorda alguma conversa determinante, alguma memória em que o futuro do país tenha passado pela mesa ou pelo sofá de sua casa?

O futuro do país, não sei dizer. Mas lembro-me, desde muito novo, de se falar de política em casa - isso, sim. Quando o meu pai se tornou primeiro-ministro eu nem um ano tinha, mas recordo bem as eleições presidenciais do Mário Soares contra o Freitas do Amaral. Lembro-me perfeitamente disso. E lembro-me de irem lá a casa jantar o Mário Soares, o Ramalho Eanes...

Vocês eram afastados do local onde eles estavam, ou não?

Sim, éramos afastados. Não íamos jantar à mesa com eles...

Mas nem ficavam por ali?

Não; eu também era muito novo. Quanto ao futuro do país - e isto também está nas memórias do Dr. Balsemão - ele tinha visão política e, muitas vezes, vontade de regressar à vida política. Não revelo nenhuma inconfidência: equacionou candidatar-se à Presidência da República contra Jorge Sampaio; isso foi falado. Em casa, falava-se muito do futuro. Chamavam-nos quando foi a queda do Muro de Berlim; explicavam-nos quem era o Ceaușescu quando foi derrubado e depois fuzilado; procuravam sempre contextualizar.

O meu pai também tinha uma atenção constante à tecnologia e fazia questão de nos mostrar novidades: trouxe para casa o CD, algo que trouxe do Japão, e nós achámos aquilo extraordinário. Depois apareceu o CDI, o CD interativo, que ele também trouxe. E teve um dos primeiros telemóveis, daqueles muito grandes. Tivemos cedo televisão por satélite e apanhávamos muitos canais. Ali, o futuro era uma mistura de comunicação social e tecnologia. E eu acho que a política também tem relação com isso, não é? O futuro de um país passa também por essas duas dimensões - não só, mas também.

Há hoje alguém que dê continuidade a isso? Alguém na família que continue a trazer novidades e a alimentar essas conversas?

Não existe ninguém com o mesmo papel que ele tinha. Nós até brincávamos: quando lhe ofereceram um iPad, em 2011, de repente começámos a receber e-mails durante a noite, à uma da manhã, muito por causa das novidades tecnológicas. Hoje, sou eu que faço muito isso - não tanto com a família, mais dentro da empresa - mas temos muitas pessoas a fazê-lo também: o Ricardo Costa, e outras, embora eu puxe muito por esse lado, porque continuo, tal como o Dr. Balsemão, a procurar muita informação lá fora, boletins informativos e conteúdos ligados à tecnologia e à comunicação.

Na família, felizmente, temos os meus sobrinhos, que se interessam por inteligência artificial e também me ensinam: explicam-me como se criam agentes e como montaram um estúdio de design com 12 agentes, um dos quais vende publicidade ou procura empregos. Agora aprendo muito com eles; acho que isso também era muito do Dr. Balsemão.

Embora não seja o filho mais velho, assumiu um pouco o papel de pai de família? Senta-se à cabeceira da mesa?

A cabeceira, aos almoços, ou fica vazia; ou então, nos jantares, quase para tirar esse peso, colocamos o mais novo da família - o meu filho de 5 anos - para aliviar isso. A família, neste momento, tem uma mãe de família: a minha mãe.

Mas o seu pai chamava-lhe “rainha-mãe”.

Sim. O meu papel hoje - e também por isso assumi o cargo de presidente - é suceder ao Dr. Balsemão na dimensão mais institucional. Não é substituí-lo; é assumir essa função institucional. Ainda agora estivemos na Guarda, por ocasião do 25 de Abril: ele foi homenageado e houve três momentos dessa homenagem, extraordinários, por parte da Câmara Municipal da Guarda. E, nas três vezes, fui eu que discursei. Alguém tem de assumir esse papel, e faz sentido que seja assim.

