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Acorda entre as 2 e as 4 da manhã? Pode ser culpa de uma hormona do stress.

Homem sentado na cama à noite, esfregando os olhos, ao lado de despertador e copo de água.

Muitas vezes, a causa é uma hormona discreta.

Muita gente acorda repetidamente entre as duas e as quatro da manhã e fica a pensar no que se passa com o corpo. Em vez de dormir de forma contínua e reparadora, a mente entra em modo acelerado, o ritmo cardíaco sobe e voltar a adormecer parece quase impossível. Este intervalo horário tão característico não é mera coincidência: resulta de uma combinação complexa entre o relógio biológico, a resposta ao stress e o metabolismo energético - com uma determinada hormona a assumir o papel principal.

Porque é que acontece precisamente entre as duas e as quatro?

O corpo humano segue um ciclo bem definido de dia e noite, conhecido como ritmo circadiano. Na segunda metade da noite ocorre uma transição no cérebro: do sono profundo e lento para fases mais leves e para o sono REM, período em que os sonhos tendem a ser mais intensos.

Nessa altura, o organismo torna-se claramente mais sensível a interferências. Ruídos, agitação interna ou oscilações da glicemia podem mais facilmente provocar um despertar - e, depois, manter a pessoa acordada.

"Entre as duas e as quatro, o corpo encontra-se numa ‘zona de vulnerabilidade’ biológica, em que qualquer pequeno desequilíbrio se faz sentir com mais força."

Em paralelo, o organismo tem de atravessar o jejum nocturno: passam-se horas sem ingestão de alimentos, mas o cérebro continua a precisar de energia constante. Quando este equilíbrio se descompensa, o corpo activa o seu sistema interno de alarme - e interrompe o sono para estabilizar o metabolismo.

Cortisol: a hormona do stress como despertador nocturno

No centro do fenómeno está uma hormona que muitos associam sobretudo a esgotamento (burnout) ou pressão no trabalho: o cortisol. É produzido nas glândulas supra-renais e faz parte essencial da resposta ao stress.

Em condições normais, os níveis de cortisol durante a noite são baixos. A partir de cerca das duas da manhã, começam a subir lentamente para que, de manhã, estejamos despertos e funcionais. Este aumento gradual faz parte do ritmo diário normal.

O que muda quando há stress prolongado (cortisol)

Quando alguém vive durante muito tempo sob stress constante - seja profissional, pessoal ou interno - este padrão pode alterar-se. Nesse caso, o aumento do cortisol pode:

  • começar demasiado cedo,
  • ser demasiado abrupto, ou
  • surgir em ondas.

O resultado é que o corpo inicia, por assim dizer, o “programa da manhã” ainda a meio da noite. Isso pode manifestar-se com sintomas como:

  • despertar súbito sem motivo aparente,
  • pensamentos a mil, ruminação, planeamento e preocupações,
  • pulso acelerado ou palpitações,
  • boca seca ou suor ligeiro.

"O corpo comporta-se como se houvesse um compromisso importante - só que às três da manhã, no escuro."

Quando a glicemia cai a pique durante a noite

Além do cortisol, há um segundo factor decisivo: o metabolismo do açúcar. Depois do jantar, o corpo passa horas a depender das reservas. As células obtêm energia sobretudo a partir do que está armazenado no fígado e nos músculos.

Se a última refeição do dia for mal composta, pode ocorrer uma hipoglicemia nocturna. Há dois extremos particularmente problemáticos:

  • jantares muito leves e pobres em hidratos de carbono, que não sustentam por muito tempo,
  • refeições com muitos açúcares rápidos (doces, pão branco, refrigerantes, sobremesas muito açucaradas).

Após um pico de açúcar, a glicemia tende muitas vezes a descer de forma acentuada. Se, durante a noite, descer demasiado, o cérebro interpreta isso como um sinal de alarme - porque sem açúcar suficiente o seu funcionamento fica limitado.

Como resposta, o organismo liberta adrenalina e cortisol para mobilizar energia novamente. Isto protege o sistema, mas faz o sono desaparecer. Nesses casos, é típico haver:

  • acordar de repente com palpitações,

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