A Conta Geral do Estado de 2025 indica que o endividamento do setor público permanece em níveis muito elevados, fixando-se nos 13,3 mil milhões de euros.
Conta Geral do Estado de 2025 e riscos orçamentais
De acordo com o relatório de 2025 da Conta Geral do Estado, a Metro do Porto passou a ser uma das poucas empresas públicas que conseguiu diminuir o seu endividamento em mais de metade num único ano. Esta evolução destaca-se num quadro em que os riscos orçamentais continuam a merecer atenção por parte do Governo, sobretudo no universo das entidades públicas reclassificadas.
Entretanto, a estratégia de reestruturação financeira aplicada ao Setor Empresarial do Estado (SEE) - assente no financiamento anual de novos investimentos e na redução de dívida bancária - traduziu-se, em 2025, numa redução agregada do endividamento de 524,1 milhões de euros, o que corresponde a menos 3,8% do que no ano anterior.
Metro do Porto e a redução do endividamento
Corte drástico
Entre os vários casos, o da Metro do Porto foi o mais expressivo. A empresa reduziu 147,3 milhões de euros no passivo bancário, uma descida de 55,3% face a 2024. Na prática, esta variação significa que a operadora conseguiu trazer a sua dívida para quase metade num só exercício - um resultado pouco frequente em empresas públicas que, historicamente, têm suportado encargos financeiros elevados.
Endividamento do SEE continua gigantesco
Apesar deste recuo, o volume de endividamento no SEE mantém-se muito significativo. A Parvalorem, criada para receber os ativos tóxicos associados ao colapso do BPN em 2008, continua a surgir isolada como a empresa pública com maior dívida: 5,3 mil milhões de euros, ainda que tenha reduzido o passivo em 75,2 milhões face a 2024. Em seguida aparece a Infraestruturas de Portugal, com 3,3 mil milhões de euros, e depois o Metropolitano de Lisboa, com 2,9 mil milhões.
RTP agravou dívida
O recuo conseguido pela Metro do Porto torna-se ainda mais evidente quando comparado com o desempenho de outras entidades. No caso da RTP, o endividamento aumentou 12,3 milhões de euros, o que representa uma subida de 16% em relação a 2024.
Já no setor empresarial não reclassificado, o panorama continua condicionado pela TAP, cujo crescimento do endividamento contribuiu para que a dívida global dessas empresas avançasse 3,9%.
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