Muitos jardineiros desesperam com pulgões e lagartas, embora a resposta esteja mesmo ali, à janela - só precisa de ser chamada.
Quem tem jardim ou varanda conhece bem o filme: mal as temperaturas começam a subir, aparecem pragas que atacam plantas ornamentais e canteiros de hortícolas. E, apesar de parecerem uma solução rápida, os produtos químicos acabam muitas vezes por causar mais danos do que benefícios. Há, no entanto, uma alternativa natural e surpreendentemente simples que já vive por perto, nas árvores: os chapins. E existe um fruto discreto, tantas vezes ignorado, que ajuda a atraí-los de propósito - deixando o seu espaço verde muito menos vulnerável a pragas.
Porque é que os chapins são tão valiosos no jardim
Os chapins são, para muita gente, os “queridinhos” do jardim: activos, curiosos, com plumagem marcante e um chamamento inconfundível. Mas por trás do ar simpático está um caçador de pragas extremamente eficiente.
"Uma família de chapins pode, durante a criação das crias, devorar vários milhares de insectos e larvas - directamente das suas plantas."
Sobretudo o chapim-real e o chapim-azul alimentam-se, na primavera e no verão, em grande parte de insectos e das suas larvas. E isso inclui vários “suspeitos do costume” que dão dores de cabeça a quem cultiva:
- Pulgões em roseiras, árvores de fruto e plantas vivazes
- Lagartas que se alimentam das folhas das hortícolas
- Pequenos besouros e respectivas larvas em fruteiras e arbustos ornamentais
- Aranhas e outros pequenos animais que podem multiplicar-se rapidamente
Quem passa a ter chapins com frequência no jardim costuma notar, ao fim de poucas semanas, sinais claros: roseiras, fruteiras e canteiros parecem mais vigorosos. Menos folhas roídas, menos rebentos enrolados - sem venenos, sem pulverizações, apenas com maior presença de aves.
O fruto subestimado a que os chapins dificilmente resistem
Quando se fala em alimentar aves, muita gente pensa logo em sementes de girassol ou bolas de gordura. O que passa despercebido a muitos é que as bagas têm um papel relevante para os chapins, especialmente na época fria: são doces, fáceis de ingerir e dão energia de forma rápida.
Entre as mais apreciadas estão, por exemplo:
- Bagas de sabugueiro-preto
- Bagas de sorveira (rowan)
- Bagas de zimbro
Estas bagas existem em muitos jardins, em arbustos e árvores, mas raramente são vistas “de propósito” como alimento para aves. No entanto, são óptimas para comedouros quando está frio e a oferta de comida natural diminui.
"As bagas fornecem energia de rápida utilização - ideal no inverno, quando os insectos escasseiam e os chapins precisam de cada caloria extra."
A vantagem é prática: se tiver bagas no seu próprio jardim, pode disponibilizá-las de forma dirigida num ponto de alimentação. Se não tiver, há misturas adequadas à venda em muitos centros de jardinagem - o essencial é que as frutas sejam apropriadas para aves selvagens e não estejam tratadas.
Como montar um comedouro realmente apelativo
Para que os chapins aceitem o convite, não é necessária grande “tecnologia”, mas convém respeitar o que eles procuram. Um comedouro tubular simples ou um pequeno prato de alimentação chegam perfeitamente - a localização é o factor decisivo.
O local certo
- Visível, mas com refúgio por perto: os chapins gostam de ter campo de visão, mas querem conseguir refugiar-se rapidamente em arbustos se houver perigo.
- Pelo menos a 1,5 a 2 metros de altura: assim, os gatos ficam com muito mais dificuldade.
- Abrigo do vento: zonas demasiado expostas tendem a ser evitadas; locais mais resguardados funcionam melhor.
- Sem comida no chão: não deixe restos no solo, porque isso atrai ratos e pegas.
No comedouro, coloque uma combinação de bagas e - na estação fria - pode acrescentar alguma gordura alimentar ou grãos. Um ponto importante: a alimentação deve acontecer apenas quando as temperaturas estão baixas e não deve prolongar-se demasiado pela primavera dentro, para que as aves não deixem de procurar alimento natural.