Futuro, tecnologia e equilíbrio pessoal

Sacrificou vontades pessoais para manter esse legado? Gostaria de ter investido noutro caminho completamente diferente? Teria tido outra vida?

Não me imagino a fazer outra coisa. É natural que, com um cargo desta responsabilidade, exista menos tempo livre para certas coisas. Felizmente, tenho tido muito cuidado com a minha família nuclear - em particular, com a minha mulher e os meus filhos. A minha mulher também trabalha imenso, por vezes até mais do que eu; e tentamos, os dois, garantir tempo para os miúdos. Claro que isso deixa menos espaço para outras coisas boas - como ir ao Sporting, praticar desporto, ou estar com amigos - mas não me posso queixar.

Olhando para a família Berlusconi e comparando com a vossa: são cinco irmãos cá e cinco irmãos lá; eles têm uma presença, sobretudo a irmã mais velha, mais ativa na política. Falou-se até de ela poder liderar a Forza Italia. Como foi o encontro das duas famílias? A ideia que temos de uma família italiana é muito passional. São parecidos? São diferentes?

Esta operação formalizou-se há relativamente pouco tempo; por isso, não houve qualquer encontro entre as duas famílias. Eu conheço o meu homólogo - também é diretor executivo e presidente da MFE -, o Pier Silvio Berlusconi, mas ainda não conhecemos a família Berlusconi. O que sei é o que é público.

Ainda não houve um grande almoço, com uma mesa enorme, com italianos e portugueses?

Não.

Eles já vieram visitar a Impresa?

A família não, mas já vieram cá membros da MFE.

Como gostava que a sua biografia começasse daqui a 30 anos? Faria um livro como o seu pai fez?

Estou demasiado concentrado no presente e no futuro para pensar agora em memórias e, além disso, considero que ainda sou relativamente jovem: tenho 46 anos. Nunca pensei escrever uma biografia, uma autobiografia, ou que alguém escrevesse a minha biografia. Mas reconheço que há material, destes últimos 10 anos, para capítulos interessantes. Teria de ter um cunho pessoal, porque é importante mostrar as duas dimensões: uma parte de emoções e afetos e outra mais profissional.

Uma coisa que eu dizia ao Dr. Balsemão - neste caso ao meu pai - era que o livro dele estava muito bem escrito, mas que, por vezes, faltava ali uma componente mais pessoal.

O Francisco Pedro é mais emotivo?

Ele também era emotivo, mas mostrava menos esse lado. Acho que o livro, por vezes, falava do que ele sentiu, mas precisava de uma escrita mais emotiva. Ele tinha um sentido de humor extraordinário, muita graça, e uma palavra de simpatia muito original para toda a gente. No meu caso, eu escreveria algo um pouco mais emotivo.

E como começaria a minha autobiografia? Onde as autobiografias começam: pelo início, a 22 de abril de 1980, num hospital particular em São Sebastião da Pedreira, em Lisboa, e depois, enfim, seguiria a partir daí.

Tenta imprimir - e pergunto se também por influência da sua mãe - um estilo mais emotivo, mostrar mais as suas próprias emoções? Aprendeu isso, viu e decidiu fazer diferente?

Eu tenho o meu estilo e acho que o meu estilo passa por ser autêntico. Não foi algo que eu “aprendesse”; é uma questão de ser eu próprio na forma como lidero a empresa. Eu lidero com rigor e objetividade, com cuidado pelas pessoas que aqui trabalham e com sentido de responsabilidade.

No dia a dia existe algum formalismo, claro, porque é um navio muito grande para comandar. Mas temos de temperar isso com naturalidade: estamos todos no mesmo barco e todos queremos, diariamente, que isto seja bem-sucedido. Isso faz-se com pequenos gestos - aquela ideia de “o que é que podemos fazer para deixar o mundo melhor?”. Muitas vezes melhoramos o mundo com gestos quotidianos. Também é importante fazer grandes gestos, grandes projetos, deixar grandes marcas na vida de outros; mas, acima de tudo, se começarmos pelo pequeno, conseguimos contribuir para algo maior.

