Algumas pessoas conseguem mentir de forma gelada, quebrar regras e magoar os outros sem pestanejar. Um estudo recente na área da psiquiatria e das neurociências indica agora que esta tendência não se manifesta apenas no comportamento: também pode estar ligada à própria estrutura do cérebro. Em particular, em homens com pontuações elevadas de psicopatia, surgem alterações claras em zonas associadas ao controlo dos impulsos e à regulação emocional.
O que os investigadores encontraram no cérebro de pessoas com psicopatia
A equipa de investigação liderada pelo neurocientista Peter Pieperhoff recorreu a imagens de ressonância magnética (RM) de alta resolução para analisar o cérebro de 39 homens. Os participantes provinham de instituições psiquiátricas ou estavam sujeitos a medidas de liberdade condicional e/ou restrições de supervisão. Todos foram avaliados através de um teste padronizado de psicopatia.
Segundo a análise, quanto mais intensos eram certos traços psicopáticos, mais evidentes se tornavam anomalias estruturais no cérebro. As alterações apareciam sobretudo em regiões que, em pessoas saudáveis, funcionam como uma espécie de travão interno.
"Nos homens com impulsividade muito marcada e comportamento antissocial, os investigadores encontraram volumes reduzidos em áreas cerebrais que orientam decisões, regulam emoções e amortecem impulsos."
Entre as zonas mais chamativas destacaram-se, por exemplo:
- Córtex orbitofrontal: ajuda a antecipar consequências e a travar comportamentos inadequados
- Núcleos do tálamo: filtram informação e encaminham sinais para outras áreas do cérebro
- Tronco cerebral: envolvido em funções básicas como excitação, vigilância e emoções primárias
Em conjunto, estas áreas integram as chamadas redes fronto-subcorticais - circuitos que avaliam continuamente se um impulso planeado é sensato, socialmente aceitável ou arriscado.
Quando o travão interno falha
O estudo sugere que, em muitas pessoas com psicopatia, estes circuitos de controlo podem funcionar com menor eficácia. Quando há menos volume cerebral nestas regiões, parece haver maior propensão para explosões impulsivas, agressividade ou um padrão persistente de comportamento irresponsável.
Padrões típicos de comportamento que podem estar associados a estas alterações cerebrais incluem:
- acessos de raiva que escalam rapidamente
- violação de regras sem considerar as consequências
- falta crónica de fiabilidade, por exemplo no trabalho ou nas relações
- tendência para violência ou para comportamentos criminosos
Os investigadores sublinham: estas características cerebrais não desculpam actos. Servem antes como mais uma peça para compreender porque é que algumas pessoas ultrapassam repetidamente limites, mesmo sabendo que isso causa danos - a si próprias e aos outros.
Cálculo frio em vez de barreiras emocionais?
O mais interessante é aquilo que o estudo não
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