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Como a CUNY explica a aprendizagem de regras sociais com o “suficientemente bom”

Três jovens num café a analisar gráficos num portátil e a discutir notas num caderno com post-its.

Todos os dias, as pessoas cumprem regras sociais sem se aperceberem. Cumprimentamos os outros de formas familiares, escolhemos determinadas roupas consoante o local e preferimos palavras comuns em vez de expressões pouco habituais.

Ninguém nos ensina este conjunto de regras de forma explícita. Ainda assim, aprendemo-las depressa e aplicamo-las com naturalidade.

Há muito que os cientistas tentam perceber como é que isto acontece. Um novo estudo da The City University of New York (CUNY) aponta para uma explicação simples: em vez de pensarmos demasiado ou fazermos cálculos complicados, tendemos a esperar até que algo pareça “suficientemente bom” e, a partir daí, mantemo-nos nessa escolha.

Como aprendemos regras sociais

As regras sociais orientam o quotidiano. Ajudam-nos a integrar-nos e a comunicar. No entanto, não as aprendemos através de um manual claro e completo. Vamos absorvendo essas regras a partir de experiências pequenas e dispersas.

Isto cria um problema difícil de explicar: como é que as pessoas transformam alguns sinais mistos numa regra aparentemente nítida?

Durante anos, os investigadores apoiaram-se sobretudo em duas ideias. A primeira é a imitação: observar o que os outros fazem e repetir. A segunda é a reflexão cuidadosa: analisar todas as alternativas e escolher a melhor. Ambas parecem plausíveis, mas nenhuma descreve totalmente o comportamento real.

Porque é que a imitação falha

Imitar, no sentido estrito, seria repetir o que se viu no momento anterior. Mas as pessoas fazem mais do que isso: recorrem à memória de muitas interações passadas e comparam-nas.

Imagine, por exemplo, que conhece colegas novos no trabalho. Uma pessoa aperta a mão, outra limita-se a dizer “olá” e uma terceira sorri e acena com a cabeça. Se copiasse apenas a última pessoa com quem interagiu, o seu comportamento mudaria constantemente.

Em vez disso, repara que a maioria diz “olá”. Por isso, adopta esse cumprimento como o seu padrão.

Este exemplo sugere que as pessoas não reproduzem apenas um instante: usam a memória para detectar regularidades e, depois, seguem aquilo que funciona melhor na maior parte das vezes.

Regras sociais boas, não perfeitas

A segunda explicação parte do pressuposto de que as pessoas pensam como máquinas: avaliam todas as opções e escolhem a melhor. Só que a vida real não funciona assim. Não temos tempo nem energia para uma análise permanente e exaustiva.

“É comum assumir-se que a aprendizagem social tem a ver com imitação ou com uma optimização cuidadosa”, afirmou Spencer Caplan, coautor principal do estudo.

“O que encontrámos é algo mais básico e mais humano: as pessoas exploram opções diferentes, mas, assim que um padrão ultrapassa o limiar do ‘suficientemente bom’, comprometem-se com ele e mantêm-no, mesmo quando existe alguma evidência contraditória.”

Esta abordagem é conhecida como satisficing (optar por algo “suficientemente bom”). Ou seja, escolhe-se uma solução que funciona bem o bastante em vez de continuar à procura da opção perfeita. Quando se atinge a satisfação, pára-se de procurar.

Ficava, porém, uma questão essencial: como é que definimos o que conta como “suficientemente bom”?

Acordo em torno de normas sociais

Os investigadores encontraram uma pista na aprendizagem da linguagem. As crianças enfrentam um desafio semelhante quando aprendem gramática: ouvem muitos exemplos, alguns regulares e outros diferentes, e ainda assim conseguem formar regras.

Para explicar este fenómeno, os cientistas usam o chamado Princípio da Tolerância. A ideia é que o cérebro cria uma regra quando a maior parte dos exemplos segue um padrão consistente.

Se houver demasiadas exceções a quebrar esse padrão, o cérebro tende a evitar a formação de uma regra.

Para testar esta lógica, a equipa recorreu a um jogo simples. Os participantes viam rostos desconhecidos e tinham de lhes atribuir nomes. Recebiam recompensas se a sua escolha coincidisse com a escolha de outra pessoa.

No início, experimentavam nomes diferentes. Com o passar do tempo, começavam a convergir e a concordar num único nome.

O que os modelos mostraram

Os investigadores compararam várias explicações possíveis para este comportamento. Um modelo baseava-se em copiar o que tinha sido bem-sucedido no passado. Outro seleccionava a opção mais frequente. Um terceiro introduzia escolhas ao acaso.

O último modelo assentava na regra do “suficientemente bom”. Foi este que melhor reproduziu o comportamento humano.

O padrão observado tinha dois momentos. Primeiro, as pessoas exploravam alternativas. Depois, de forma relativamente súbita, fixavam-se numa única escolha.

Essa mudança ocorria quando a memória atingia um determinado ponto. Assim que existiam experiências suficientes a apoiar uma opção, essa opção passava a ser tratada como a regra.

O modelo do “suficientemente bom” previu as escolhas das pessoas com mais precisão do que os restantes. Mesmo modelos mais complexos não conseguiram igualar esse nível de acerto.

Isto indica que as pessoas dependem de raciocínios simples, e não de cálculos pesados.

Como a mudança acontece

O estudo analisou também a forma como as regras se alteram. Por vezes, um grupo pequeno consegue mudar um hábito partilhado. Em experiências anteriores, cerca de um quarto do grupo foi suficiente para provocar uma mudança.

A mesma regra simples explicava o fenómeno: quando pessoas suficientes exibiam um novo padrão, as restantes acabavam por aceitá-lo.

“Estes resultados dão-nos uma imagem mais clara de como as normas se espalham, estabilizam e, por vezes, mudam de um momento para o outro”, disse Caplan. “Isto tem implicações reais para tudo, desde campanhas de saúde pública à cultura organizacional, até à forma como novas ideias ganham força na sociedade.”

Para confirmar as conclusões, os investigadores realizaram mais uma experiência. Os participantes pensavam que estavam a adivinhar as escolhas de um parceiro. Na realidade, essas escolhas seguiam padrões ocultos.

Mais uma vez, a regra do “suficientemente bom” descreveu de perto o comportamento humano. Os outros modelos erraram mais.

Regra simples, grande impacto

Hoje, os sistemas de inteligência artificial dependem de grandes volumes de dados e de cálculos complexos. Tentam chegar à melhor resposta analisando tudo.

Mas os humanos podem não funcionar dessa forma. Usamos regras simples e paramos quando algo “soa” certo. Isto sugere que os sistemas actuais podem estar a falhar uma parte importante do pensamento humano.

O resultado mais surpreendente é a simplicidade desta regra. A mesma lógica ajuda a explicar tanto a forma como as crianças aprendem a linguagem como a forma como os adultos seguem normas sociais.

Claro que o mundo real é mais complexo. As regras sociais também dependem da cultura, da identidade e do contexto. Ainda assim, o processo base mantém-se.

A partir de um conjunto reduzido de experiências, o cérebro decide quando é que um padrão é fiável. Quando toma essa decisão, tende a manter-se fiel a ela.

No fim, as pessoas não precisam de respostas perfeitas. Precisam apenas de respostas que funcionem bem o suficiente.

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