E na paternidade, é diferente também?

Sou presente.

Mais presente?

Mais presente do que o meu pai, sim.

E, por exemplo, se tiver uma conversa mais difícil com a sua mulher, um assunto mais pesado, mais sério, os miúdos saem ou ficam? O mundo mudou, a educação mudou...

Sim, o mundo mudou. Com os meus filhos, eu dou prioridade: vou a concertos de saxofone, vou aos espetáculos de fim de ano, vou aos jogos do Sporting com eles...

Procura não falhar.

Procuro não falhar e fico de consciência tranquila. Quanto a conversas difíceis, depende da maturidade das crianças, não é? São três e nenhum é adolescente. Se estivermos a falar de algo que está a acontecer no país, adapto o discurso conforme a criança que estiver comigo: têm 12, 10 e 5.

Viu a série sobre o filho do Kennedy?

Não.

Na série, uma coisa que transparece - ainda que não seja o foco - é a solidão dos herdeiros. É muito difícil?

Eu não me sinto só. Sinto-me, sobretudo, acompanhado pelos meus irmãos, o que é muito importante. Eles sabem que isto é um trabalho difícil e são muito solidários. Houve consenso de que alguém teria de desempenhar estas funções e de que seria eu; e, a partir do momento em que me delegam essa responsabilidade, também sentem necessidade de me acompanhar. Por isso, sinto-me acompanhado por eles e pelas pessoas que aqui trabalham.

Agora, é verdade que, no final do dia, quando chega a hora de decidir - e tomam-se dezenas, centenas de decisões por dia, todos nós - as minhas têm mais peso por causa do cargo que desempenho. Têm impacto maior na vida de terceiros e, por isso, aí as decisões podem ser solitárias, não tenho dúvidas. Mas no quotidiano não me sinto só.

Qual foi a decisão mais difícil nesses 10 anos?

Não há “a” decisão mais difícil. Existiram muitas decisões difíceis ao longo dos anos: desde saídas de pessoas até à alienação de ativos, como aconteceu com as revistas. Houve decisões particularmente sensíveis.

Mas há algo que vos posso dizer: todas foram tomadas com a consciência tranquila. Vou para a cama à noite e posso ter muitos problemas e até não dormir - por razões de trabalho, porque é mesmo muito trabalho -, mas não é por achar que tomei uma decisão contra a minha consciência. Isso é muito importante.

Consegue manter equilíbrio e evitar stresse excessivo? Há muitos gestores que, com a pressão, ficam sem qualidade de vida. Já disse que o seu escape era a família, o Sporting e os concertos. Continua a ir a muitos concertos?

Tenho ido a concertos, sim. Ultimamente, não tantos; o último foi dos Ornatos Violeta. Agora vai começar a época de festivais e vou tentar ir mais.

Também faço cursos na área da criatividade, e em especial do humor, incluindo um, em 2008, de escrita humorística com as Produções Fictícias e outro, em 2022, de Teatro de Improviso, com a ACT - Escola de Atores. É essencial haver escapes, como fins de semana fora com a família.

Em Aveiro?

Aveiro é um excelente escape. Temos casa em Aveiro; a família da minha mulher é de Aveiro; e é uma cidade onde sinto - eu, a minha mulher e os meus filhos - que, quando lá vamos, conseguimos desligar. Não é que eu não trabalhe também em Aveiro, mas é diferente. Parece que o peso alivia.

E é tudo plano: dá para correr, andar de bicicleta, dar um mergulho no mar mesmo no inverno - e isso é um enorme escape. Ainda assim, devia fazer mais para gerir melhor. Infelizmente, não sou daqueles diretores executivos que dizem que conseguem equilibrar perfeitamente a vida pessoal e a profissional. Ainda não estou aí. Faço um esforço, mas ainda não estou nessa fase. Porém, ter escapes é fundamental, sim.

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