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China e Rússia: cooperação militar e exercícios navais conjuntos em 2025

Dois militares em uniforme observam dois navios de guerra no mar durante o dia.

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Há décadas que a China e a Rússia somam esforços numa cooperação militar ampla, que inclui exercícios combinados, transacções de armamento e contactos diplomáticos, bem como intercâmbios entre as Forças Armadas de ambos os países. Em 2025, a dimensão marítima desta relação traduziu-se num número mais reduzido de exercícios navais conjuntos, sinalizando um recuo face aos máximos registados em 2023 e 2024. Ainda assim, a realização de patrulhas combinadas e a expansão para novos espaços geográficos deixaram um precedente relevante no relacionamento militar bilateral.

Segundo o relatório “Tracking China’s Increased Military Activities in the Indo-Pacific in 2025” do China Power, produzido pelo Center for Strategic and International Studies (CSIS) (2026), a projecção militar da Marinha chinesa em 2025 avançou para novos cenários geográficos de valor estratégico, sustentada por ciclos operacionais renovados, tanto autónomos como em coordenação com outras forças navais.

Cooperação naval China-Rússia em 2025: números e tendência

Conforme descrito no mesmo relatório, as forças armadas da China e da Rússia lideraram seis exercícios combinados em 2025. Desses, contabilizam-se quatro exercícios e patrulhas navais, um exercício de patrulha aérea conjunta e uma actividade terrestre. Este total corresponde a uma quebra superior a metade quando comparado com 2024, ano em que foram acordados 14 exercícios militares bilaterais.

Em termos estritamente navais, 2023 e 2024 assinalaram os máximos históricos de actividades entre a Marinha do Exército Popular de Libertação (PLAN) da China e a Marinha russa, com cinco iniciativas combinadas em cada um desses anos. Seguiu-se 2022 com quatro, e 2019 com três encontros.

A área marítima em torno do Japão continuou a ser um palco recorrente para a vertente naval desta cooperação. Como marco relevante, as forças de ambos os países realizaram o primeiro exercício combinado focado em guerra anti-submarina, o “Joint Sea 2025”, no Mar da China Oriental e no Mar do Japão, em Agosto do ano passado. Com o objectivo de reforçar a interoperabilidade entre as marinhas na região, a formação de navios chineses e russos executou manobras de salvamento de submarinos, acções de defesa aérea e antimíssil, simulações de procura e destruição de um submarino inimigo e combate naval com fogo real.

Mais tarde, no contexto do destacamento de contratorpedeiros e cruzadores russos e chineses no Mar do Japão em Outubro de 2025, as Forças de Autodefesa do Japão atribuíram a uma aeronave P-3C Orion a patrulha aérea associada às actividades dos navios estrangeiros, a partir da Base Aérea de Naha, em Okinawa. Entre as unidades identificadas estavam as fragatas Binzhou “515” e Anyang “599”, da marinha chinesa, e o cruzador lança-mísseis Varyag, da marinha russa.

Antecedentes e evolução dos exercícios combinados

A participação da China e da Rússia em exercícios conjuntos remonta ao início dos anos 2000, período em que as suas forças armadas integraram o exercício multilateral “Coalition 2003” com países membros da Organização de Cooperação de Xangai, concebido em torno de simulações antiterroristas.

Anos depois, os dois países lançaram o seu primeiro exercício combinado, conhecido como “Peace Mission 2005”, conduzido em locais russos (Vladivostok) e chineses (Península de Shandong), com ênfase em tácticas terrestres e anfíbias.

Já em 2009, as marinhas da China e da Rússia realizaram formalmente o seu primeiro exercício naval combinado no Golfo de Áden, como refere o artigo “How Deep Are China-Russia Military Ties?” do Projecto China Power do CSIS (2025).

Novos cenários e contactos operacionais no Indo-Pacífico

Em termos de expansão geográfica, navios da Guarda Costeira da China e da Guarda de Fronteiras da Rússia participaram em patrulhas conjuntas no Pacífico Norte em Outubro de 2024, circundando o Mar de Bering. Esta iniciativa alarga a presença operacional chinesa na região do Árctico, em paralelo com o emprego da Marinha do Exército Popular de Libertação ao lado da frota naval russa.

Nessa ocasião, a Guarda Costeira dos Estados Unidos alertou para a presença de quatro embarcações estrangeiras - duas de origem chinesa e duas de origem russa - a sudoeste da ilha de São Lourenço. A cooperação operacional em novos espaços, como o Árctico, coloca em evidência a projecção de poder destas potências em agendas ligadas à exploração de recursos naturais e ao traçado de rotas comerciais marítimas na região setentrional, um ponto de conflitualidade emergente na política internacional.

Num desenvolvimento mais recente das relações militares bilaterais, no passado dia 13 de Abril um destacamento da Frota do Pacífico da Marinha russa escalou o porto militar de Zhanjiang (Guangdong) para realizar uma visita oficial à sua congénere chinesa, no âmbito de intercâmbios operacionais no Indo-Pacífico. O aprofundamento da cooperação naval entre ambas as marinhas reforça a presença de China e Rússia no Oceano Pacífico, consolida precedentes para novos projectos bilaterais e reacende tensões geopolíticas com países da região e de fora dela.

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