Uma máquina de lavar roupa de carga frontal, num lar britânico, libertava um cheiro intenso a mofo de cave - apesar de o tambor e o vidro da porta parecerem impecáveis. Em vez de chamar de imediato um técnico, a proprietária decidiu colocar dois produtos comuns à prova: o Dettol Washing Machine Cleaner (líquido) e o Dr Beckmann Service-it Deep Clean (pó). Ambos prometem frescura higiénica, mas o teste prático mostrou qual deles consegue mesmo eliminar o mau cheiro persistente da máquina.
Porque é que máquinas de lavar “limpas” também podem cheirar mal
À primeira vista, tudo pode parecer irrepreensível: tambor sem marcas, porta transparente e ausência de sujidade visível. No entanto, o odor costuma denunciar o que não se vê. Ao longo de meses, acumulam-se resíduos de detergente, gordura, células da pele, cotão e calcário em zonas como as mangueiras, a área atrás do tambor, a gaveta do detergente e a borracha de vedação. É precisamente aí que bactérias e bolores encontram condições ideais.
Alguns hábitos muito comuns tornam o problema mais provável:
- programas curtos frequentes a 30 ou 40 °C
- uso constante de programas Eco com temperaturas baixas
- lavagens com detergente líquido e amaciador
- manter a porta e a gaveta do detergente fechadas após a lavagem
O resultado é um ambiente húmido e morno - perfeito para microrganismos. Ao degradarem os resíduos, libertam o típico cheiro a abafado que, mais tarde, pode passar para toalhas e roupa de cama.
"Um tambor pode parecer reluzente e, mesmo assim, cheirar horrivelmente - as verdadeiras zonas problemáticas ficam escondidas por trás de plástico e metal."
Como foi feito o teste: Dettol vs. Dr Beckmann
O teste foi realizado numa máquina de lavar de carga frontal com odor teimoso, num agregado familiar britânico. Antes disto, a dona da máquina já tinha tentado cristais de soda, mas sem sucesso: o cheiro regressava depois de cada lavagem.
Os dois produtos são fáceis de encontrar em prateleiras de supermercado e tinham preços semelhantes: Dettol como limpador líquido de máquina, Dr Beckmann como pó em dose individual. Para garantir um comparativo justo, ambos foram usados no mesmo tipo de lavagem de manutenção, sem roupa, a 60 °C. Assim, foi possível avaliar o que mudava - em termos de cheiro e de resíduos visíveis - após uma única utilização.
O que o Dettol conseguiu limpar (e o que não resolveu)
O primeiro a entrar em ação foi o Dettol, com uma utilização ligeiramente adaptada para incluir também a limpeza das superfícies visíveis. Misturou-se uma colher de sopa do produto em cerca de 200 ml de água quente e, com essa solução, esfregaram-se três pontos habituais de acumulação:
- a gaveta do detergente, com crostas secas de produto
- a borracha de vedação da porta, com marcas de sabão e pontos escuros
- o vidro da porta, com uma película ligeira
O efeito foi evidente: as crostas na gaveta soltaram-se, a borracha ficou com aspeto bem mais limpo e o vidro deixou de ter aquela camada gordurosa. Nesta parte, o Dettol mostrou uma ação clara - sendo uma boa opção para limpar a zona frontal e o que está à vista.
Depois, a gaveta voltou ao lugar, o restante conteúdo do Dettol foi vertido na máquina e iniciou-se um ciclo vazio a 60 °C. No final, o tambor apresentava mais brilho, sugerindo que também se desprenderam depósitos no interior.
Ainda assim, ao abrir a porta, persistia um cheiro a mofo - menos intenso do que antes, mas inconfundível. Ou seja: melhorou o aspeto e houve alguma redução do odor, porém a causa mais profunda não ficou totalmente eliminada.
"O Dettol deu brilho à gaveta, ao vidro e à borracha - mas, contra o cheiro entranhado no interior, o tratamento por si só não chegou."
Porque o Dr Beckmann ficou à frente no confronto direto
Na segunda ronda, foi a vez do Dr Beckmann Service-it Deep Clean em pó. Desta vez, a testadora não fez qualquer esfregão adicional, já que as áreas mais visíveis estavam limpas - o objetivo era perceber o que o produto conseguia fazer “lá dentro”.