Como oferecer as bagas da melhor forma
As bagas podem ser disponibilizadas:
- soltas, numa taça
- presas em pequenos ramos ou em cordéis
- misturadas com alimento gordo, pressionado em fendas da casca das árvores
Muitos chapins aproximam-se com cautela quando algo é novo. Mas assim que o primeiro se serve, normalmente seguem-se outros pouco depois. Este “efeito de grupo” nota-se bem no jardim.
Caixas-ninho, água e segurança: como transformar chapins em visitantes habituais
Quem quer mais do que uma visita ocasional e pretende manter chapins no jardim a longo prazo deve oferecer mais do que comida. Há três pontos-chave: locais de nidificação, água e protecção contra predadores.
Uma caixa-ninho ao gosto dos chapins
Os chapins são aves que nidificam em cavidades. Na natureza, aproveitam buracos em árvores apodrecidas - mas em zonas habitadas esses locais faltam muitas vezes. É aqui que a caixa-ninho clássica faz a diferença.
O que conta:
- Abertura de entrada suficientemente pequena: para chapins, um diâmetro de cerca de 26 até no máximo 28 milímetros é considerado ideal. Aberturas maiores deixam entrar também estorninhos ou pardais.
- Fixação estável a 2 a 3 metros de altura: assim, ovos e crias ficam mais protegidos de gatos e fuinhas.
- Ligeira inclinação para a frente: para impedir que a chuva entre.
- Local tranquilo: evite colocar mesmo por cima do terraço ou ao lado de passagens muito usadas.
"Uma única caixa-ninho pode ser suficiente para, ano após ano, se instalar uma família de chapins e prestar “serviço” no seu jardim."
Um ponto de água como íman
Muitas pessoas não imaginam o peso que a água tem - não só para beber, mas também para manter a plumagem limpa. Um recipiente raso, limpo com regularidade e reabastecido, atrai frequentemente tantas aves quanto um comedouro.
O ideal é uma taça rugosa e pouco profunda, com no máximo cinco centímetros de profundidade, e uma pedra no centro para servir de poleiro. Assim, até as aves menores conseguem beber e banhar-se em segurança.
Reduzir riscos: como proteger os seus ajudantes de penas
Se os chapins visitarem o seu jardim com regularidade, estarão a desempenhar uma tarefa importante - por isso, não devem tornar-se presa fácil. No jardim doméstico, os maiores perigos são os gatos e algumas aves, como pegas e corvos.
Afastar gatos sem criar conflitos com os vizinhos
Muitos gatos deambulam por jardins e sobem a árvores. Algumas medidas simples já reduzem bastante o risco para os chapins:
- não instalar comedouros e caixas-ninho junto ao chão
- proteger troncos com mangas lisas ou com protecções com picos, para dificultar a subida
- evitar trepadeiras densas ou sebes muito próximas do comedouro, de onde os gatos possam saltar
Dissuasão inteligente para corvídeos mais gulosos
As pegas e outros corvídeos são conhecidos por roubarem ovos com destreza e por saquearem ninhos. Para proteger os chapins, ajudam:
- “espantalhos” móveis feitos com CDs antigos ou película brilhante, que reflectem com o vento
- fitas penduradas ou elementos rotativos que criam reflexos inquietos
- caixas-ninho com orifício de entrada pequeno, que impede de forma fiável aves maiores
Também é importante não criar montes de alimento a céu aberto onde aves grandes se possam fartar. Pontos de alimentação pequenos e protegidos, destinados a aves de menor porte, funcionam muito melhor.
Mais auxiliares naturais no jardim: como tudo se complementa
Os chapins são apenas uma peça num jardim equilibrado e próximo da natureza. Ao facilitar a sua presença, acaba por reforçar também outros aliados. Sebes mistas com arbustos autóctones fornecem bagas às aves, néctar a insectos e abrigo a ouriços. Menos químicos significa mais alimento para todos os que ajudam a controlar pragas.
De forma prática, compensa deixar algumas áreas propositadamente “menos arrumadas” ao longo do ano: algumas plantas secas durante o inverno, montes de folhas sob arbustos, árvores de fruto mais antigas com cavidades. Tudo isso cria habitat para insectos - e, consequentemente, alimento para aves como os chapins.
Quem pára para observar um chapim a inspeccionar folha a folha e a retirar lagarta após lagarta de uma árvore de fruto percebe depressa: o pequeno investimento em bagas, caixa-ninho e taça de água devolve muito - na forma de um jardim vivo, onde a protecção das plantas chega sem ruído, em batidas de asas e chilreios.
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