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NASA abandona a sua estação lunar ambiciosa numa grande reviravolta.

Equipa científica discute projeto espacial com maquetes de foguetes e módulos lunares numa mesa luminosa.

A responsável máximo da NASA afirmou na terça-feira que a agência espacial dos EUA vai investir 20 mil milhões de dólares para desenvolver uma base na Lua, ao mesmo tempo que suspende os planos para criar a estação espacial orbital lunar conhecida como Gateway.

Em comunicado divulgado durante um evento de dia inteiro na sede da NASA, em Washington, Jared Isaacman explicou: "A agência tenciona colocar o Gateway em pausa, na sua forma actual, e mudar o foco para infra-estruturas que permitam operações sustentadas à superfície."

Segundo Isaacman, "apesar dos desafios com algum hardware existente, a agência irá reaproveitar equipamento aplicável e tirar partido dos compromissos dos parceiros internacionais para apoiar estes objectivos".

Esta é a mais recente reviravolta na NASA na sequência de alterações ao programa Artemis, cujo propósito é levar norte-americanos de volta à Lua e assegurar aí uma presença de longo prazo, abrindo caminho a futuras missões a Marte.

O plano para a estação orbital lunar Gateway previa que esta servisse, em simultâneo, como ponto de transferência para astronautas a caminho da Lua e como plataforma de investigação científica.

A suspensão da iniciativa não é totalmente inesperada: havia quem a criticasse por ser financeiramente dispendiosa ou por desviar atenções de outras ambições lunares.

Ao colocar o projecto em pausa, será possível redireccionar esforços e recursos para a construção da base junto do estratégico polo sul lunar, clarificou Isaacman - um objectivo que já estava previsto.

Isaacman acrescentou que a NASA planeia agora gastar 20 mil milhões de dólares ao longo dos próximos sete anos para construir a base, ao longo de dezenas de missões, "trabalhando em conjunto com parceiros comerciais e internacionais rumo a um plano deliberado e exequível".

"Existirá um caminho evolutivo para construir o primeiro posto avançado permanente da humanidade à superfície, para lá da Terra, e vamos levar o mundo connosco."

A Agência Espacial Europeia (ESA), entre outras organizações internacionais, era parceira do projecto Gateway.

Questionada pela AFP, a ESA afirmou estar "neste momento a manter consultas estreitas com os seus Estados-membros, parceiros internacionais e a indústria europeia, para avaliar as implicações deste anúncio".

NASA e a Artemis 2 na calha

Isaacman, que assumiu a liderança da NASA no final do ano passado, anunciou de forma abrupta, há menos de um mês, uma reorganização do programa Artemis, que tem acumulado múltiplos atrasos nos últimos anos, enquanto procura garantir o regresso de norte-americanos à superfície lunar até 2028.

Esse objectivo mantém-se, mas a agência espacial norte-americana vai ajustar a sequência de voos para incluir uma missão de teste antes de uma futura alunagem, com o intuito de reforçar a "memória muscular" dos lançamentos, disse Isaacman.

Essa revisão estratégica surgiu num contexto de sucessivos atrasos na missão Artemis 2, que inicialmente deveria descolar já em fevereiro, mas aponta agora para o início de abril. O plano é realizar o primeiro sobrevoo da Lua em mais de meio século.

Durante o seu primeiro mandato, o Presidente Donald Trump anunciou que pretendia que norte-americanos voltassem a pisar a superfície lunar.

A China, por sua vez, avança com planos para a sua primeira missão tripulada à Lua até, no máximo, 2030.

O esforço dos EUA depende, em parte, do progresso dos parceiros privados da NASA.

A SpaceX e a Blue Origin, as empresas espaciais dos dois bilionários rivais Elon Musk e Jeff Bezos, têm contratos para desenvolver módulos de alunagem a utilizar no programa Artemis.

© Agence France-Presse

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