O conteúdo total do pó foi colocado na gaveta de detergente. Embora a embalagem recomende um programa a 40 °C, voltou a escolher-se um ciclo a 60 °C para manter as condições do teste iguais. A máquina trabalhou vazia, sem detergente e sem outros aditivos.
No fim, veio o momento decisivo: ao abrir a porta, já não surgiu o típico cheiro húmido de cave - apenas um aroma leve e floral. As toalhas lavadas a seguir deixaram de ficar com a nota abafada, o que apontou para mais do que uma simples “mascara” do cheiro: o problema pareceu ter sido, em grande medida, resolvido no interior.
O Dr Beckmann apresenta este produto como um limpador de ação profunda, capaz de remover resíduos e calcário, eliminar 99,9% de bactérias e fungos e, assim, contribuir para maior durabilidade e eficiência da máquina. No teste prático, esse posicionamento saiu reforçado: em termos de odor, o pó superou claramente o concorrente líquido.
"No teste, o mau cheiro persistente da máquina só desapareceu com o Dr Beckmann - e, depois disso, também as lavagens seguintes voltaram a cheirar de forma neutra."
Qual é o mais indicado para cada situação?
Deste ensaio resultam algumas conclusões práticas para o dia a dia:
| Produto | Pontos fortes | Quando faz sentido? |
|---|---|---|
| Dettol Washing Machine Cleaner | boa limpeza visível na gaveta, vidro e borracha; ação antibacteriana | para máquinas com cheiro ligeiro; como manutenção ocasional; quando o incómodo é sobretudo estético |
| Dr Beckmann Service-it Deep Clean | forte ação em odores entranhados e resíduos escondidos; também combate fungos | quando há mau cheiro persistente e penetrante; como tratamento intensivo pontual |
Quem lava com regularidade a temperaturas altas - por exemplo, roupa de cama e toalhas a 60 °C com detergente universal em pó - já previne muitos destes problemas. Em casas com crianças, roupa desportiva e predominância de lavagens a 30 °C, é mais fácil formar-se biofilme; nesses casos, usar um limpador específico a cada um ou dois meses pode ser útil.
Como prevenir o cheiro a mofo na máquina de lavar
Independentemente do produto escolhido, rotinas simples ajudam a controlar odores de forma duradoura:
- deixar a porta e a gaveta do detergente abertas após cada lavagem, para secar
- correr pelo menos uma vez por mês um programa a 60 °C com detergente universal em pó
- dosar com moderação detergente líquido e amaciador, sem ultrapassar as marcas
- limpar a borracha e a gaveta de poucas em poucas semanas com um pano
- higienizar regularmente o filtro, sobretudo em casas com animais
Quem prefere soluções caseiras recorre muitas vezes a vinagre ou bicarbonato. A curto prazo, podem ajudar a soltar depósitos, mas, em concentrações elevadas, a acidez pode, com o tempo, agredir vedantes e componentes metálicos. Já os limpadores específicos para máquinas são formulados para atuar sem danificar materiais internos - algo particularmente relevante em equipamentos mais recentes.
O que este teste significa para lares alemães
Muitos lares na Alemanha já conhecem estas marcas do supermercado. Os produtos testados destinam-se a quem não quer apenas a máquina “bonita por fora”, mas também eliminar fontes de odor que ficam escondidas. O resultado foi bastante claro: produtos líquidos como o Dettol destacam-se na sujidade visível e numa refrescagem rápida; um pó potente como o Dr Beckmann, por sua vez, consegue penetrar mais no sistema interno da máquina.
Assim, se volta e meia sentir um travo a cave ou a cão molhado na roupa acabada de lavar - mesmo com o tambor a brilhar - faz sentido planear uma limpeza a sério em profundidade, e não ficar apenas a esfregar a borracha. Um ciclo intensivo com um limpador de ação profunda, complementado por lavagens regulares a quente e boa secagem da máquina, pode ser a diferença entre “dá para o gasto” e roupa genuinamente fresca.
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